Konan, Shiga, Japão, 12 de fevereiro de 2026 – Elisabere Panssonatto Breternitz (*) – Em 18 de junho de 1908, o porto de Santos testemunhou um encontro entre mundos.
O navio Kasato Maru atracava trazendo 781 japoneses que carregavam poucas malas, muitos sonhos e uma coragem imensa.
Começava ali uma história feita de trabalho árduo, saudade e esperança, que se tornaria parte indissociável da memória brasileira.
Entre 1908 e 1963, cerca de 242 mil japoneses cruzaram o oceano rumo ao Brasil. O auge desse movimento ocorreu entre as décadas de 1920 e 1930.
Hoje, estima-se que quase dois milhões de brasileiros sejam descendentes desses imigrantes, formando a maior comunidade de origem japonesa fora do Japão.
São os nikkeis, em sua maioria já na terceira ou quarta geração, espalhados sobretudo por São Paulo e Paraná.
A imigração nasceu da necessidade. No Japão, o excesso de população rural e a pobreza empurravam famílias para o desconhecido. No Brasil, os cafezais clamavam por braços após o fim da imigração europeia subsidiada.
O que se seguiu foram anos de trabalho pesado, contratos injustos e desafios diários.
Ainda assim, muitos resistiram. Economizaram centavo por centavo, compraram pequenos lotes de terra e fincaram raízes em solo brasileiro.
Com o passar das décadas, os filhos deixaram o campo e seguiram para as cidades. Abriram pequenos comércios, prestaram serviços, investiram na educação como herança maior. Em silêncio e disciplina, construíram trajetórias exemplares.
Já nos anos 1950, mesmo sendo uma parcela mínima da população, destacavam-se pelo alto nível de escolaridade, gerando empreendimentos de grande porte, como a Jacto, a maior empresa brasileira de equipamentos para a agricultura, inclusive com filiais no exterior.
A partir do fim dos anos 1980, a história deu uma volta inesperada.
Muitos descendentes partiram para o Japão como dekasseguis, levando consigo uma identidade dividida entre dois países.
Entre partidas e retornos, permanece a história: uma memória coletiva marcada por trabalho, dignidade e pertencimento — um elo profundo entre Brasil e Japão.
Nossa homenagem a tantas famílias japonesas, em especial à família Fujii, que hoje faz parte da nossa.
(*) Elisabete Panssonatto Breternitz, Especialista em Língua Inglesa pela UNESP, é professora e membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí – AFLAJ. betenitz@gmail.com
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