Fred Reis: MPB com sonoridade contemporânea.
O encontro justo e harmonioso da emoção com a técnica, da voz com os instrumentos e do repertório com a visão de mundo do intérprete, é a concepção que norteia o belo-horizontino Fred Reis desde que se reconheceu um artista da música. Essa intenção se realiza plenamente agora em “Ora Veja Só”, terceiro CD do cantor, que apresenta um intérprete maduro e um artista consciente de seus propósitos e de suas escolhas, desde a seleção do repertório à concepção sonora de cada uma de suas 11 faixas.
O disco tem como plataforma a MPB mas abre espaço a novas criações e sonoridades e foi totalmente concebido e realizado em estúdio, processo inverso ao de seus trabalhos anteriores, “Fred Reis” (2012) e “Tantas Esquinas” (2013), que são registros de shows realizados em Belo Horizonte. “É um trabalho que marca um novo momento na minha carreira”, diz o cantor, assinalando que a passagem do palco para o estúdio foi um processo que ocorreu sem sobressaltos e em momento apropriado. “A experiência no palco possibilita ao artista desenvolver e avaliar sua capacidade”.
Na produção de “Ora Veja Só”, Fred Reis buscou repertório não apenas nos autores que conhece e admira, mas também entre as novas gerações. Nessa pesquisa descobriu seis canções de origens e estilos distintos, mas totalmente afinadas ao seu estilo. Essa diversidade instigou o cantor a pesquisar sonoridades inéditas e conceber arranjos mais modernos e sofisticados. “Neste trabalho optei por uma estética mais contemporânea, sem, contudo, perder de vista minhas referências na MPB”, conta o artista.
Produzido por Felipe Fantoni e Márcio Brant, músicos da nova safra belo-horizontina, ‘’Ora Veja Só’’ apresenta três composições inéditas: a canção-título, de autoria de Gabriel Rocha, ‘’Marejado’’, de Lucas Avelar, e ‘’Picadeiro’’, de Marcos Ruffato, todos mineiros. A geração contemporânea é representada, ainda, por Lucas dos Anjos (“Eu Tento”), o paulistano Dani Black (“Miragem”) e os paranaenses João Felix e Bernardo Bravo (“Vem”). O repertório contempla também novas leituras para canções de autores consagrados da MPB, como Edu Lobo e Aldir Blanc (em “Ave Rara”), Toquinho e Vinicius (“Fogo Sobre Terra”) e os irmãos Lô e Márcio Borges (“Alunar”).
Uma variedade de estilos e tempos que foi moldada à sensibilidade e à técnica do artista, que participou de todo o processo de feitura do disco. “O trabalho foi feito de forma coletiva, com participação significativa de todos os músicos, desde a seleção do repertório aos arranjos, que foram basicamente criados no estúdio, durante as gravações, sob a coordenação dos produtores Felipe Fantoni e Márcio Brant”, destaca Fred.
Essa colaboração intensa dos instrumentistas possibilitou ao cantor algumas experimentações inéditas, como a inclusão de teclados eletrônicos no cardápio instrumental, num interessante diálogo com os sons tradicionais de violão, guitarra, baixo e percussão. O resultado é um impressionante amálgama da MPB tradicional com o pop brasileiro contemporâneo.
Algumas músicas têm até um tempero pop, caso de “Miragem” e “Marejado”. Já “Amores Possíveis” (João Nabyco e Totonho Villeroy) ganha um toque de jazz com tango, e “Vem”, é uma valsa que conta com arranjo para cordas, executado pelo Quarteto Barros. “Foi uma experiência muito instigante e significativa. O disco tem a minha cara, representa muito bem a minha visão atual da vida e da arte’’, define o artista.
Não há tema pré-definido ou assunto comum entre as canções de “Ora Veja Só”. O que orienta o disco é mesmo o gosto e o estilo de Fred Reis, sua maneira de perceber e interpretar cada letra e melodia. “Não sou interessado em malabarismos vocais”, ele adverte, assinalando que “a técnica da dinâmica de volume é um dos recursos que utiliza com mais frequência. Sem graduação teórica ou instrumental, Fred estuda técnica vocal há mais de 15 anos. “É importante manter essa prática, porque o canto é uma questão técnica e muscular, auxilia fundamentalmente a encontrar e dar suporte à expressão adequada”, explica.
Durante o ano de 2018 Fred Reis pretende dedicar-se à divulgação do CD “Ora Veja Só”. Já disponibilizou no Youtube o videoclipe da faixa “Marejado”, e em breve vai divulgar a agenda de shows para o primeiro semestre. O show “Ora Veja Só” contará com todas as músicas do disco e algumas outras composições que tenham conexão com este repertório. “É sempre uma experiência instigante, um desafio, levar essas músicas para o palco”, acredita.
Fred Reis descobriu seu gosto pela música ainda na infância, através dos discos de cantores como Ângela Maria e Roberto Carlos, que sua mãe ouvia. Na adolescência, desenvolveu seu interesse musical ao conhecer cantores mais refinados e que tinham mais afinidade com os arranjos e a execução instrumental, como Milton Nascimento e Elis Regina, até hoje suas grandes referências. Os Beatles, que na metade da carreira abandonaram os palcos para dedicarem-se exclusivamente à criação em estúdio, figuram como referências tardias, mas não menos importantes.
Incentivado por amigos e familiares, Fred começou a estudar técnica vocal na Babaya Escola de Canto, em 2001, onde participou de diversos projetos, entre os quais, Ensaio Aberto (2005), Palco Aberto (2007) e Construindo um Show (2009). Em 2008, produziu seu primeiro show: “Por Toda Minha Vida”, apresentado no Teatro da Biblioteca Pública Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.
No ano seguinte, dedicou-se ao repertório romântico da MPB, levado ao palcos no show “Alguma coisa chamada amor”. “Segue o Teu Destino”, apresentado em 2010, contemplava releituras de clássicos brasileiros: Tom Jobim, Chico Buarque e Roberto Carlos, além da música que dá título ao espetáculo, composição de Sueli Costa sobre poema de Fernando Pessoa.
Em 2012 lançou seu primeiro CD, “Fred Reis”, dividido entre uma seleção de clássicos do cancioneiro brasileiro, como “Basta um Dia” (Chico Buarque) e “Último Desejo” (Noel Rosa), e composições da nova geração mineira (“Onde Deus Possa me ouvir”, de Vander Lee, e “Faísca na medula”, de Kadu Vianna em parceria com Murilo Antunes). O CD conta com a participação especial do cantor e compositor Ladston do Nascimento na faixa “Corsário” (de João Bosco e Aldir Blanc.
“Tantas esquinas”, espetáculo produzido em 2013, em homenagem ao Clube da Esquina e aos compositores mineiros que foram influenciados por este movimento, resultou em um novo CD, lançado em 2015. Produzido pelos músicos Bruno De Marco e Pedro Estrela, “Tantas Esquinas” traz em seu repertório clássicos como “Paisagem da Janela” e “Clube da Esquina II”, algumas pérolas pouco conhecidas (“Não se Apague Esta Noite”, de Lô e Márcio Borges, e “Uma Canção”, de Lô Borges e Ronaldo Bastos, entre outras), além da inédita “Tantas Esquinas”, parceria de Fred Reis e Ladston do Nascimento. O CD conta com participações especiais da cantora Regina Milagres, do Trio Amaranto, e dos cantores e compositores Kadu Vianna e Ladston do Nascimento.
Em 2014, cantou ao lado de Regina Milagres e do músico Cláudio Faria, no show “Encontro”, apresentado no Teatro de Câmara Brasil Vallourec, em Belo Horizonte. Neste mesmo ano marcou presença no Festival de Encerramento do 2º Congresso UNIFEMM e da 2ª Virada Cultura de Sete Lagoas, com o show Coletânea MPB.
Iniciou a turnê “Eternidade e Momento” em junho de 2016, apresentando-se na Casa da Cultura de Sete Lagoas, em show com participação especial da cantora Gláucia Coutinho. Em Belo Horizonte, fez parte do projeto Música Itinerante. Participou em 2017 do Festival de Inverno/Primavera de Sete Lagoas com um pré-lançamento do CD “Ora Veja Só”.
Além disso, Fred já participou de diversos programas de TV e de Rádio, entre os quais o Jornal da Alterosa (na TV Alterosa), o programa Agenda (TV Minas) e Bazar Maravilha e Esquinas de Minas (Rádio Inconfidência).
Créditos das fotos: Diego Marques
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCnYBxG9qcR5SDzyrX_T23PA/featured
Da Redação by Cleo Oshiro
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