17 C
Kóka
quinta-feira, 2 abril, 2026 11:36: pm
spot_img
Inicio Asia Museu de Hong Kong reabre com foco em educação patriótica

Museu de Hong Kong reabre com foco em educação patriótica

Exposição reformulada remove marcos democráticos e enfatiza unidade com a China continental

0

Hong Kong, China, 2 de abril de 2026, Xinhua – O Museu de História de Hong Kong, administrado pelo governo local, concluiu uma ampla reformulação em sua exposição permanente. Após seis anos de obras iniciadas em 2020, o espaço foi reaberto nesta quarta-feira (1) com uma mudança drástica em sua narrativa histórica. O novo layout removeu quase todas as referências aos movimentos pró-democracia da região, dedicando agora a maior parte de sua área à resistência contra o Japão e ao fortalecimento do senso de pertencimento à China continental.

Por quase duas décadas, o museu apresentou a trajetória de Hong Kong desde o domínio britânico até a devolução em 1997. Antes da reforma, a instituição exibia retratos de sucessivos governadores britânicos e fotografias históricas das manifestações de 1989 em apoio ao movimento democrático de Pequim. Atualmente, esses registros foram eliminados. Além disso, não há qualquer menção aos grandes protestos pró-democracia que tomaram as ruas de Hong Kong em 2019, omitindo um capítulo central da história política recente do território.

“A nova curadoria alinha-se estritamente à visão histórica de Pequim, transformando um espaço de memória em uma ferramenta de doutrinação ideológica.”

A exposição atual prioriza a unidade de Hong Kong com a China continental. Uma seção considerável é dedicada à resistência durante a Segunda Guerra Mundial, retratando cidadãos locais lutando lado a lado com as forças chinesas contra a ocupação japonesa. Essa mudança é vista por analistas como um esforço deliberado para promover a educação patriótica e consolidar a legitimidade do controle central sobre a ilha, minimizando a identidade política autônoma que marcou Hong Kong nas últimas décadas.

Em 2024, o museu já havia inaugurado uma ala permanente sobre segurança nacional. Esse setor enfatiza a legitimidade da unificação sob o comando do Partido Comunista Chinês (PCC), ao mesmo tempo em que exalta os avanços científicos e tecnológicos da China. O uso de instituições culturais para validar a governança de partido único e silenciar dissidências históricas reflete a crescente pressão de Pequim para moldar a consciência das futuras gerações de honcongueses.

“Ao apagar os registros de 1989 e 2019, o Estado tenta reescrever a identidade de Hong Kong, substituindo o pluralismo pela lealdade partidária.”

A reabertura do museu consolida uma tendência de “limpeza histórica” nas instituições públicas de Hong Kong. Ao focar no sentimento antijaponês e no sucesso tecnológico da China, o governo busca criar uma narrativa de orgulho nacional que ignore as demandas por liberdades civis, estabelecendo um padrão de ensino onde a história serve exclusivamente aos interesses da estabilidade do regime comunista.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.