Bucha, Oblast de Kiev, Ucrânia. 9 de março de 2026. Agence France-Presse (AFP) – Um serviço memorial foi realizado em Bucha para lembrar as centenas de ucranianos mortos há quatro anos pelas forças russas. A cidade, situada nos arredores da capital Kiev, tornou-se um símbolo das atrocidades da guerra após a ocupação militar russa, que durou pouco mais de um mês entre fevereiro e março de 2022, no estágio inicial da invasão em grande escala. Segundo autoridades locais, 561 pessoas perderam a vida no período.
Parentes das vítimas e moradores locais participaram do evento no sábado (7). Os participantes carregaram velas enquanto marchavam pela Rua Yablunska, via que ficou conhecida mundialmente como a “estrada da morte” devido ao grande número de corpos encontrados espalhados pelo asfalto após a retirada das tropas russas. No local onde oito homens foram executados após serem levados pelos militares, as famílias choraram ao tocar fotografias e depositar flores.
“A dor e o desespero continuam vivos. Quero que as pessoas lembrem do que aconteceu aqui daqui a 100 ou 200 anos”, declarou Kateryna Rudenko, cujo filho foi morto aos 37 anos.
Muitas famílias expressaram o temor de que o massacre caia no esquecimento conforme o tempo avança. A preocupação é acentuada pelo fato de a comunidade internacional estar atualmente voltada para a escalada militar envolvendo o Irã e outras crises globais. Organizadores do evento enfatizaram que a atenção do mundo não deve se desviar da Ucrânia, apesar dos novos focos de tensão no Oriente Médio.
Nataliia Verbova, uma das organizadoras e viúva de uma das vítimas, ressaltou que a Ucrânia não pode ser esquecida diante do que ocorre em outros países, pedindo interesse contínuo na causa ucraniana.
Quatro anos após o início da invasão russa, o memorial em Bucha serve como um lembrete sombrio das cicatrizes deixadas no solo europeu. Enquanto o mundo observa novos conflitos emergirem nesta segunda-feira (9), os sobreviventes de Bucha lutam para garantir que a história de seus entes queridos permaneça preservada, exigindo justiça e a manutenção do apoio global contra a agressão russa que ainda persiste no leste e sul do país.
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