Tóquio, Japão. 3 de março de 2026. NHK – Obras inéditas do início da carreira de Oe Kenzaburo, vencedor japonês do Prêmio Nobel de Literatura, vieram a público. Dois textos escritos pelo falecido autor na década de 1950 são considerados os pilares fundamentais de seus romances posteriores. Representantes da Universidade de Tóquio afirmaram na segunda-feira (2) que foram informados sobre a existência das obras no ano passado, por meio de um parente do proprietário de uma casa onde Oe residiu enquanto era estudante da instituição.
Especialistas da universidade confirmaram a autenticidade das peças como sendo de autoria de Oe após um minucioso exame da caligrafia nos manuscritos originais. O primeiro texto foi escrito em 1955, tornando-se a obra mais antiga conhecida do autor. A narrativa foca em um estudante universitário cuja vida corre perigo após descobrir um segredo ao abrigar uma colega de classe.
“Esta é uma descoberta monumental que demonstra como Oe já perseguia temas complexos com perspectivas variadas desde os 20 anos de idade.”
A segunda peça, datada de 1957, envolve um jovem de 15 anos com deficiência nas pernas que foge de casa em sua cadeira de rodas, enfrentando diversas adversidades. De acordo com acadêmicos, esses textos são cruciais para a compreensão do processo criativo de Oe em seu estágio embrionário. Durante uma coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (2), o professor Abe Kenichi, da Universidade de Tóquio, destacou que o autor era conhecido por explorar temas recorrentes sob diferentes contextos e expressões.
Oe Kenzaburo, falecido em 2023 aos 88 anos, foi uma figura central na cena literária japonesa do pós-guerra e um fervoroso ativista pela paz.
Nascido em 1935, Oe tornou-se, em 1994, o segundo japonês a conquistar o Nobel de Literatura. Além de sua ficção, ele é amplamente respeitado por obras como “Notas de Hiroshima”, que aborda as consequências do bombardeio atômico dos Estados Unidos, e por ser membro fundador de um grupo dedicado à proteção da Constituição pacifista do Japão. A revelação desses manuscritos abre novas janelas para o estudo de um dos maiores intelectuais do século XX.
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