Ogasawara, Tóquio, Japão. 3 de março de 2026. NHK – O governo do Japão solicitou oficialmente permissão para realizar um estudo em uma ilha no Oceano Pacífico, visando a escolha de um local para o descarte final de resíduos radioativos de alto nível provenientes de usinas nucleares. A área visada é Minamitorishima, que integra o arquipélago de Ogasawara. Um alto funcionário do Ministério da Indústria entregou a documentação necessária ao prefeito de Ogasawara, Shibuya Masaaki, nesta terça-feira (3), solicitando autorização para a fase inicial, conhecida como pesquisa bibliográfica.
O Ministro da Indústria, Akazawa Ryosei, explicou a jornalistas nesta terça-feira (3) os motivos da escolha. Segundo ele, mapas geológicos indicam que a região possui alta probabilidade de apresentar características favoráveis, como a ausência de vulcões próximos ou falhas geativas. Além disso, o fato de Minamitorishima ser de propriedade estatal e o histórico de cooperação de Ogasawara com políticas nacionais pesaram na decisão. Até o momento, apenas três municípios, nas províncias de Hokkaido e Saga, haviam sido consultados para tais estudos.
“Minamitorishima oferece condições geológicas promissoras e estabilidade tectônica, fatores cruciais para garantir a segurança de longo prazo no armazenamento de resíduos de alta periculosidade.”
O material a ser descartado, conhecido como resíduo vitrificado, é uma mistura de detritos líquidos com vidro derretido, solidificados em recipientes. Até março de 2025, cerca de 2.500 desses recipientes estavam armazenados temporariamente em instalações nas províncias de Aomori e Ibaraki. A periculosidade é extrema: sem equipamentos de proteção, a radiação emitida (1.500 sieverts por hora) é letal para um ser humano em apenas 20 segundos.
Pela legislação japonesa de 2000, qualquer instalação de descarte final deve estar situada a mais de 300 metros de profundidade, onde os resíduos permanecerão por dezenas de milhares de anos.
O método de descarte geológico é o padrão adotado por diversos países que utilizam energia nuclear. O objetivo é manter os resíduos isolados de habitats humanos até que os níveis de radioatividade diminuam naturalmente. O ministro Akazawa tem buscado o entendimento de governadores em todo o país sobre a necessidade urgente de um local definitivo, enviando cartas formais em janeiro para ampliar a rede de possíveis locais de sondagem e garantir a continuidade da matriz energética japonesa com segurança.
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