Joelma: A trajetória de uma grande cantora que marcou época. Joelma Giro Montanaro nasceu em 19 de setembro de 1944 na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. Filha do casal Gabriel Giro e Zulmira Fioretti, a caçula de 7 irmãos, quando tinha poucos meses de nascida, sua família migrou para a cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, onde iniciou sua carreira.

1510610_306469059556253_3928319651690425552_n

Aos 6 anos de idade foi ouvida por seus pais cantando o samba-canção “Violão” (autoria de Vitorino Júnior e Wilson Ferreira) do cantor Onéssimo Gomes, que ficaram encantados com tão precoce talento da filha. A partir daí Joelma nunca mais parou de cantar.

Aos 12 anos de idade já era cantora mirim da Rádio Difusora de Duque de Caxias e, apresentava pela emissora um Programa aos sábados a tarde e outro aos domingos pela manhã, nos quais defendia canções de sucesso da época de artistas como: Ângela Maria, Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto, entre outros.image-0001

Ganhou todos os Concursos promovidos pela Rádio Difusora de Caxias, tornando-se ‘hors concours’ e, culminou sendo eleita a Melhor Cantora do Estado do Rio de Janeiro.

Participando da festa de aniversário da Rádio de Caxias, que coincidiu com o aniversário da cantora Emilinha Borba, presente na comemoração, Joelma apresentou-se cantando “Chão de estrelas” (autoria de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa) dedicando o número a anfitriã Emilinha e, ganhou as graças da eterna Rainha do Rádio e Favorita da Marinha, na época uma das cantoras mais populares do Brasil. Emilinha gostou tanto da menina Joelma que a convidou para cantar em seu programa na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Ao chegar na Rádio Nacional não pôde se apresentar no programa de Emilinha que não recebia amadores, foi então apresentada pela ‘madrinha artística’ aos principais apresentadores de programas de auditório especializados em calouros na época, como: Paulo Gracindo, Renato Murce e Édimo do Vale.

12004693_952043074834927_5553843525089685245_nEstreou no programa “Papel Carbono”, de Renato Murce, cantando com arranjo do Maestro Chiquinho de Moraes a música “Foi Deus” (autoria de Alberto Janes e S. Manuel), sucesso de
Ângela Maria, seu grande ídolo. Passou a participar frequentemente do “Papel Carbono” interpretando sucessos de Ângela Maria, Marlene, Heleninha Costa e outros. Ainda na Nacional participou como amadora do programa de César de Alencar e como caloura do programa “Absolvido ou Condenado” de Paulo Gracindo.

Desafiou-se a cantar no polêmico programa do compositor Ary Barroso, famoso por várias composições, dentre as quais, “Aquarela do Brasil”. Conhecendo o temperamento e exigência do compositor, Joelma escolheu defender justamente uma música de autoria dele – “Risque”. Com medo de ser ‘gongada’ pelo autor, decidiu se apresentar usando o pseudônimo de Linda Maria. Não foi gongada, mas recebeu de Ary uma advertência por ter errado a letra trocando duas palavras, pois havia aprendido a letra errada na Revista Modinha. Cantou também no auditório da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, no programa de Aérton Perlingeiro, outro comunicador conhecido por sua exigência que a aprovou com louvor em sua magnífica interpretação de “Donde estarás mi vida”, sucesso do garoto espanhol Joselito.11933384_910998352283246_4970790905319573393_n

Foi levada por Renato Murce a um programa de calouros por ele apresentado na TV que, em mais de 2 meses no ar, não tinha tido até então nenhum participante que atingisse os 25 pontos necessários para ser contemplado. Joelma alcançou essa pontuação recebendo a nota máxima dos cinco jurados. Foi premiada com uma viagem à Recife ao lado de cantores de cartaz da época, como Dalva de Oliveira, Dóris Monteiro, Pery Ribeiro, Miltinho, etc. Depois disso, chegou a excursionar pelo Brasil em caravanas da Rádio Nacional acompanhando Domício Costa, Eliana, Adelaide Chiozzo e Renato Murce.

O amigo Alberto Soares, apresentador do programa “Marlene, meu bem” nos tempos da Rádio Difusora de Caxias, a quem Joelma auxiliava selecionando cartas com pedidos musicais dos ouvintes, foi quem a levou para o disco. Em 1962, através de Alberto, na época trabalhando como divulgador do selo Chantecler, foi contratada por José Xavier, então diretor artístico da gravadora, mas, como ainda era menor de idade, quem assinou o contrato foi o seu irmão mais velho, Joel.

483089_422149414501478_37093968_nApenas um ano depois registrou a primeira gravação com o bolero “Incompreendida” (autoria de José Antônio e Leonel Cruz), com arranjos do Maestro Chiquinho de Moraes. Nessa primeira gravação é nítida a influência de Ângela Maria em sua interpretação. Esse primeiro disco foi lançado em 78 rotações, porém nessa época esse formato de disco estava deixando de ser fabricado no Brasil, por isso pouco depois de lançado o disco acabou tendo que sair da praça e teve pouca repercussão.

Em 1964 lançou o segundo disco com a música “Se chover, não faz mal”, fox de Bidú Reis e Almeida Rego, novamente com arranjos do Maestro Chiquinho. Chegou a se apresentar cantando essa música no auditório da Rádio Nacional com um guarda-chuva na mão em pleno sol de 40º graus do Rio de Janeiro.

Apesar da boa repercussão de “Se chover, não faz mal”, ainda não foi um estouro. Somente em 1965 o sucesso aconteceu com o terceiro disco – “Não diga nada” (versão de Paulo Queiróz para ‘Don’t make me over’, de Burt Bacharach), gravada originalmente pela cantora americana Dionne Warwick. A gravação de Joelma, com arranjo do Maestro Willy Join, foi feita nos moldes da versão italiana da mesma música, registrada por Ornella Vanoni como ‘Non dirmi niente’.283104_422148187834934_1474235068_n

A música “Não diga nada” rapidamente alcançou o topo das paradas de sucesso em todo o país, ficando meses entre os primeiros lugares, dando as credenciais para Joelma participar
de todos os principais programas de TV da época. Em paralelo a carreira artística cursava o Magistério e já lecionava desde o Ginásio, mas com o grande sucesso alcançado nesta época, optou pela música.

Em Agosto de 1965 trocou definitivamente a cidade de Duque de Caxias por São Paulo. No ano seguinte emplacou o segundo sucesso com o lançamento do compacto “Perdidamente te
amarei” (versão de Gláucia Prado para o original ‘T’amo e t’amerò’ do italiano Little Tony). Ainda em 1966 lançou o primeiro LP, intitulado “Joelma”, com arranjos do Maestro Willy Join, do qual despontou com as músicas: “Onde estás” (Mon credo), “Não te quero mais” (Non, tu ne m’aimes plus), “Finalmente liberdade” (Finalmente libera), “Acredito que te amo” (Ho capito che ti amo) e “Furacão” (Thunderball).

No decorrer de 1967 teve suas músicas lançadas com boa repercussão em Portugal, pelo selo Alvorada. Com os sucessos do primeiro LP no auge, nesse ano apenas lançou compactos.

150849_214090035460823_1403299302_nEm 1968 veio o segundo LP: “Joelma, Muito Mais” marcado por relativos sucessos, como: “Tem que ser ele” (It must be him) e “Silêncio” (de Sérgio Odilon), porém no final desse ano
emplacou com “Aqueles tempos” (versão de Fred Jorge para ‘Those were the days’, da inglesa Mary Hopkin), lançada inicialmente em compacto, estourou no final de 68 e atravessou o ano seguinte inteiro nas paradas, tornando-se o maior êxito de sua trajetória.

O terceiro LP lançado em 1969, trazia “La Maritza”, versão do sucesso da francesa Sylvie Vartan, o grande sucesso “Aqueles tempos” que estava no auge e outras versões de Fred Jorge, como “Comecei uma brincadeira” (I started a Joke), dos Bee Gees e “Casatschok”, do alemão Boris Rubaschkin, que deu título ao disco.

Quando assistiu ao clássico filme “Love Story” (de Arthur Hiller) no cinema, apaixonou-se pela canção “For me alone”, um dos temas da película e decidiu gravar uma adaptação da música. Em 1971 registrou “Só para mim”, já gravando pela Continental Discos e, assim que a lançou fez uma excursão para o Nordeste para divulgar o disco anterior que ainda estava nas paradas. Quando estava na Bahia percebeu que a música “For me alone” (versão instrumental) estava estourando nas rádios locais e, mais que imediatamente desmarcou toda a sua agenda para passar a divulgar seu disco “Só para mim” em todas as rádios, ou seja, quem tocava a versão com Orquestra, passou a tocar a gravação com Joelma. Assim que voltou a São Paulo, a música “Só para mim” já era primeiro lugar na Bahia, logo se tornando um dos discos mais vendidos da época.

Casou-se em 1972 com o músico João Carlos Montanaro, guitarrista do conjunto Os Moscas, com quem teria seus três filhos Ivy, Vito e Vívian. Nesse ano aconteceu com o sucesso “Fale amorosamente” (Fale baixinho), versão de ‘Speak softly love’, outro tema de filme, desta vez do ‘The Godfather – O Poderoso Chefão’.

Outro grande momento de sua carreira foi em 1976, quando gravou “Pombinha branca”, atingindo novamente o topo das paradas em todo o Brasil. Na sequência veio outro sucesso –
“Voltarei, voltarás”, versão de ‘Tornerai, torneró’.

Devido à sua assiduidade nas reuniões realizadas pela Socinpro (Associação de administração e proteção dos direitos autorais musicais), em 1979 foi convidada pelo assessor jurídico João Carlos de Camargo Éboli e pelo também cantor e defensor da classe artística, João Dias, para trabalhar na Associação. Na Socinpro, primeira Sociedade de direitos conexos do mundo, Joelma atua até hoje como Diretora de Controle de Arrecadação.

Em 1983 lançou “Olhos azuis”, seu último sucesso ainda pela gravadora Continental, versão de Sebastião Ferreira da Silva para ‘Flashdance – what a feeling’, original de Irene Cara. Depois apenas lançaria mais um compacto no ano seguinte e um LP independente pelo selo Flipper em 1986.

Pensando nos filhos que começavam a crescer, Joelma decidiu dar um tempo na carreira artística. Por essa época chegou a se ‘aventurar’ em abrir uma Casa de Esfihas em sociedade com o marido em São Paulo, que acabou não dando muito certo. Ingressou no Rádio, apresentando um programa na Rádio Mulher e depois ficou no ar por 5 anos e meio na Rádio Diário do Grande ABC com muito sucesso.

Gravou em 1991 a música “Sem você”, trilha da novela mexicana ‘Simplesmente Maria’, exibida pelo SBT.

Em 1996 fez participação especial na música “Ladainha das criaturas” do Padre Zezinho, no CD ‘Missa Fazedores da Paz’.

No ano de 1999 lançou o CD “Joelmah” pelo selo independente For All Music com algumas músicas de sua autoria e, no mesmo ano regravou o antigo sucesso “Voltarei, voltarás” para a coletânea ‘Discoteca do Chacrinha’, em homenagem ao Velho Guerreiro.

Em 2006 participou com grande destaque do Programa ‘Rei Majestade’, exibido pelo SBT. Desse programa participaram mais de 150 artistas, porém na votação para a escolha dos preferidos, realizada por telefone, Internet ou no próprio auditório, Joelma foi a cantora que mais votos teve do auditório, com cerca de 77%.

Atualmente, residindo em São Bernardo do Campo – SP, continua atuando na Socinpro e apresenta-se eventualmente relembrando seus sucessos.

Joelma lançou vários discos no decorrer na sua carreira:
Incompreendida / Só ele – Chantecler – 1963 foi o primeiro disco, vindo muitos outros a seguir, totalizando 29 compactos simples gravados, 16 compactos duplos, 11 LPs e 7 LPs Coletâneas.

Radio Shiga by Cleo Oshiro

Flyer Joelma Red

Cleo Oshiro
Últimos posts por Cleo Oshiro (exibir todos)

7 COMENTÁRIOS

  1. Bela homenagem a JOELMA, uma das grandes intérpretes do cenário musical brasileiro. Só tenho a agradecer al deferência. JOELMA merece todas as honras, pois além dos atributos mencionados, é um ser humano maravilhoso, que encanta a todos que tem o privilégio de pertencer ao seu circulo de amigos. Sou um deles! Os seus admiradores agradecem……

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.