Konan, Shiga, Japão, 31 de dezembro de 2025, Radio Shiga – O ano de 2026 desponta em um mundo que parece ter esquecido as lições mais básicas da liberdade. A expansão de regimes autoritários, a normalização da violência política e a erosão das instituições democráticas formam um cenário que exige vigilância permanente. Não se trata mais de prever riscos, mas de reconhecer que eles já estão entre nós.
A agressão russa contra a Ucrânia continua sendo o símbolo mais brutal dessa nova era. Moscou insiste em transformar a força militar em argumento diplomático, destruindo cidades, deslocando milhões e desafiando abertamente a ordem internacional. A comunidade global, fragmentada e hesitante, ainda não encontrou meios eficazes de conter um regime que opera sem limites morais.
Ao mesmo tempo, ditaduras consolidadas — China, Coreia do Norte, Cuba, Nicarágua e Venezuela — aprofundam práticas de repressão interna e exportam instabilidade. A Coreia do Norte avança em seu programa de mísseis e armas estratégicas, enquanto a China intensifica sua retórica militar e seus exercícios agressivos contra Taiwan, ameaçando diretamente a soberania da ilha e a estabilidade do Indo-Pacífico.
No Japão, a situação é igualmente preocupante. A nova administração de direita adota discursos que inquietam estrangeiros residentes, sugerindo um endurecimento das políticas migratórias e um ambiente social menos acolhedor. Ao mesmo tempo, o país enfrenta ameaças externas constantes: navios militares chineses invadem águas territoriais japonesas com frequência alarmante, enquanto Rússia e Coreia do Norte ampliam sua postura hostil na região.
A assertividade chinesa no Estreito de Taiwan é um dos maiores riscos geopolíticos do ano que começa. Os exercícios militares, a retórica agressiva e a pressão econômica configuram uma estratégia clara de intimidação. A ameaça não é apenas regional: é um ataque direto ao princípio de autodeterminação dos povos.
Na América Latina, regimes autoritários seguem sufocando liberdades civis. Cuba mantém seu aparato repressivo intacto; a Nicarágua persegue opositores e fecha instituições; a Venezuela aprofunda a crise humanitária e política. São governos que sobrevivem à custa da censura, da violência e da destruição de direitos básicos.
No Brasil, cresce a preocupação com o desequilíbrio institucional. Críticos apontam que decisões judiciais controversas e medidas consideradas abusivas alimentam a percepção de que há uma erosão do devido processo legal e dos direitos fundamentais. O debate sobre liberdade de expressão e garantias individuais se tornou central — e urgente.
O editorial que se impõe para 2026 é direto: o mundo precisa reagir.
Reagir ao autoritarismo crescente.
Reagir à violência política.
Reagir à normalização da censura.
Reagir à intimidação militar.
Reagir à corrosão silenciosa das liberdades.
A defesa da democracia não é um slogan — é uma responsabilidade histórica.
E 2026 será o ano em que essa responsabilidade será testada como nunca.
Se o mundo falhar, o autoritarismo não apenas avançará: ele se tornará a nova norma.
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