China vira rota para driblar sanções e abastecer Rússia

Exportação de carros por canais paralelos expõe conivência chinesa com Moscou e fragilidade das sanções internacionais

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Pequim, China, 15 de fevereiro de 2026, Reuters – A China consolidou-se como o principal canal para a entrada de veículos estrangeiros no mercado russo por meio de esquemas paralelos que driblam sanções impostas após a invasão da Ucrânia. Dados de registro e relatos de comerciantes revelam que dezenas de milhares de carros — de marcas japonesas, europeias e sul-coreanas — chegam à Rússia através de intermediários chineses, apesar das restrições impostas por governos e montadoras.

A prática inclui a reclassificação de veículos novos como “usados de quilometragem zero”, permitindo que carros proibidos de serem vendidos na Rússia entrem no país sem aval das montadoras.

O fluxo envolve tanto veículos fabricados na própria China — onde diversas marcas internacionais mantêm joint ventures — quanto modelos produzidos em outros países e enviados ao território chinês antes de serem redirecionados a Moscou. A manobra permite que concessionárias russas atendam à demanda por marcas ocidentais, mesmo após a saída oficial dessas empresas do país.

Comerciantes chineses atuam como intermediários, registrando carros como vendidos na China para, em seguida, revendê-los como usados. O mecanismo, além de contornar sanções, infla artificialmente vendas internas, permitindo que fabricantes e revendedores chineses coletem subsídios e escoem excedentes de produção.

A ligação comercial reforça a percepção de que Pequim atua como parceiro estratégico de Moscou, oferecendo rotas alternativas para mitigar o impacto das sanções ocidentais.

Dados da consultoria russa Autostat mostram que veículos de marcas ocidentais fabricados ou reexportados via China já representam quase metade dos 130 mil carros vendidos na Rússia em 2025 provenientes de países que impõem sanções. Desde o início da guerra, mais de 700 mil veículos dessas marcas foram registrados no país.

Montadoras como Toyota, Mazda, Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen afirmam que proíbem exportações para a Rússia e tentam bloquear desvios, mas reconhecem que investigar violações é complexo e depende de terceiros. Especialistas em sanções afirmam que, diante da estrutura de intermediários chineses, é “quase impossível” impedir que produtos restritos cheguem ao mercado russo.

Enquanto isso, autoridades chinesas e russas evitam comentar o tema e reiteram oposição a sanções unilaterais, classificando-as como ilegais — uma posição que, na prática, abre espaço para que a China se torne o principal amortecedor econômico da Rússia.

A continuidade desse comércio paralelo evidencia a dificuldade de aplicar sanções de forma eficaz e reforça o papel da China como elo central na rede que mantém o fluxo de bens estratégicos para Moscou, apesar do isolamento internacional.

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