Lyon, França, 27 de março de 2026, Agence France-Presse (AFP) – Um tribunal francês condenou o cidadão chileno Nicolas Zepeda à prisão perpétua pelo assassinato de sua ex-namorada japonesa, Narumi Kurosaki. O crime ocorreu em 2016, quando a jovem de 21 anos, então estudante da Universidade de Tsukuba, no Japão, desapareceu enquanto realizava um intercâmbio em Besançon, no leste da França. A sentença foi proferida nesta quinta-feira (26) durante um novo julgamento ordenado pela corte superior do país, resultando em uma punição mais severa do que os 30 anos inicialmente solicitados pela promotoria.
Zepeda foi acusado de matar Kurosaki em seu dormitório estudantil e ocultar o corpo fora das instalações. Logo após o desaparecimento, ele retornou ao Chile, mas foi extraditado para a França em julho de 2020. Ao longo dos anos, o caso passou por diversas instâncias: em abril de 2022, ele foi condenado a 28 anos de prisão, sentença mantida por um tribunal de apelação em dezembro de 2023. Contudo, a mais alta corte francesa anulou a decisão de 2023 por questões processuais, determinando o reinício do julgamento em Lyon, ocorrido na última terça-feira (17).
“A sentença de prisão perpétua reflete o reconhecimento da provação excepcional suportada pela família da vítima ao longo de uma década.”
No momento em que o veredito foi anunciado, o réu de 35 anos cobriu o rosto com as mãos. Os familiares de Kurosaki, presentes no tribunal, abraçaram-se em silêncio com lágrimas nos olhos. O advogado da família declarou que a decisão não pode ser descrita como uma vitória ou conforto, mas ressaltou a importância do reconhecimento judicial sobre a gravidade do crime e o sofrimento imposto aos parentes da jovem.
“A defesa de Nicolas Zepeda mantém a alegação de inocência e planeja recorrer, afirmando que continuará lutando contra o que classifica como injustiça.”
A defesa do chileno insiste que buscará todos os meios legais para que a “verdade apareça”, sinalizando que o embate jurídico ainda terá novos capítulos. O corpo de Narumi Kurosaki nunca foi encontrado, o que tornou o caso um dos mais complexos da história jurídica francesa recente. A condenação à prisão perpétua é vista por especialistas como uma resposta contundente do sistema judiciário francês a crimes de feminicídio com contornos de premeditação e crueldade.
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