Cooperação militar Russia-França na Siria, a primeira desde a Segunda Guerra Mundial. Apelo do presidente russo, Vladimir Putin para sua marinha venha a cooperar com o seu homólogo francês “como aliados” poderá marcar a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que Paris e Moscou lutam conjuntamente contra inimigo comum.
O anúncio de Putin veio depois de que pelo menos 129 pessoas foram mortas em ataques terroristas simultâneos, na sexta-feira em Paris, o que levou a França a intensificar seus ataques contra o grupo Estado Islâmico na Síria.
O Kremlin – que confirmou terça-feira que o avião russo que caiu na península do Sinai no Egito, no final de outubro, tinha sido derrubado por uma bomba a bordo – entretanto, tem buscado a criação de uma ampla coalisão contra o EI envolvendo a Rússia, o Ocidente e alguns países do Oriente Médio, apesar das diferenças persistentes sobre o destino do presidente sírio, Bashar al-Assad.
A chamada da Rússia para a cooperação militar com a França, membro da OTAN, é uma reminiscência da Segunda Guerra Mundial, quando a luta contra a Alemanha nazista transcendeu as divisões ideológicas, disseram historiadores russos.
“Temos que lembrar […] II Guerra Mundial, quando eles [a França e a Rússia] lutaram contra um inimigo comum que ameaçava destruir toda a humanidade”, disse Mikhail Myagkov, chefe de pesquisa no Russian Military Historical Society.
“Isto tornou-se tão importante como agora que estamos lutando contra um inimigo comum sob a forma de EI.”
O historiadores russos dizem que a visita do líder francês Charles de Gaulle à União Soviética em 1944 cimentou papel da França na reconstrução do mundo pós-guerra e foi, efetivamente, a última vez que Paris esteve envolvido em uma aliança militar com Moscou.
– “O Estado Islâmico quer se tornar o novo Hitler?” – “Durante a Segunda Guerra Mundial, o Nazismo forçou a URSS e os países do Ocidente a esquecerem suas diferenças ideológicas “O Estado Islâmico se tornará um novo Hitler?” perguntou o jornal Russo Vedomosti.
Após a queda da União Soviética, França e Rússia colaboraram em várias missões de paz, inclusive na ex-Iugoslávia na década de 1990.
Navios russos também tomaram parte nos esforços anti-pirataria ao largo da costa da Somália, liderados pelos Europeus, como parte da Operação Atalanta.
Um plano de ação conjunto russo-francesa contra o grupo Estado Islâmico seria também a primeira vez na história a interação da Rússia com a OTAN, que mesmo em tempos de crise – incluindo os ataques de 9/11 nos Estados Unidos – permaneceu em grande parte como base de logística.
Mas o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, permanece cauteloso sobre a perspectiva de uma ampla coalizão anti-IS, dizendo que é “muito cedo” para falar sobre isso.
O presidente francês, François Hollande, foi o primeiro líder ocidental a visitar Putin na Rússia após a eclosão da crise ucraniana – um movimento interpretado como uma tentativa de alcançar o líder russo, condenado ao ostracismo – mas os laços continuam tensos.
A França cancelou a entrega de dois dos seus navios de guerra Mistral à Rússia quando as relações esfriaram na época da Guerra sobre anexação da Criméia por Moscou e suporte para os separatistas na Ucrânia oriental, Paris acabou vendendo os navios para o Egito.
O ministro da Defesa da França Jean-Yves Le Drian e o chefe do Exército Pierre de Villiers não estiveram em contacto com os seus homólogos russos desde o início da crise ucraniana, quando as autoridades militares russas sofreram sações da União Européia, disse uma fonte francesa à AFP.
O analista político Konstantin Kalachev, líder de um grupo de reflexão com sede em Moscou, disse que a aproximação da Rússia com a França sobre a Síria ajudaria a catapultar Putin de volta ao cenário da política mundial, depois de meses de isolamento, por causa da crise da Ucrânia.
“A França acaba de ter um ataque terrorista e a Rússia teve um ataque terrorista. As raízes destes ataques são o mesmo”, Kalachev disse à AFP, falando que os ataques de Paris poderiam servir como um catalisador para a criação de uma ampla coalizão anti-IS que Putin tem se esforçado para criar. – Agence France-Presse
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