Luiz Pié: Cantor grava “Memória Afetiva”, seu primeiro CD. Pouco depois de se mudar para o Rio, em 2012, aos 24 anos, para continuar os estudos musicais, Luiz Pié foi a um show de Marcos Valle e Roberto Menescal e, pela primeira vez, fez contato ao vivo com a Bossa Nova. Encantado com a qualidade musical da dupla, Pié não se fez de rogado: ao final da apresentação se aproximou de Menescal e pediu para que o mestre produzisse uma gravação sua.
Dono de uma voz grave, de timbre aveludado, que entra macio nos ouvidos, Luiz Pié é cantor de formação jazzística, gênero pelo qual se apaixonou quando ainda era um adolescente. Dedicado, ganhou uma bolsa para freqüentar a Groove, escola de jazz em São Paulo por onde passaram nomes como Mariana Aydar, Criolo e Marina Lima, entre outros. Pedido feito, Menescal conheceu a voz do cantor e, claro, aceitou. Foram pro estúdio e de lá saíram com “Sabe Você” (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes).
Vamos retroceder para alguns anos antes na história do cantor. A música já era íntima de Pié, que a conhecia na voz de Caetano, seu primeiro ídolo, e o responsável por à MPB aos seus ouvidos quando fazia suas pesquisas musicais numa lan house do centro de São Paulo. Eram tempos difíceis em que o artista, logo após sair de um orfanato na cidade de Poá/ na Grande São Paulo, onde foi entregue com apenas 3 anos de idade e teve de sair ao completar 18 anos, trabalhava como lanterninha num dos cinemas da cidade e vivia com uma renda diária de apenas R$20 reais. Com esse dinheiro, Piê conseguia pagar a modesta pensão onde dormia e usava o resto para se alimentar e usar a internet.
Sem nunca abandonar a música, sua meta era usar o tempo disponível na lan hose para conhecer a vida e a obra de um artista por dia. Do site de Caetano, foi para o de Dorival Caymmi, dali para o de Nana, deste para o de Emílio Santiago, Lenine, Gilberto Gil, e assim por diante, incluindo Milton Nascimento, que logo depois veio a conhecer pessoalmente através de um amigo, o ator Diego Tresca, afilhado do consagrado cantor. Milton logo se interessou pelo talento daquele rapaz de voz doce e potente e o convidou para participar de ensaios e reuniões musicais. “Ele me ajudou muito a escolher o que eu queria ser. Foi nesses encontros musicais que confirmei minha vocação e decidi que seguiria a carreira de intérprete”, revela o artista sobre o duro período em que vivia de bicos, chegando até a morar na rua, fato que tentava esconder de todos na época. “Quase ninguém sabia, mas eu freqüentava a escola de jazz, as rodas de música, e quando acabava a fantasia eu voltava pra rua… isso durou uns três anos…”, relembra.
Ao retomar o contato com a família norte-americana que lhe presenteou com o primeiro violão, aos 12 anos, ainda no orfanato, Pié se mudou para o Rio, onde fixou residência e felizmente encontrou condições para se dedicar integralmente à música.
Com o resultado da gravação de “Sabe Você”, que agradou muito a ambos, e isso deu coragem a Pié para pedir que Menescal produzisse uma nova ida ao estúdio… depois uma outra… e então, outra… mais outra… e mais outra vez, assim por diante… O produtor foi aceitando e trabalhando o perfil de intérprete do cantor, de quem se tornou padrinho musical levando-o, inclusive, para uma turnê no Japão. Ao final de quase três anos de idas e vindas ao estúdio, eles perceberam que tinham nada menos que 10 músicas prontas, material suficiente para juntar num disco, que nasce agora. A música que empresta título ao CD, “Memória Afetiva”, inédita de Menescal com Paulinho Mendonça, foi gravada no final deste processo.
E para fechar seu primeiro trabalho com chave de ouro Pié convidou o amigo Milton para gravar “Pai Grande”, composta pelo próprio, coroando uma amizade que nasceu vários anos atrás, e que aponta para um futuro onde ‘nada será como antes, amanhã’.
Memória Afetiva (selo Fina Flor) é, portanto, o resultado de uma história de força, perseverança, superação pessoal, e de um profundo amor à música. Com 12 canções sob arranjos e regência do próprio Menescal, o CD de estréia de Luiz Pié passeia por clássicos da Bossa Nova que atravessam gerações e que estão, justamente, na memória afetiva de muita gente. Além das citadas acima, “O Bem e o Mal” (Danilo Caymmi / Dudu Falcão), “Fim de Caso” (Dolores Duran), “Último Desejo” (Noel Rosa), “Ciúmes” (Carlos Lyra), “Tristeza” (Niltinho / Haroldo Lobo), “A Volta” (Menescal /Bôscoli), “Dorme Profundo” (Marcos Valle / Pigarrilho), “Abajur Lilás” (Rosa Passos / Ivan Lins / Fernando de Oliveira), e “Manhã de Carnaval” (Luiz Bonfá / Antonio Maria) completam o repertório de um trabalho que representa uma entrega total e irrestrita a um sonho, apesar de quaisquer dificuldades.
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