Shiga, Japão, 28 de março de 2026, Radio Shiga – A Missão Empresarial Primavera 2026 do Rio Grande do Sul ao Japão reuniu empresários gaúchos e representantes japoneses e nipo-brasileiros em um encontro especial no Infinity Hall (Villa Infinity), seguido de confraternização no restaurante Capricciosa, reforçando a cooperação econômica e cultural entre a Província de Shiga e o estado brasileiro, que celebram 45 anos de irmandade neste ano.

Chefiada por Mami Ueno, a delegação reúne empresários de diferentes setores e líderes empresariais interessados não apenas em fechar negócios, mas em compreender em profundidade a cultura corporativa japonesa, seus processos de gestão e a filosofia que sustenta o modelo de desenvolvimento local.
“O objetivo principal desta missão é construir uma ponte que vá além do business imediato, criando relações humanas de confiança, respeito e aprendizado mútuo entre o Rio Grande do Sul e a Província de Shiga”, afirmou Mami Ueno, chefe da delegação.
Segundo Ueno, a iniciativa nasceu a partir da demanda de empresários gaúchos que buscavam uma aproximação estruturada com o Japão, especialmente com Shiga, aproveitando a relação de co-irmandade firmada há mais de quatro décadas. Essa parceria histórica permitiu que o grupo tivesse acesso diferenciado a autoridades locais, empresas e propriedades rurais, algo que seria difícil de alcançar apenas por meio de contatos privados.

A delegação conta com representantes de setores como agronegócio, especialmente produtores de gado bovino, construção civil, indústria moveleira de Gramado e executivos de grandes corporações, além de profissionais interessados em processos industriais e gestão de qualidade. Para a chefe da missão, essas áreas têm alto potencial de sinergia com empresas de Shiga e de outras regiões do Japão, tanto na exportação de produtos quanto na troca de tecnologia e conhecimento de processos.
“Muitas possibilidades surgiram de forma natural durante as visitas. Mais do que fechar acordos imediatos, estamos criando as bases de confiança para parcerias de médio e longo prazo”, explicou Ueno.
A longa irmandade entre Rio Grande do Sul e Shiga tem se mostrado um ativo estratégico para a diplomacia econômica. Graças a essa relação, a missão foi recebida pelo governo da província e teve acesso a uma agenda densa de visitas técnicas, incluindo fazendas de gado, áreas de cultivo de arroz e indústria de saquê, além de encontros com lideranças locais. Essa abertura consolidou um primeiro passo importante para fortalecer a confiança mútua e aprofundar a cooperação.
Embora a delegação não tenha foco governamental, o grupo observa com atenção experiências japonesas que podem inspirar soluções para desafios gaúchos, especialmente após as enchentes de 2024. Em Shiga, a relação da população com o lago Biwa, marcada por respeito, cuidado com a água e gestão ambiental, chamou a atenção dos participantes e abriu espaço para reflexões sobre resiliência climática e prevenção de desastres no contexto da Lagoa dos Patos e de outras regiões vulneráveis no Rio Grande do Sul.
Para Mami Ueno, a prioridade neste estágio é consolidar relações, entender a mentalidade japonesa de negócios e preparar o terreno para futuras cooperações. Ela destaca que, ao contrário do estilo mais imediatista dos brasileiros, o modo japonês de negociar é mais gradual, observador e baseado em compromisso de longo prazo, o que exige paciência, escuta ativa e respeito aos tempos do parceiro.
“Antes de pensar em contratos, é preciso entender a mentalidade. A palavra dada e o compromisso assumido têm um peso enorme aqui. Construir confiança vem antes de qualquer resultado de negócio”, ressaltou a chefe da delegação.
Outro diferencial da Missão Primavera 2026 é o foco em formação e preparo prévio. Antes da viagem, o grupo participou de encontros de estudo sobre filosofia japonesa, cultura, etiqueta, artes e referências clássicas como Sun Tzu e Miyamoto Musashi, além de pensadores empresariais como Kazuo Inamori. A ideia foi oferecer uma base conceitual para que os empresários compreendessem melhor o contexto em que iriam atuar.
Durante a estadia, a delegação também tem buscado conhecer práticas de gestão como o Lean Manufacturing, bem como observar detalhes do atendimento japonês, a cordialidade, o senso de hospitalidade e a forma cuidadosa com que relações profissionais são construídas no país.
A comunidade nikkei do Rio Grande do Sul, embora numericamente pequena, exerce um papel simbólico importante na conectividade entre os dois lados do Pacífico. Eventos como o Festival do Japão no estado impressionaram representantes de Shiga em visitas anteriores ao Brasil, contribuindo para reforçar o interesse em aprofundar o intercâmbio cultural e econômico.
Na avaliação de Mami Ueno, a missão tem superado as expectativas iniciais. O que começou como uma iniciativa privada e de pequeno porte ganhou dimensão maior à medida que o governo de Shiga se envolveu na agenda, abrindo portas e demonstrando reconhecimento pela acolhida que recebeu no Rio Grande do Sul em visitas passadas.
“Estamos todos muito honrados com a forma como fomos recebidos em Shiga. Sentimos que há um sincero desejo de colaborar e de retribuir a parceria construída ao longo de mais de 45 anos de irmandade”, destacou Ueno.
A agenda da Missão Empresarial Primavera 2026 se estende até o início de abril, com passagens por Kyoto, Nara, Hamamatsu e Tóquio, permitindo à delegação comparar oportunidades em diferentes regiões e entender particularidades econômicas de cada área do Japão. Em Hamamatsu, por exemplo, a forte presença de brasileiros adiciona uma camada humana e cultural às relações, ampliando as possibilidades de conexão.
Para as empresas gaúchas que viajam pela primeira vez ao Japão, a principal recomendação da chefe da delegação é cultivar a disposição para aprender, observar e investir em relações de longo prazo. Segundo ela, o aprendizado sobre filosofia empresarial, cultura e etiqueta japonesa é tão importante quanto as reuniões de negócios em si.
Após o retorno ao Brasil, a missão pretende realizar uma análise detalhada dos contatos estabelecidos e mapear os interessados em avançar nas negociações. A ideia é oferecer suporte às empresas que identificaram oportunidades concretas, dar sequência às conversas iniciadas no Japão e estruturar novas viagens com grupos reduzidos, preservando o caráter personalizado da experiência.
Mami Ueno avalia que há espaço para futuras missões com o mesmo formato, mantendo grupos pequenos para garantir profundidade nas visitas e qualidade nas interações. A delegação se vê como uma ponte entre Rio Grande do Sul e Japão, com o objetivo de fortalecer relações econômicas, culturais e humanas que possam gerar valor para ambos os lados.
Em mensagem à comunidade nikkei no Japão, a chefe da missão destacou que o Brasil, apesar dos desafios, segue em processo de evolução e tem muito a contribuir na construção de um mundo mais equilibrado quando caminha ao lado de parceiros como o Japão. Ela reforçou a importância dos nipo-brasileiros como elos vivos dessa relação e expressou gratidão pela acolhida recebida durante a visita.
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