China ataca o Japão na Conferência de Segurança de Munique enquanto amplia militarização no Pacífico

Wang Yi critica Tóquio, mas ignora expansão militar chinesa e pressão sobre Taiwan e Senkaku

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Munique, Baviera, Alemanha, 15 de fevereiro de 2026, Xinhua – O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, voltou a atacar o Japão durante a Conferência de Segurança de Munique, acusando Tóquio de representar uma “tendência perigosa” na Ásia-Pacífico. As declarações, porém, contrastam com a postura cada vez mais agressiva de Pequim, que expande sua presença militar, pressiona Taiwan e intensifica incursões nas Ilhas Senkaku, administradas pelo Japão.

Wang afirmou que comentários da primeira-ministra japonesa Takaichi Sanae sobre um possível cenário de emergência em Taiwan “desafiam a soberania chinesa” e que “1,4 bilhão de chineses não podem aceitar isso”.

O chanceler chinês acusou o Japão de manter “ambições coloniais” sobre Taiwan e insinuou que o “fantasma do militarismo japonês” ainda persiste. No entanto, o discurso ignora que é a própria China que realiza exercícios militares quase diários ao redor de Taiwan, envia caças e navios de guerra para a região e declara abertamente que a ilha deve ser “reunificada”, inclusive pela força.

Além disso, Pequim tem aumentado a pressão sobre o Japão ao intensificar incursões de navios da guarda costeira chinesa nas águas das Ilhas Senkaku, em uma tentativa de alterar o “status quo” por meio de intimidação e presença militar constante.

A retórica chinesa contra o Japão contrasta com suas próprias ações expansionistas, que desafiam a ordem internacional e elevam o risco de conflito no Indo-Pacífico.

Wang afirmou que a China continuará a usar fóruns internacionais para criticar o Japão, repetindo uma estratégia diplomática que tenta isolar Tóquio enquanto Pequim amplia sua influência militar e política na região.

Para analistas, as declarações chinesas são parte de uma narrativa que busca deslegitimar a defesa japonesa, ao mesmo tempo em que a China fortalece sua capacidade militar, constrói bases, expande frotas e pressiona vizinhos — especialmente Taiwan, Filipinas e Japão.

A escalada verbal ocorre em um momento de crescente tensão no Indo-Pacífico, marcado por disputas territoriais, militarização acelerada e uma competição estratégica cada vez mais intensa.

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