
Hong Kong suspende importação de carne brasileira. A gigantesca indústria de carnes do Brasil sofreu um duro golpe nesta terça-feira (21) quando Hong Kong tornou-se o mais recente a proibir as importações, em resposta a alegações de que carnes podres eram vendidas com certificados falsificados.
Hong Kong é um dos maiores mercados de carne brasileira, com importações na ordem de US $ 718 milhões em 2016, segundo dados do governo brasileiro.
O Centro de Segurança Alimentar de Hong Kong disse que suspendeu, temporariamente, a importação de carne congelada e refrigerada e de aves, “devido ao fato de que a qualidade da carne do Brasil está em questão”.
A decisão ocorreu depois de uma proibição similar da China, que é o maior mercado do maior do Brasil para a carne bovina e aviários em geral.
A Coréia do Sul, por sua vez, suspendeu, temporariamente, a distribuição de frango já importado do Brasil, depois que as autoridades realizaram inspeções de qualidade e confirmaram que nenhuma das aves contaminadas havia entrado no país.
Não há planos de fechar seu mercado para a carne brasileira, disse a embaixada sul-coreana em Brasília.
Mas a União Européia exigiu, anteriormente, uma parada nas exportações de quatro empresas envolvidas no escândalo, enquanto o Chile suspendeu todas as importações de carne, levando o Brasil a ameaçar medidas de retaliação contra seu parceiro comercial latino-americano.
O México emitiu sua própria proibição de importações de aves na terça-feira, dizendo que queria que o Brasil “mostrasse provas científicas e garantias do nível sanitário, qualidade e segurança” dos produtos.
A vizinha Argentina anunciou que está pronta para “um aumento ainda maior dos controles usuais (de qualidade)”.
O Japão, que é o terceiro maior mercado de frango do Brasil, com vendas na ordem de US $ 720 milhões, disse que não permitirá a importação de produtos das 21 empresas investigadas no Brasil.
E a Rússia, que depende fortemente das importações brasileiras desde a proibição das importações de alimentos dos EUA e da União Européia, disse que queria esclarecimentos do Brasil.
“Esperamos que mais de 30 países questionem o Brasil sobre essa questão”, disse o ministro brasileiro da Agricultura, Blairo Maggi, na segunda-feira.
VERGONHA NACIONAL
Autoridades brasileiras estão lutando para conter os danos, desde que a Polícia Federal anunciou os resultados de uma investigação de dois anos, na sexta-feira.
De acordo com a polícia, os inspetores de saúde foram subornados para certificar a carne não apta para consumo, enquanto aditivos foram usados para mascarar problemas no produto.
As exportações foram interrompidas para todas as 21 empresas processadoras de carne sob investigação, e pelo menos 30 pessoas foram presas.
Uma usina de processamento de aves, controlada pelo grupo multinacional BRF, e duas unidades de processamento de carne, operadas pela empresa local Peccin, foram fechadas.
O Brasil exporta carne para mais de 150 países, em 2016 a vendas de carne bovina e aves atingiram mais de US $ 10 bilhões.
As exportações de carne representam cerca de 7% das exportações e 0,7% do produto interno bruto, segundo a Capital Economics.
O jornal Folha de São Paulo informou que 21 das empresas de processamento de carne obrigadas a suspender as exportações enquanto são objeto de investigação, representam menos de um por cento do total das exportações brasileiras de carne.
No entanto, o prejuízo para a reputação da indústria pode ser de grande alcance, atingindo o Brasil em sua luta para sair da pior recessão da história.
O presidente Michel Temer, na terça-feira, considerou as quantidades envolvidas no escândalo “insignificante”, mas admitiu que havia sido “um embaraço”.
O escândalo também prejudicou as negociações para buscar um acordo de livre comércio entre a União Européia e vários países da América do Sul, incluindo o Brasil.
A França e outros países europeus estão receosos de abrir o mercado de carne da União Européia para países do bloco sul-americano “Mercosul”, que inclui os principais exportadores do Brasil e da Argentina. Paraguai e Uruguai são os outros membros.
A Autoridade Agroalimentar e Veterinária de Cingapura disse que a cidade não importa carne das fábricas de processamento afetadas no Brasil, uma vez que não foram aprovadas para comercializar no país.
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