Dubai, Emirados Árabes Unidos, 2 de janeiro de 2026, Associated Press (AP) – Manifestações motivadas pelo agravamento da crise econômica no Irã se espalharam nesta quinta-feira (1) para diversas províncias rurais, resultando em ao menos sete mortes — as primeiras fatalidades registradas entre manifestantes e forças de segurança desde o início dos protestos, segundo autoridades locais.
Os atos, que haviam perdido força na capital, Teerã, ganharam intensidade em outras regiões do país. As mortes ocorreram em quatro cidades, muitas delas habitadas majoritariamente pelo grupo étnico lur. As manifestações são consideradas as maiores desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini sob custódia policial desencadeou protestos nacionais.
A cidade de Azna, na província de Lorestan, registrou alguns dos episódios mais violentos. Vídeos publicados online mostram objetos em chamas nas ruas e sons de tiros enquanto pessoas gritavam “Vergonha! Vergonha!”.
Em Lordegan, na província de Chaharmahal e Bakhtiari, vídeos mostram manifestantes reunidos enquanto tiros ecoam ao fundo. Autoridades afirmaram que duas pessoas morreram nos confrontos de quinta-feira (1).
O Centro Abdorrahman Boroumand para Direitos Humanos no Irã, sediado em Washington, também relatou duas mortes em Lordegan, identificando as vítimas como manifestantes. A organização divulgou ainda a imagem de um policial iraniano usando colete e empunhando uma espingarda.
Em Fuladshahr, na província de Isfahan, a mídia estatal confirmou a morte de um homem, que grupos ativistas atribuem a disparos feitos pela polícia contra manifestantes.
Na quarta-feira (31), um voluntário da força paramilitar Basij, ligada à Guarda Revolucionária, também morreu durante um protesto. A agência IRNA informou que o jovem de 21 anos foi “martirizado” por manifestantes, segundo autoridades locais.
A cidade de Kouhdasht, também em Lorestan, registrou prisões após confrontos. Segundo o Ministério Público local, 20 pessoas foram detidas e a situação foi controlada.
A desvalorização acelerada do rial — com o dólar chegando a 1,4 milhão de riais — tem alimentado o descontentamento popular. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou estar disposto a dialogar com os manifestantes, mas reconheceu limitações diante da crise cambial.
A televisão estatal informou ainda a prisão de sete pessoas acusadas de ligação com grupos monarquistas e organizações sediadas na Europa. Em outra operação, autoridades apreenderam 100 pistolas contrabandeadas.
O governo declarou feriado em grande parte do país na quarta-feira (31), oficialmente devido ao frio intenso, mas analistas apontam que a medida buscou esvaziar as ruas da capital antes do fim de semana prolongado.
Os protestos, inicialmente motivados por questões econômicas, passaram a incluir críticas diretas à liderança do país. A instabilidade ocorre meses após um conflito de 12 dias entre Irã e Israel, que deixou o governo iraniano politicamente fragilizado.
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