Leila Maria: Cantora lança o álbum Holiday in Rio – Leila Maria canta Billie. Leila Maria é uma intérprete carioca, dona de uma voz marcante e aveludada, aliada à uma grande capacidade de improvisação adquirida com o jazz, ressaltando a importância de quando trabalhou com o maestro e clarinetista Paulo Moura, como cantora de sua banda. A cantora que subiu ao palco pela primeira vez aos 23 anos, quando optou por trancar sua faculdade de jornalismo, tem suas raízes em Madureira, berço de duas grandes escolas de samba cariocas, Portela e Império Serrano, tem em sua linda trajetória artística quatro álbuns lançados, e participações como convidada por Ed Motta, dividindo com ele uma faixa de seu CD jazzístico, Dwitza; participando também da coletânea Compasso Samba e Choro, lançada pela Biscoito Fino.
A cantora fez uma participação no filme “Como Esquecer” (2010/EH! Filmes), convidada pela diretora Malu De Martino. O filme estrelado por Ana Paula Arósio e Murilo Rosa, Leila Maria interpreta a canção de Cole Porter “Get Out of Town”. No álbum Holiday in Rio, a cantora interpreta Standards do jazz imortalizados por Billie Holiday, conquistando o Prêmio da Música de 2014 na categoria “Álbum em Língua Estrangeira”. O CD, lançado pelo selo carioca Biscoito Fino, teve participações de 45 músicos envolvidos, contando com vários nomes renomados como: Cristóvão Bastos, Delia Fischer, Itamar Assiére e Sheila Zagury entre outros. Há mais de dois anos, Leila Maria se apresenta com o trio Osmar Milito/ Piano, Pascoal Meirelles/bateria e Sérgio Barrozo/baixo no Bar Grand Prix, do Hotel Novo Mundo no Flamengo/RJ, todas as Terças-Feiras.
Infelizmente no Brasil muitos continuam sem saber que Leila Maria é uma cantora tão boa quanto as maravilhosas intérpretes norte-americanas de pop jazz. Seu primeiro CD – Da Cabeça aos Pés, foi gravado em 1997 e Leila Maria o considera um marco na sua carreira, afinal tinha uma profissão estável e a música era apenas um prazer que exercia, mas mesmo assim optou pela carreira musical. Nesse disco as escolhas das músicas foram todas suas (com exceção de uma) e das 14 composições, 7 são de sua autoria. Leila interpreta Caetano, Djavan, Jorge Mautner entre outros grandes compositores,
Quanto ao CD Off Key /Rob Digital, lançado em 2004, produzido e idealizado por José Milton, o CD reúne grandes Standards brasileiros com suas versões para o Inglês, que se tornaram famosas por grandes nomes do jazz como Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Sarah Vaughn. Com arranjos e o piano de Cristóvão Bastos, o álbum é hoje uma referência musical e está, desde 2005, sendo distribuído na Europa pelo selo alemão ZYX Music que também inclui algumas de suas faixas nas coletâneas que lançam, como a série intitulada Cafe Copacabana.
O CD Canções do Amor de Iguais/Deckdisc, 2007 foi um trabalho em parceria entre Leila Maria e o jornalista e crítico musical Antonio Carlos Miguel, onde ele definiu esse trabalho da seguinte maneira: “Parafraseando Gertrude Stein, ‘uma canção de amor é uma canção de amor é uma canção de amor’. Para qualquer tipo de paixão, sexo, gênero, número, grau… Como as desse disco, que também têm a peculiaridade de estarem conectadas ao universo gay: por suas letras, por terem sido adotadas por esse público ou pela opção de seus autores. Grandes canções que, na voz de Leila Maria, uma das maiores cantoras brasileiras, ganham elegantes roupagens de pop, jazz e sons eletrônicos. E, independentemente do tema, esse é um disco para apaixonados pela grande música”.
Já o mais recente e polêmico CD Holiday in Rio – Leila Maria canta Billie/ – Biscoito Fino, esse belo trabalho concebido e realizado de maneira independente por um empresário e grande fã da cantora e de Billie Holiday, onde decidiu homenagear a segunda e presentear a primeira, bem à maneira dos antigos mecenas.O empresário Pedro Lazera, dono de uma grande rede de farmácias paraense no Norte e Nordeste do país se encantou pela voz de Leila Maria e não poupou esforços para a realização do disco, mas com milhares de cópias para serem distribuídas nos locais de venda, o empresário é vítima de um enfarte vindo a falecer.
Leila se sentiu desolada, com os CDs prontos, mas sem poder distribui-los, mas como havia ganho algumas cópias ela as distribuiu e o idealizador do Prêmio da Música Brasileira, José Maurício Machiline, foi um dos presenteados, ficando encantado com o trabalho da cantora e decidiu inscreve-la no concurso na categoria de “Melhor Álbum em Língua Estrangeira”, e por incrível que pareça, mesmo sem o CD lançado ganhou o prêmio em 2014. O CD Holiday in Rio – Leila Maria canta Billie, ficou preso por quase 2 anos ao espólio do empresário devido a sua morte até ser liberado e finalmente chegou as lojas em dezembro (2015), mas a cantora não vive dos direitos autorais.
O disco que teve uma prensagem de 5 mil cópias e uma trajetória que mais parecia enredo de novela, além de reunir grandes nomes da cena musical brasileira, conta com a participação de um quarteto de cordas, tornando-se uma raridade num momento em que se prioriza o uso da tecnologia em detrimento de músicos reais.
A cantora conseguiu brasileirar 13 temas do repertório mais significativo da diva norte-americana do jazz, sem abusar de cacoetes da bossa nova, nessa homenagem aos 100 anos de Billie Holiday (1915-1959) que debutou em 1939 em musical da Broadway.
Leila participou em 2001, da coletânea Compasso Samba & Choro, pela Biscoito Fino em sua sexta edição. A série teve toda a sua gravação ao vivo durante shows realizados no Paço Imperial- Rio de Janeiro. Leila relêu o clássico Marambaia, famoso nas versões de Carmen Costa e Elis Regina, revelando o parentesco que o samba Me Deixa em Paz, de Monsueto, tem com o Blues.
Teve participação nos trabalhos de alguns dos grandes nomes da música brasileira, entre eles Ed Motta, cantor, multi- instrumentista, compositor e produtor, sendo convidada para dividir com ele uma das faixas de seu CD Dwitza (Universal) e também da temporada de shows em 2002 para lançá-lo no Rio de Janeiro. Nessa época, Ed Motta disse em entrevistas que considerava Leila Maria uma das maiores cantoras vivas do mundo”.
Participou da série de coletâneas Cafe Copacabana Vol. 2 lançadas a partir de 2005 pela ZYX Music, com faixas de Miúcha, Maria Bethânia e Bebel Gilberto entre outros. A faixa número 8, é a versão de Leila para Off Key (Desafinado).
Em 2006, a gravação de Dindi (Off Key/Rob Digital, 2004) foi incluída na trilha sonora “lounge” da novela Páginas da Vida/ Rede Globo, com a música tema dos personagens (Tônia Wernek) Sonia Braga e (Aristides Martins de Andrade-Tide) Tarcísio Meira.
No livro “Solistas Dissonantes – Uma história (oral) de cantoras negras”, do pesquisador paulista Ricardo Santhiago consta o depoimento de Leila Maria, ao lado de outras 12 cantoras. O livro, lançado em Outubro/2009, foi transformado em show em Março/ 2010 no SESC Pinheiros/SP, tendo uma versão reduzida apresentada na Modern Sound/RJ no mesmo ano.
“Posso até cantar um samba e canto mesmo – mas quando eu quiser cantar, não porque querem que eu cante”, situa Leila Maria em sentença lapidar do depoimento para o jornalista e historiador Ricardo Santhiago, autor do ótimo livro “Solistas Dissonantes – História (Oral) de Cantoras Negras”. Lançado neste mês de outubro, como resultado de um curioso trabalho de pesquisa desenvolvido pelo autor entre 2006 e 2009 para um trabalho de pós-graduação da USP, o livro traz à tona – através de relatos orais de 13 cantoras negras brasileiras – mágoas, devoções e crenças de excelentes intérpretes que desafiaram lei extraoficial do mercado fonográfico que confina solistas negras aos guetos do samba, do funk ou de qualquer outro ritmo enquadrado no rótulo “negro”.
A cantora sempre se apresentou dando um show de interpretação como em junho de 2011, no Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ), dentro do projeto Música no Solar, onde arquitetou um disco feito com o grupo liderado pelo pianista Tomás Improta. Essa foi a prévia do projeto – intitulado Leila Maria & Bandoo – onde a cantora se apresentou em shows pelo circuito carioca abusando da sua alta categoria vocal, conhecida pelos músicos que tiveram o privilégio de acompanha-la.
A abordagem dada por Leila e seu Bandoo a Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959 – com letra em inglês de Ray Gilbert) foi uma das coisas mais lindas, inclusive pelo arranjo arrebatador do conceituado músico Improta. Do início ao fim da apresentação, o que se ouvia era uma cantora em sintonia com seus músicos, cuja voz é um instrumento que interage prazerosamente o tempo todo com o piano de Improta, o sax de Chico Costa, o baixo de Rodrigo Ferreira e a bateria de Lúcio Vieira. As expressões de prazer da cantora enquanto interpreta em sintonia com os arranjos dos músicos demonstram que ninguém está mais seduzida pela música do que ela própria.
Leila Maria se apresenta ao lado dos músicos Osmar Milito (piano), Paschoal Meirelles (bateria) e Sergio Barrozo (contrabaixo)na happy hour do bar Grand Prix, no Hotel Novo Mundo (Praia do Flamengo, 20) entre 18h e 22h, e por incrível que pareça, sem cobrança de ingresso ou couvert artístico, interpretando canções de variados standards nacionais e estrangeiros.
A maestria e talento dessa cantora maravilhosa, com uma afinação e emissão perfeita, se revelando de maneira natural, sem nenhum esforço, faz com que Leila Maria interprete músicas gravadas por vozes icônicas como Billie Holiday e de Frank Sinatra (1915 – 1998) onde somente engrandece seu canto. Um canto jazzístico que merecia mais atenção do Brasil, ainda que Holiday in Rio jamais faça concessões ao Brasil, mesmo porque Leila canta como as grandes cantoras norte-americanas de jazz, num inglês tão perfeito que se não fosse pelo nome brasileiro, passaria facilmente por uma cantora americana. Leila canta jazz sem qualquer resquício de uma brasilidade, e talvez tenha ficado presa ao gênero musical que a destacou. Mas Leila Maria é brasileira, e só nos resta torcer para que o Brasil ouça com mais atenção, uma das suas cantoras mais talentosas existentes no país e ela quer cantar também no seu idioma, alcançar outros públicos, mesmo porque ela reconhece que a música brasileira é uma das mais ricas e criativas do mundo.
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