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Assassino de Shinzo Abe culpa seita em entrevista à NHK

Yamagami Tetsuya afirma que ataque não ocorreria sem influência da Igreja da Unificação

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Tóquio, Japão, 29 de março de 2026, NHK – O homem condenado à prisão perpétua pelo assassinato do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe afirmou que o ataque jamais teria ocorrido sem a influência do grupo religioso amplamente conhecido como Igreja da Unificação. Yamagami Tetsuya fez a declaração em uma entrevista por escrito realizada no início deste mês (março). Ele recebeu a sentença em janeiro deste ano pelo disparo fatal contra Abe, ocorrido em julho de 2022 com uma arma artesanal durante um discurso eleitoral. A defesa já recorreu da decisão.

Durante o julgamento, Yamagami expressou arrependimento, mas reiterou que a devoção de sua mãe ao grupo e as vultosas doações feitas por ela arruinaram sua família. Ao ser questionado sobre qual sistema de apoio poderia ter evitado a tragédia, o condenado afirmou que nenhum existe, acrescentando que o grupo religioso não seria visto como problemático pelas autoridades se as circunstâncias não tivessem sido alteradas drasticamente por suas ações.

“O ataque não teria ocorrido sem a existência da Igreja da Unificação. É irracional esperar que uma única pessoa encontre uma solução legal quando o sistema falha em conter abusos religiosos que destroem vidas precocemente.”

O tribunal, no entanto, decidiu que Yamagami optou pela violência em vez de vias legais e rejeitou o argumento de que suas experiências passadas justificariam ou influenciariam de forma determinante o crime. Em contrapartida, na entrevista, ele comentou sobre a recente ordem do Tribunal Superior de Tóquio para a dissolução do grupo, descrevendo o fato como um alívio e um marco histórico, embora considere apenas uma solução parcial para o problema.

Especialistas que acompanham o caso, como o professor Sakurai Yoshihide, da Universidade de Hokkaido, destacam que a principal motivação de Yamagami é a responsabilização do grupo não apenas pelos danos financeiros, mas pela privação de oportunidades em sua juventude. Sakurai observa que, embora hoje existam processos movidos por filhos de membros de grupos religiosos, tal recurso não estava disponível há dez anos, quando o ressentimento de Yamagami se intensificou.

“A sociedade deve examinar como os problemas de Yamagami deveriam ter sido abordados antes da violência. Sem essa reflexão, o risco de que outros recorram a medidas extremas permanece real.”

A análise do caso levanta debates profundos no Japão sobre a eficácia das medidas preventivas contra abusos religiosos. Yamagami sugeriu que restrições provisórias poderiam evitar que problemas escalassem antes que o Estado precise recorrer a medidas extremas como a dissolução. O governo japonês continua sob pressão para reformar as leis de proteção a herdeiros de doadores religiosos, enquanto o país tenta cicatrizar as feridas deixadas pelo assassinato político mais chocante de sua história recente.

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