Editorial: Retórica agressiva da China expõe contradições diplomáticas

Críticas de Wang Yi ao Japão contrastam com expansão militar chinesa no Indo-Pacífico

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Munique, Baviera, Alemanha, 15 de fevereiro de 2026 – A retórica agressiva de Pequim e a realidade que ela tenta esconder. A fala do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, na Conferência de Segurança de Munique, não surpreende — mas revela, mais uma vez, a profundidade da contradição que marca a diplomacia chinesa contemporânea. Ao acusar o Japão de representar uma “tendência perigosa” na Ásia-Pacífico, Pequim tenta inverter a narrativa e transformar a vítima em agressor, enquanto expande silenciosamente — e às vezes nem tão silenciosamente — sua presença militar em toda a região.

A China critica Tóquio por mencionar a possibilidade de uma emergência em Taiwan, mas ignora o óbvio: é Pequim quem realiza incursões aéreas e navais quase diárias ao redor da ilha, quem declara abertamente que a “reunificação” será feita “por todos os meios necessários” e quem pressiona militarmente um território democrático e autônomo que jamais aceitou ser governado pelo Partido Comunista Chinês.

A retórica de Wang Yi sobre “fantasmas do militarismo japonês” seria apenas irônica se não fosse perigosa. Enquanto acusa o Japão de ambições coloniais, a China avança sobre as Ilhas Senkaku, envia embarcações da guarda costeira para águas japonesas e tenta, na prática, alterar o “status quo” por meio de intimidação. É difícil encontrar um exemplo mais claro de projeção diplomática: Pequim acusa o outro daquilo que ela mesma faz.

A estratégia é conhecida. A China tenta moldar a opinião internacional por meio de discursos inflamados, enquanto constrói bases militares, amplia frotas, pressiona vizinhos e desafia normas internacionais. O objetivo é simples: criar uma narrativa em que qualquer reação defensiva de países da região seja vista como provocação, enquanto a expansão chinesa é tratada como inevitável ou legítima.

Mas a comunidade internacional não pode se deixar enganar. O Indo-Pacífico vive hoje sob a sombra de uma potência que combina discurso agressivo, revisionismo histórico e ambições territoriais. E, diante disso, o Japão tem todo o direito — e a responsabilidade — de discutir cenários de segurança envolvendo Taiwan, as Senkaku e a estabilidade regional.

A verdadeira “tendência perigosa” não está em Tóquio. Está em Pequim, que tenta reescrever a história, intimidar vizinhos e impor sua visão de mundo pela força. O discurso de Wang Yi é apenas mais um capítulo dessa narrativa — e cabe ao mundo tratá-lo com o ceticismo que merece.

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