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Japão e Austrália avançam em novos projetos de terras raras

Sojitz e Lynas firmam acordo básico para expandir mineração e reduzir dependência da China

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Tóquio, Japão, 14 de março de 2026 – Kyodo News – A trading japonesa Sojitz anunciou ter firmado um acordo básico com a empresa australiana Lynas Rare Earths para desenvolver novas minas de terras raras e avaliar a expansão de operações já existentes. O entendimento ocorre em um cenário de crescente preocupação global com a segurança no abastecimento desses minerais estratégicos, usados em produtos de alta tecnologia, energia limpa e defesa.

A Sojitz é parceira da Lynas por meio de um investimento realizado via joint venture estabelecida com a Organização Japonesa para Metais e Segurança Energética (JOGMEC), entidade afiliada ao governo, voltada à proteção do fornecimento de recursos críticos ao país. Atualmente, a empresa japonesa já participa do desenvolvimento de terras raras em uma mina localizada no oeste da Austrália, considerada um dos principais ativos da Lynas.

O novo acordo prevê não apenas a possível expansão dessa mina, como também a prospecção e o desenvolvimento de novos projetos de extração dentro e fora do território australiano. A estratégia inclui a identificação de áreas com potencial geológico, estudos de viabilidade e, em etapas posteriores, a instalação de estruturas necessárias para o refino e processamento dos minerais.

“Estamos dando um passo importante para diversificar as fontes de terras raras e fortalecer a resiliência da cadeia de suprimentos, algo essencial para a segurança econômica do Japão”, afirmou o presidente e CEO da Sojitz, Uemura Kosuke, durante o anúncio do acordo.

O memorando foi assinado em Brisbane, na Austrália, em encontro entre Uemura e a CEO da Lynas, Amanda Lacaze, simbolizando o alinhamento entre os dois países em torno da redução da dependência de um único fornecedor global. Atualmente, a China é responsável por cerca de 60% da mineração de terras raras no mundo e domina de forma significativa a cadeia de processamento, o que gera preocupação em governos e indústrias que dependem desses insumos.

No ano passado, a Sojitz iniciou a importação para o Japão de terras raras pesadas extraídas pela Lynas, marcando a primeira vez que o país recebeu esse tipo de material de um fornecedor fora da China. A expectativa é de que, com os novos projetos, o volume e a estabilidade no fornecimento sejam ampliados, beneficiando setores como o de veículos elétricos, turbinas eólicas, componentes eletrônicos e equipamentos militares.

“Identificar depósitos de alta qualidade e garantir o acesso de longo prazo a esses recursos é fundamental para que possamos apoiar nossos clientes e a competitividade da indústria japonesa”, observou Uemura, ressaltando que já existem vários locais promissores em avaliação.

As duas empresas planejam trabalhar juntas em campanhas de exploração, estudos ambientais e análise de infraestrutura logística necessária para escoar e refinar as terras raras, em linha com padrões internacionais de sustentabilidade. A perspectiva é que, em futuros projetos, parte relevante da produção seja destinada ao mercado japonês, contribuindo para mitigar riscos geopolíticos e assegurar um fornecimento mais previsível de insumos críticos.

Especialistas apontam que o acordo entre Sojitz e Lynas se insere em uma tendência mais ampla de países industrializados buscarem diversificar suas cadeias de suprimento, especialmente em áreas consideradas estratégicas para a transição energética e a transformação digital. Para o Japão, que depende fortemente de importações de recursos naturais, a abertura de novas frentes de produção de terras raras é vista como um elemento-chave de sua política de segurança econômica e tecnológica.

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