Inspirada na vida e obra de Anais Nin e Antonin Artaud, o experimento cênico O Amor e a Peste, filmado de forma colaborativa durante a pandemia, teve sua estreia nas plataformas digitais Apple/ ITunes, Google Play/ Youtube Filmes, Vivo Play e Claro TV em julho de 2023 sob a direção da cineasta Marcela Lordy e distribuição da O2 Play.
O filme é uma parceria entre as Cias Teatrais Provisório-Definitivo, Núcleo do Desejo e a produtora Cinematográfica Marcela, e traz Flavia Couto e Pedro Guilherme nos papeis principais.
Obra criada e encenada pelos atores Flavia Couto e Pedro Guilherme é inspirada na vida e obra de Anaïs Nin e Antonin Artaud, e nos diários escritos pelo próprio casal durante o isolamento social no período da pandemia de Covid 19 no Brasil entre 2020 e 2021. Para além da vida e da arte de Anaïs e Artaud, Flávia e Pedro, o filme ainda traz reflexões sobre erotismo, amor e loucura.
A peça foi apresentada como experimento cênico online ao vivo no começo do ano de 2021 na casa dos atores, com dois fragmentos de 50 minutos cada. No final de 2021, ela ganhou uma versão cinematográfica de uma hora explorando os limites de linguagem entre o cinema, o teatro e as artes plásticas.
Essa versão que agora ganha as telas conquistou cerca de 20 prêmios em Festivais Internacionais e Nacionais de Cinema, sendo exibido em diversos países como França, Índia, Indonésia, Suécia, Itália, Alemanha, Reino Unido, etc. A versão cinematográfica foi criada por muitas mãos em parceria com o Laboratório Fronteiras Permeáveis da diretora de arte Vera Hamburger sob a direção da cineasta Marcela Lordy (foto acima).
O Amor e a Peste tem dois movimentos e explora a contaminação da “arte à vida” e da “vida à arte” e a intersecção de linguagem entre diversas formas de arte – diários, cinema, teatro, artes plásticas. O filme ainda conta com o compositor Edson Secco, a diretora de fotografia Manoela Rabinovitch, a montadora Gabriela Bernd, que montou pela primeira vez um filme de fiçcão na sua vida e ganhou o prêmio de melhor montagem num festival em Paris, e os figurinos de Maria D’Cajas.
Não é a primeira vez que a Marcela filma para o teatro, em 2009 ela filmou cinco curtas que integravam o monólogo Louise – Valentina de Simone Spoladore, e posteriormente se tornaram seu 1º curta metragem de ficção, o “Sonhos de Lulu”. Este mês ela ainda estreia “Aquário com Peixes”, sua estréia na direção de teatro, com texto inédito de Flanz Keppler.
Sobre o filme: O Amor e a Peste teve suas filmagens realizadas em setembro de 2021 no Teatro de Contêiner e fez parte do projeto “Cia. Provisório-Definitivo 20 anos” contemplado pelo Proac Lab Prêmio Por Histórico De Realização Em Teatro da Lei Aldir Blanc em 2020. Porém, sua finalização foi realizada de forma independente capitaneada pela Cinematográfica Marcela em parceria com Flavia e Pedro. Agora, firma nova parceria com a distribuição da O2 Play.
“Escolhemos o título O Amor e a Peste como extensão dos dois movimentos presentes na peça, que além de refletir sobre os caminhos e tensões entre a arte e a vida, trazem à tona duas polaridades: Eros – o êxtase do encontro amoroso e o impulso de criação, e Thanatos – a peste, a dissolução das formas de vida, a separação dos corpos dos amantes, os movimentos disruptivos e a pulsão de morte de uma sociedade máquinal.” Comenta Flavia.
O Amor e a Peste nasceu de uma imersão realizada no período de isolamento durante a pandemia, tendo como ponto de partida e inspiração as relações entre vida e arte suscitadas no encontro artístico e amoroso de Antonin Artaud e Anaïs Nin. Esses artistas emblemáticos inspiraram os atores-criadores, o casal de atores Flavia Couto e Pedro Guilherme, a escrever diários, reflexões e inquietações durante o período de isolamento, acerca dos processos vividos por eles, tanto no âmbito da vida, como da criação.
O casal de artistas transpõe poeticamente a experiência de viver uma relação afetiva em meio ao confinamento em um apartamento em São Paulo, no Brasil de Bolsonaro, a impotência diante da realidade, a contaminação pela Covid-19, o luto por uma mãe e por uma filha, num extremo da turbulência do momento político-social.
Foram convidados para participar de maneira remota diversos colaboradores de áreas distintas, são eles: Donizeti Mazonas e Maria Fernanda Vomero, a preparadora corporal Lara Dau Vieira e o músico Edson Secco, que assina a trilha sonora original. Agora, nessa versão atual, transposta do confinamento da casa para os palcos vazios, somam-se ao projeto a cineasta Marcela Lordy, a cenógrafa e diretora de arte Vera Hamburger, a diretora de fotografia Manoela Rabinovitch e a editora Gabriela Bernd.
Concepção cênica: Ao partir da criação de Flavia e Pedro, Marcela imprime sua marca registrada como cineasta ao navegar entre áreas e linguagens. Ela convida a diretora de arte Vera Hamburger para também colaborar nessa construção cênica e audiovisual. Vera, como bagagem ao projeto, além da vasta experiência e referência em direção de arte no cinema brasileiro, traz como contribuição a sua pesquisa: o laboratório Fronteiras Permeáveis. Vera se dedica nos últimos anos a lançar um novo olhar sobre a criação cenográfica e direção de arte, ao colocar a plasticidade do cenário em conjunto com a do corpo do ator.
O laboratório imersivo conduzido por ela aliou-se ao trabalho corporal e a concepção estética que já vinha sendo elaborada pelos atores-criadores. Além disso, soma-se na busca da plasticidade do movimento, os figurinos de Maria D’Cajas conhecida pela produção em dança, ao dar movimento e contorno ao vestuário cênico. Edson Secco, assina a trilha sonora, compositor reconhecido internacionalmente pela produção em cinema brasileiro, mas que também se dedica as artes da cena, ao ter suas composições presentes na dança, teatro e performance.
Assim, nessa zona mista de produções diversificadas entre áreas e linguagens temos também na equipe a diretora de fotografia Manoela Rabinovitch e, como segunda câmera e montagem, Gabriela Bernd, com vasta experiência nas intersecções entre artes e linguagens. A fotografia acrescenta-se a iluminação entre o cinematográfico e cênico de Vinícius Andrade. Com essa equipe principal, entre diversos outros integrantes, O Amor e a Peste é um convite a esse mergulho nos espaços intersticiais, na experimentação entre linguagens, artes, tempos, ficções e realidades em uma pesquisa e construção ininterrupta firmada entre os atores-criadores Flavia Couto e Pedro Guilherme ao longo de 3 anos na consolidação desse projeto.
Sinopse: A peça que se dividia em dois fragmentos realizados em dias distintos na versão caseira, apresenta hoje em sua composição cinematográfica um roteiro único, mas no qual ainda pulsam esses dois movimentos. O movimento “Da Vida para a Arte” percorre as oscilações do encontro amoroso de Anaïs Nin e Antonin Artaud. Um encontro permeado de um erotismo fantasmático, que permite o espelhamento do casal de atores Flavia Couto e Pedro Guilherme no momento atual, em que partilham a experiência de viver uma relação afetiva em meio ao confinamento de uma pandemia desgovernada. O segundo movimento “Da Arte para a Vida”, transpõe o abismo de um fim de encontro afetivo para os destroços de um país, ele dá um salto no tempo, transpassando e costurando tempos, entre uma Paris de 1933 numa efervescência do nazismo, imersa na mediocridade e uma São Paulo de 2021 asfixiada pela pandemia em um Brasil de bestas de verde-amarelo.
A versão cinematográfica da peça tem um roteiro único mas que flui como um rio entre dois movimentos, entre o ápice e a queda, entre luzes e trevas, entre tempos, entre abismos, entre um gozo e um luto. O encontro entre Anais e Artaud se reflete no do casal de atores Flavia e Pedro, a ficção invade a realidade, uma ficção composta a partir de vestígios deixados por artistas de outra época, mas que encontram sua cicatriz no momento atual. Os personagens e atores se contaminam, se misturam, construindo pontos de convergência entre textos, que conduzem o discurso da peça.
Criada em 2001 por formandos em Artes Cênicas na ECA-USP, a Cia. Provisório-Definitivo comemora 22 anos. Premiada em 2018, a Cia. representou o Brasil no Festival Damai Super Live em Chengdu, na China, com As Estrelas Cadentes Do Meu Céu São Feitas De Bombas Do Inimigo – duas indicações para o Prêmio Shell 2013 (Melhor Direção e Melhor Iluminação). Sua última montagem, (A) Dor (A), teve temporada no Teatro Itália-Bandeirantes em 2022 e circulação nos SESCS do interior em 2023. Antes, A(G)ora – O Ontem Que Me Fez Ser Hoje foi apresentada de forma on-line comemorando os vinte anos de grupo em 2021.
Ela prosseguiu nas comemorações com o solo O Desejo Do Outro, de Pedro Guilherme com atuação do mesmo, também exibida de forma on line. “Da desordem que não anda só” foi contemplada com o Prêmio Zé Renato de Teatro – 2015 e o Proac Circulação – 2017. O espetáculo Gangue foi o grande vencedor do Prêmio FEMSA em 2013, sendo premiado em três categorias (Melhor Espetáculo Jovem 2012, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante), Pelos Ares venceu o Prêmio de Melhor Peça Infantil no Cultura Inglesa Festival (2010); e Família Dragão foi indicada ao Prêmio FEMSA 2009 de Melhor Ator Coadjuvante.
Já Todo Bicho Tudo Pode Sendo O Bicho Que Se É ganhou o Prêmio Funarte Petrobrás para Montagem de Textos Inéditos e indicação ao Prêmio FEMSA 2007 de Melhor Autor – Pedro Guilherme. Seu espetáculo de estreia, Verdades, Canalhas, foi premiado em todos os festivais que participou. A Cia. tem na sua trajetória seis espetáculos adultos, cinco infantis e um espetáculo jovem. Participou de inúmeros festivais e projetos de circulação teatral.
2021 – O Amor e a Peste (experimento cênico online); 2020 – O Tablado Lírico de Hilda Hilst parte 2 – e O Tablado Lírico de Hilda Hilst parte 1- – Programação online da biblioteca Mário de Andrade; 2019 – Escrituras Desejantes – Abertura de Processo no Teatro Zanoni Ferrite em 17/08/2019 – São Paulo. ProAc Bolsa de Aprimoramento – Curso intensivo e residência no Théâtre Le Colombier com Roberta Carreri do Odin Teatret e Fabio Sforzini do Théâtre des Grands Chemins. Les Cabannes. França. 2019/2018/2017 Anais Nin à flor da Pele Direção: Aline Borsari. Festival MigrActions – no Théâtre de l’Opprimé – Paris. SESCs, Circulação em todos Centros Culturais Banco do Nordeste, Mostra Poéticas da Resistência. Esteve em Cartaz no Viga Espaço Cênico e na Oficina Cultural Oswald de Andrade na cidade de São Paulo e estreou em 2017 em Paris no Teatro Regard du Cygne. 2016 – Floema. De Hilda Hilst – Direção Donizeti Mazonas. Esteve em cartaz na Casa do Sol – Instituto Hilda Hilst e no Viga Espaço Cênico.
O “Núcleo do Desejo” é fundado por Flavia Couto (Foto acima) e tem a colaboração de diversos artistas como Antônio Januzelli, Pedro Guilherme, Donizeti Mazonas, Maria Fernanda Vomero, convidados para criação/pesquisa de projetos sobre o erotismo nas artes e buscando uma escrita da cena que foge do convencional, utilizando de diários, cartas, poesia e investigando a alquimias entre narrativas poéticas, políticas e estéticas audiovisuais, corporais na cena teatral.
Fundada em 2012 pela cineasta Marcela Lordy (Foto abaixo), a Cinematográfica Marcela é uma produtora de cinema, televisão e projetos multiplataforma de caráter cultural comprometidos com inovação de linguagem. A produtora consolida parcerias para realizar as obras de sua autoria. Ao longo dos últimos anos, foi coprodutora do curta ‘aluga-se’, com a bigBonsai e produtora associada do documentário ‘OUVIR O RIO: uma escultura sonora de Cildo Meireles’, do Instituto Itaú Cultural e Movie&art, ambos exibidos e premiados em festivais nacionais e internacionais. Também é coprodutora dos longas metragens de ficção ‘O Livro dos Prazeres’, com a bigBonsai e a Rizoma Films e ‘Aline’, com a Klaxon Cultura Audiovisual e a Kromaki.
A Distribuidora O2 Play é dirigida por Igor Kupstas sob a tutela de Paulo Morelli, sócio da O2 Filmes. A distribuidora faz parte do grupo O2, que também tem como sócios o cineasta Fernando Meirelles e a produtora Andrea Barata Ribeiro. Em atividade desde 2013, a O2 Play se diferencia das demais distribuidoras por trabalhar, além do cinema, TV e vendas internacionais, o VOD (Video on Demand) – licenciando conteúdo para além de 30 plataformas digitais.
Já foram mais de 80 filmes lançados em cinemas, entre títulos brasileiros premiados, como “Sócrates” e “Chorão – Marginal Alado”, e internacionais, em parceria com a Netflix, como “O Irlandês”, “Dois Papas”, “Não Olhe Para Cima”, “Bardo” e “Pinóquio por Guillermo Del Toro” – estes dois últimos indicados ao Oscar® 2023.
A lista de longas ainda inclui parcerias com a MUBI: “Annette”, que abriu o Festival de Cannes 2021 e conquistou o Prêmio de Melhor Direção, “Crimes of the Future”, que estreou no Festival de Cannes 2022, o vencedor do Oscar® 2022 de Melhor Filme Internacional “Drive My Car”, o vencedor do Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes 2022 “Holy Spider”, o indicado ao Oscar® 2023 de Melhor Ator “Aftersun” e o indicado ao Oscar® 2023 de Melhor Filme Internacional “Close”.
Mais informações no site da O2 Play.
Estreou em: 6/7/2023
Plataformas: Apple/ ITunes, Google Play/ Youtube Filmes, Vivo Play e Claro TV +
Duração: 61 minutos
Classificação: 14 anos
Ficha técnica:
Experimento cênico audiovisual realizado em sistema colaborativo
Concepção e roteiro: Flavia Couto e Pedro Guilherme
Direção: Marcela Lordy
Provocação de roteiro e cena:
Marcela Lordy e Vera Hamburger – Laboratório Fronteiras Permeáveis
Direção de arte e cenografia: Vera Hamburger
Figurinos: Maria D’Cajas
Ateliê e Acervo: D’ Cajas | vestuário cênico & taylormade
Visagismo – Flavia Couto, Maria D’Cajas e Pedro Guilherme
Direção de fotografia: Manoela Rabinovitch
Iluminação: Vinícius Andrade
Segunda câmera: Gabriela Bernd, Flavia Couto e Pedro Guilherme
Montagem: Gabriela Bernd
Trilha sonora : Edson Secco
Assistente de Edição de Som: Marcelo Machado
Som direto: Leo Grego
Assistência de iluminação e operação de projeção: Pablo Perosa
Assistência de produção: Paloma Dantas
Cenotécnicos: Fábio Lima, Pedro Augusto, Pedro Guilherme.
Texto Pandêmico João Paulo Charleaux
Finalização de som: Sonideria
Músicas: Os lagartos estão a espreita, O dia em que minha terra Sangrou, Asfalto, Chaise de mars, Tensão, Banheiro Nazista, Trovoada.
Transmissão: Gustavo Bricks
Produção executiva: Flavia Couto e Pedro Guilherme
Ficha técnica do experimento cênico online “O Amor e a Peste” – realizado na casa dos próprios atores entre fevereiro e abril de 2021
Direção, dramaturgia e atuação: Flavia Couto e Pedro Guilherme
Provocadores cênicos: Donizeti Mazonas e Maria Fernanda Vomero
Trilha sonora: Edson Secco
Figurinos: Maria D’Cajas
Colaboração em corpo cênico: Lara Dau Vieira
Operação de vídeo e som: Paula Arruda
Arte gráfica: Flavia Couto
Site Oficial:https://www.marcelalordy.com/
Instagram:https://www.instagram.com/marcela.lordy/
Vimeo:https://vimeo.com/marcelalordy
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