Gilbert: O talento extraordinário de um grande artista. Nas veias de Abraham Gilbert Stein corre um pouco do sangue de vários povos: ele nasceu no Cairo – Egito – às 6h de 20 de dezembro de 1947, em pleno ramadã, no mesmo ano em que a ONU aprovava a criação do Estado de Israel, filho de um jornalista austríaco e de mãe síria. Muito cedo, Gilbert teve de deixar o Egito. Tinha então 10 anos quando sua família foi de navio até Marselha e de trem para Paris, afugentada pela crescente crise do governo egípcio de Gamal Abdel Nasser. Ainda pequeno, em 1957, Gilbert já estava apaixonado pela música. Esse amor cresceria ainda mais nos sete anos seguintes, anos em que a família Stein viveria dividida entre a França e o Brasil, devido aos trabalhos do pai. Só veio morar definitivamente no Brasil em 1964.

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Foi nesse ano que a paixão musical foi mais longe, e ele começou a estudar violão. Embora músico nato e virtuoso, acabava sempre se destacando por sua bela voz e seu timbre especialmente notável. Foi assim, quase sem querer, cantando numa festa em São Paulo, que Gilbert foi convidado para fazer seu primeiro teste. Um ano depois, em 1965, ele gravava sua primeira canção, “Ce Soir” (Esta Noite), pela Fermata. Aquela linda voz agora também era notada pelas estrelas da época: Gilbert foi imediatamente aceito entre a ‘unânime’ Jovem Guarda. Os discos começaram a vender muito. O romantismo francês agradou em cheio aos brasileiros. No ano seguinte ele seria convidado para lançar mais um disco. E foi graças a esse disco que em 1968, com 21 anos, gravou “F… Comme Femme”, canção que se tornaria um dos maiores fenômenos musicais de todos os tempos. “F… Comme Femme” também entraria para a história da TV brasileira. Foi a primeira música a virar tema de amor de personagens de novela. “F… Comme Femme…” virou a canção dos mocinhos Beto (Luiz Gustavo) e Renata (Beth Mendes), na novela “Beto Rockfeller”, da extinta TV Tupi.

O sucesso beirou o inacreditável. Discos da “música do Beto e da Renata” eram empilhados por metro nas lojas do país. As pilhas eram repostas quase que diariamente. A canção esteve na lista das 50 músicas mais tocadas no país durante quatro anos. Não houve um só programa da TV em que o ‘francês’ Gilbert – como era chamado – não tenha se apresentado. Silvio Santos, Chacrinha, Bolinha, Hebe Camargo, Airton e Lolita Rodrigues, Flavio Cavalcanti, “Os Trapalhões”, “Topo Gigio”, “Fantástico”, “TV Mulher”, Globo de Ouro, … todos… todos ouviram Gilbert. DA MÚSICA PARA A TELONA A carreira de Gilbert começou pelo cinema, cantando o tema do filme “Emmanuelle”, em 1971. No mesmo ano, foi transformado em galã pelo autor de novelas Geraldo Vietri na TV Tupi. O ‘francês’ se tornava o ator principal de “A Fábrica”, em que contracenava com Aracy Balabanian (que interpretou a mocinha Isabel) e Juca de Oliveira. A seguir, também em “O Machão”; depois viria “Ídolo de Pano” e, mais tarde, “Meu Rico Português”.1238174_1404990529730242_2066131811_n

Mas Gilbert nunca abandonaria seu primeiro grande amor, a música. Ainda em meados dos anos 70 emplacaria mais um sucesso no hit parade, a música de sua própria autoria “Sans Amour”, tema da novela “A Viagem”, de Ivani Ribeiro, psicografada por Chico Xavier. Inovador, Gilbert também participou do 1º Festival Internacional da Canção, fazendo uma inusitada parceria com… Tom Zé, na música “Teca Estela”. Venceria mais tarde o famoso Festival de Parque Del Plata, no Uruguai, com sua música “Perdoname”. Gilbert, esteve de volta às telas em “Esperança”. Seu personagem, Ezequiel, patriarca de uma família judaica, pai de Camille (Ana Paula Arósio) e marido de Tzipora (Eliana Guttman), na verdade contou um pouco de sua própria saga. Para completar , foi o primeiro artista a gravar uma abertura de novela em hebraico, ao lado de Laura Pausini e Alejandro Sanz para a Rede Globo. “Este papel foi um presente que o Benedito Ruy Barbosa me deu”, diz ele. Sobre a volta como ator, após três décadas, Gilbert sentiu-se muito seguro: “Foi como andar de bicicleta de novo. Você pode ficar anos sem andar, mas sempre vai saber.” Em 2005, participou da minissérie “Mad Maria” (Rede Globo) como o português alcoólatra Antonio, pai da personagem Maria, vivida pela atriz Priscila Fantin. Em seguida, foi convidado pelo diretor Herval Rossano para viver o personagem de um promotor público nos últimos capítulos da novela “A Escrava Isaura” da TV Record para acusar as personagens Helena e Isaura, cenas estas decisivas para a trama. Multimídia, também se tornou locutor, produtor musical e apresentador com o Programa “Chansons D’Amour”, de músicas francesas no país, que era apresentado aos sábados E o Programa “Primeira Classe”, que reunia o que há de melhor na canção internacional.

11082246_1636709109891715_714419750280435372_oOs programas foram apresentados durante duas décadas nas rádios Scalla FM, na qual assumiu a direção geral das rádios em São Paulo e Brasília, e Guaíba FM/RS. Recebeu a Medalha de Ouro do Turismo da França das mãos do Ministro francês pela divulgação da França no Brasil, este ano recebido pelo jogador Raí. Em agosto de 2005 Gilbert, o mais importante intérprete da canção francesa no Brasil, recebeu o troféu “C’est Si Bon 2005”. O prêmio foi entregue pelo Cônsul geral da França, em reconhecimento do artista pela contribuição na divulgação da cultura francesa em terras brasileiras há mais de 40 anos. Teve a indicação para a “Legion d’Honneur”, a mais importante condecoração francesa.

Convidado pela TV Record, Gilbert atuou na novela “Cidadão Brasileiro”, de 13 de março e 20 de novembro de 2006 como o personagem Edouard Girard, um empresário bem sucedido na construção de Brasília. Atuou como um Promotor na Novela A Escrava Isaura produzida pela Rede Record e exibida de 18 de outubro de 2004 a 29 de abril de 2005, no horário das 19h30 … Na Rede Globo participou no elenco de apoio da Novela Cama de Gato exibida entre 5 de outubro de 2009 e 10 de abril de 2010, no papel de um Juiz. O cantor Gilbert, é grande intérprete da canção francesa no Brasil, foi homenageado com o título de Chevalier pelo presidente Nicolas Sarkozy. A condecoração, entregue via ministério da Cultura francês, faz parte da Ordem das Artes e das Letras da França e é concedida em reconhecimento aos relevantes serviços culturais prestados ao país. Cantor, ator e radialista com mais de quatro décadas de dedicação à canção daquele país, Gilbert se iguala agora a artistas como Bob Dylan, George Clooney, Clint Eastwood, Michael Caine e Roger Moore e outros condecorados pelo governo francês. Atualmente está com um programa chamado “À La Page”, que traz as atualidades sobre a França e vai ao ar diariamente na Alpha FM 101,7, Rádio Bandeirantes FM 90,9 e AM 840 e o Programa Chansons D’amour na Rádio Bandeirantes 90,9 FM.

Radio Shiga by Cleo Oshiro

Cleo Oshiro
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