ONU denuncia massacre de 6 mil civis pelo RSF no Sudão

Relatório aponta crimes de guerra e possível crime contra a humanidade em ofensiva em Darfur

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Cartum, Sudão, 14 de fevereiro de 2026, AFP – O Escritório de Direitos Humanos da ONU revelou que pelo menos 6.000 civis foram mortos durante a ofensiva do grupo paramilitar Rapid Support Forces (RSF) contra a cidade de El Fasher, na região de Darfur, em outubro do ano passado. O número, segundo o relatório, é apenas uma estimativa mínima — a quantidade real de vítimas é “indiscutivelmente muito maior”.

O documento, baseado em mais de 140 entrevistas com sobreviventes, descreve execuções em massa, violência sexual e bloqueio deliberado de comida e água para detidos.

Os confrontos entre o Exército sudanês e o RSF começaram em abril de 2023, mergulhando o país em uma guerra devastadora. Em outubro, o RSF anunciou ter tomado o controle de El Fasher, um dos últimos redutos das forças governamentais em Darfur.

O relatório detalha que, nos três primeiros dias da ofensiva, milhares de civis foram mortos em ataques direcionados a áreas densamente povoadas, onde famílias buscavam abrigo. Entre os relatos, há casos de violência sexual cometida diante de parentes das vítimas, além de execuções sumárias e desaparecimentos forçados.

A ONU afirma que as atrocidades cometidas pelo RSF configuram crimes de guerra e possivelmente crimes contra a humanidade.

O Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, condenou a brutalidade da ofensiva e destacou que a impunidade histórica no Sudão alimenta ciclos contínuos de violência. Ele pediu que países interrompam imediatamente o fornecimento de armas e equipamentos militares às partes envolvidas no conflito e reforçou a necessidade urgente de um cessar-fogo.

A crise humanitária em Darfur continua a se agravar, com milhares de deslocados e relatos de fome, colapso de serviços básicos e ausência total de proteção para civis.

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