Sanções norte-americanas contra o líder da Coréia do Norte por abusos de direitos humanos. Pela primeira, nesta quarta-feira, os Estados Unidos emitem sanções contra o líder norte-coreano, Kim Jong Un, por “notórios abusos contra os direitos humanos”, em um movimento que diplomatas dizem, irá pressionar o país contra armas nucleares.
As primeira sanções a atingir um líder norte-coreado por abusos contra os direitos humanos, afeta a propriedade e outros bens dentro da jurisdição dos EUA, e estende-se a outros 10 indivíduos, cinco ministérios e departamentos governamentais, disse em um comunicado o Departamento de Tesouro dos EUA.
As sanções colocam os funcionários em uma lista negra tornando-os proibidos de utilizarem instituições financeiras e empresas, enquanto congelam quaisquer ativos que possam ter em bancos nos EUA.
“Sob o comando de Kim Jong Un, a Coreia do Norte continua a infligir crueldades intoleráveis e sofrimento a milhões de pessoas de seu próprio povo, incluindo execuções extrajudiciais, trabalho forçado e tortura”, dise o subsecretário de Terrorismo e Inteligência Financeira, Adam J. Szubin, em um comunidado.
Na Coreia do Norte, o líder é sujeito a adulações pelo Estado e considerado infalível.
Em um relatório do Departamento de Estado dos EUA ao Congresso, Kim Jong Un encabeçou uma lista dos responsáveis por graves violações dos direitos humanos e censura na Coreia do Norte. Muitos dos abusos acontecem em campos de prisioneiros políticos, que mantém entre 80.000 a 120.000 prisioneiros, incluindo crianças, segundo o relatório.
A declaração do Tesouro disse que “o governo da Coréia do Norte ou o partido dos trabalhadores, são responsáveis ou facilitam os abusos ou violam os direitos humanos.”
As sanções também declaram que funcionários de nível inferior, como Choe Pu Il, o ministro da Segurança do Povo, são diretamente responsáveis pelos abusos.
Altos funcionários da administração dos EUA disseram que as novas sanções demonstram maior foco do governo nos direitos humanos na Coreia do Norte, que durante muito tempo foram relegados a segundo plano, para deter o programa nuclear de Pyongyang.
O relatório foi “o mais abrangente” a nomear funcionários individuais, norte-coreanos, envolvidos em trabalhos forçados e repreensão.
Eles disseram que as descobertas foram baseadas em um relatório anterior das Nações Unidas e grupos da sociedade civil e governo sul-coreano.
Disseram, também, que as sanções seriam, em parte, “simbólica”, mas esperam que a nomeação de funcionários de nível médio possam fazer com que oficiais “pensem duas vezes” antes de se envolver em casos de abusos.
“A sanção levanta o anonimato”, disse um alto funcionário do governo.
A missão da Coreia do Norte nas Nações Unidas não responderam a um pedido de comentário.
Mais sanções virão
Usar sanções contra um chefe de Estado não é sem precedentes. Em 2011, os Estados Unidos sancionaram o presidente sírio, Bashar al-Assad e outros seis altos funcionários pelo seu papel na violência da Síria. O ex-líder líbio, Muammar Gaddafi, também foi sancionado.
Os formuladores de políticas, muitas vezes, se preocupam que focando o líder de um país destruirá qualquer chance de reaproximação. É um sinal de que “provavelmente não há muita esperança para uma solução diplomática”, disse Zachary Goldman, um ex-assessor de política do Departamento de Terrorismo e Inteligência Financeira do Tesouro dos EUA.
Peter Harrell, um ex-oficial do Departamento de Estado, disse que as medidas seriam um sinal para as empresas chinesas, bem como outros que fazem negócios com a Coreia do Norte, visto que os EUA continuariam a escalada de sanções.
Harrell acrescentou que é improvável que qualquer outro ativo seja bloqueado “dado os locais onde Kim Jong Un e seus comparsas, provavelmente, esconderam seus bens.”
Em março, o presidente dos EUA, Barack Obama, impôs novas sanções à Coréia do Norte depois que esta realizou seu quarto teste nuclear e o lançamento de um foguete, que os EUA e seus aliados disseram ter utilizado de tecnologia de mísseis balísticos, proibidos pela Nações Unidas.
Estas sanções congelaram todas as propriedade do governo norte-coreano nos Estados Unidos e as exportações de bens dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, foram, essencialmente, proibidas.
Em março, o Conselho de Segurança da ONU impôs novas e duras sanções contra o país, em resposta a seus testes nucleares e lançamento de mísseis.
A Assembléia Geral da ONU exortou o Conselho de Segurança a processar a Coreia do Norte ao Tribunal Penal Internacional, depois que, em 2014, a Comissão da ONU de Violações dos Direitos Humanos, fez um amplo e detalhado relatório no país. No entanto, diplomatas dizem que a China, vizinha da Coreia do Norte, provavelmente, irá vetar qualquer movimento.
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