Malaysia Airline, voo MH370, desaparecido em 08/03/2014: parentes das vítimas irritadas com o descaso sobre os destroços encontrados

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Graça Subathirai Nathan preocupa porque o mundo está começando a esquecer o avião desaparecido

Malaysia Airline, voo MH370, desaparecido em 08/03/2014: parentes das vítimas irritadas com o descaso sobre os destroços encontrados. Familiares dos passageiros do avião desaparecido da Malaysia Airlines, voo MH370, disseram à BBC que as autoridades da Malásia parecem estar ignorando possíveis novas evidências.

Duas viagens para Madagáscar, para recolher o que poderiam ser partes do avião, foram canceladas no último minuto, de acordo com o homem que os encontrou.

As potenciais pistas foram deixadas intactas durante semanas, sem perspectiva de serem recolhidas e examinadas.

“Evidências confiáveis estão sendo deixadas de lado, por que não estão investigando?” disse Graça Subathirai Nathan, à BBC.

Sua mãe, Anne Daisy, estava no voo MH370, quando este desapareceu em março de 2014.

“Desde o primeiro dia tivemos a noção de que eles queriam por um fim nisso, varrer para debaixo do tapete. Como potenciais evidências podem ser deixadas de lado por um mês? Está se tornando uma farsa.”

O norte-americano Blaine Gibson, vendeu a casa da família para financiar sua própria busca por partes do MH370. Tendo encontrado uma peça em Moçambique, que os investigadores dizem ser “quase que certamente” do avião, ele viajou para Madagascar, onde ele descobriu mais evidências em potencial.

Blaine disse que um investigador da Malásia iria para Madagascar, recuperar os destroços, em 16 de junho. Depois foi adiado para 21 de Junho. Foi agendada uma coletiva de imprensa, então a viagem foi cancelada, na última hora.

Blaine ainda ofereceu-se para levar o achado para a Malásia, por seus próprios meios, porém, disse que a oferta foi recusada.

Close up of the face of K S Narendran
Naren é um dos vários parentes que suspeitam que as autoridades da Malásia quererem daru um fim tranquilo à pesquisa

Grace não é a única familiar das vítimas do MH370 que está frustrada.

“Já passou quase um mês, mas a resposta da Malásia beira a indiferença”, disse K S Narendran, conhecido como Naren, à BBC.

“O ponto é, estas são peças de um quebra-cabeças, que colocadas juntas poderiam nos contar a história.” Naren perdeu sua esposa, Chandrika, no avião.

A razão oficial é que eles não têm dinheiro suficiente para a viagem, mas Naren suspeita de algo mais.

“Eu me pergunto se é apenas uma maneira de dar um fim tranquilo ao caso.”

O Conselho de Segurança dos Transportes australiano disse à BBC que: “A Austrália está conduzindo a pesquisa submarina do MH370, mas é a Malásia, como órgão de investigação, que detém a autoridade para coordenar o exame dos detritos.”

A BBC contactou ambas as autoridades, da Malásia e da Organização Internacional de Aviação Civil – ICAO, mas não foi capaz de obter uma resposta.

A visão de um investigador

As poucas peças do MH370 que surgiram até agora estão longe de nos dizer o porquê de o avião ter caído. Então por que é tão importante coletar mais?

“O exame pode revelar informações sobre como o avião caiu. Por exemplo, são todas as peças do lado esquerdo ou direito da aeronave?” disse Anne Evans, uma respeitada investigadora de acidente aéreos britânica, no ramo há 23 anos.

Ela disse à BBC que os detritos poderiam responder a outras perguntas também.

Close up of possible piece of MH370 debris found in Madagascar - June 2016
Uma das peças, que parece ser o painel de um assento, inclui uma parte com a inscrição “coat hook”

“A aeronave estava intacta quando bateu na água? Temos peças inteiras da fuselagem, dianteira ou traseira? Embora as informações recolhidas a partir desses itens seja extremamente limitada, dado seu pequeno número, a documentação e análise de todas as peças pode dar, ainda, algumas pistas”.

Famílias se tornando irritadas

É importante notar que esses achados de Madagascar podem não ter nada a ver com o MH370, embora vários especialistas com quem falei sugerem que há uma boa chance de, pelo menos, alguns serem do avião.

“Eu não entendo por que eles não vão dar uma olhada nisso”, disse Naren. “Eu entendo que membros da minha família não votarão, mas isso não tirar a minha necessidade de saber. Eu me pergunto se as famílias tornaram-se uma reflexão tardia ou uma irritação.”

Grace, que dirige um grupo de apoio para as famílias, diz que eles têm tentado levantar a questão em outros lugares.

“Temos escrito à ICAO [Organização Internacional de Aviação Civil – o órgão das Nações Unidas encarregado da aviação], mas eles não respondem. Os malaios nos evitam”.

“Nós não temos absolutamente nenhuma comunicação com os investigadores. Ainda não sabemos o que eles encontraram na análise do flaperon [a primeira peça encontrada do MH370].”

Eles também estão chateados com o governo da Malásia que disse, recentemente, que os possíveis destroços encontrados em Madagascar nada tem a ver com o avião. “Como eles sabem” disse Grace, “sem examiná-los?”


Onde foram encontrados detritos do MH370, confirmados ou suspeitos.

Photo composite of MH370-linked debris

1. Uma seção de asa chamada de flaperon, encontrada na Ilha Reunion, em julho de 2015 – confirmado como detrito do MH370 em setembro 2015
2. Estabilizador horizontal da seção da cauda, encontrado entre Moçambique e Madagascar em dezembro de 2015
3. Painel Estabilizador com a inscrição “No Step”, encontrado em Moçambique em fevereiro 2016
4. Carenagem do motor com o logotipo Rolls-Royce, encontrada em Março de 2016, em Mossel Bay, África do Sul.

Comparison of item recovered in Mauritius with MAB Boeing 777 Door R1 panel assembly

5. Fragmento do painel da porta interior encontrado na Ilha Rodrigues, Ihas Mauricio, em março 2016

Piece of possible MH370 debris found in Madagascar in June 2016

6. Fragmentos, incluindo o que parece ser uma estrutura do assento, um gancho para casaco e outros painéis encontrados na ilha de Nosy Boraha, no nordeste de Madagascar.


Grace e Naren apoiam a procura cara, complexa e perigosa no mar, agora, passando um “pente fino” no fundo do oceano, a seis de viagem da Austrália. Mas isso pode se dissolver em questão de semanas ou meses.

Se não houver novas pitas, os governos da Malásia e da Austrália disseram que vão finalizar as buscas.

É por isso que as famílias querem que a busca seja estendida, para as praias do outro lado do Oceano Índico, onde mais de dois anos depois, as únicas pistas sólidas para todo este mistério estão aparecendo.

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