Como vencer e lidar com o luto

Especialistas explicam fases emocionais, riscos do luto patológico e formas de apoiar adultos e crianças.

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Konan, Shiga, Japão, 25 de fevereiro de 2026, Radio Shiga – Passar pelo processo do luto é um dos momentos e situações mais difíceis para o ser humano, é como estar sendo arrancado um pedaço de si. Vivenciar e passar pelo luto é necessário para que a pessoa enlutada amenize o sofrimento e a dor da perda, pois sabemos que é uma dor irreparável.

O luto pode ocorrer também por perda de um animal, objeto ou até mesmo com um bem imaterial, por exemplo, a demissão de um emprego onde trabalhou por muitos anos, e constituiu-se amigos de confiança. Ocorre também por perda de algum membro do corpo, literalmente, ou apenas os movimentos físicos decorrentes de cirurgia de amputação de um dedo, de um pé, de uma mão, perda de visão, etc.

O tempo de luto varia de cada indivíduo, por isso, não existe uma regra de quanto tempo irá durar este período. Porém, para entender melhor e facilitar a identificação e compreensão por parte da pessoa enlutada e também dos profissionais da saúde, a Associação Americana de Psiquiatria definiu alguns critérios para identificar se o luto é patológico ou não. Quando patológico ou não saudável, deve ser tratado, especialmente acompanhado por um psicólogo ou um psiquiatra. Veja Abaixo os critérios designados que sinalizam o luto não saudável:

Sinais de luto patológico ou não saudável
Quando perduram por seis meses ou mais, exige uma atenção maior:
• Desejo persistente de estar com a pessoa que perdeu;
• Ter dificuldade para acreditar na morte do ente querido;
• Sentir autoculpa por não ter dedicado ou cuidado melhor da pessoa;
• Desejar morrer para estar com a pessoa causando um estado depressivo;
• Perder a confiança nos outros, como único foco de vida seria a pessoa a qual perdeu;
• Não ter mais vontade de viver pelo próprio sentimento de culpa, depressivo e não querer olhar e enxergar outras situações que poderiam trazer alegria, como se, somente aquela pessoa trazia alegria para si;
• Ter dificuldade para manter amizades ou atividades diárias ainda relacionado aos sintomas depressivos;
• Não conseguir se planejar com antecedência;
• Sofrer de forma desproporcional a situações normais, como por exemplo, vontade de chorar quando enfrenta uma situação que antes era considerada normal, quando escuta uma palavra que ofende, que corrige, tornando-se mais sensível a diversas circunstâncias;

Este tipo de luto pode surgir em qualquer pessoa, idade ou classe social, no entanto, é mais comum em mulheres.

A maneira que cada um enfrenta o luto depende de diversos fatores, o afeto, a proximidade, até mesmo o tempo em que não pode estar por perto, por exemplo, pessoas que moram há muito tempo no Japão, ou em locais distantes de pessoas queridas, com sentimento de culpa e remorso por não ter visitado, traz também um luto não saudável e irreparável.

5 fases do luto
Para aprofundar-se neste assunto, a psiquiatra suíço-americana Elisabeth Kubler-Ross, pioneira nos estudos de proximidade da morte com pacientes terminais, dedicou-se a investigar e estudar sobre os estágios ou fases do luto. Descrevendo assim esses estágios no seu livro “Sobre a Morte e o Morrer”, de 1969. Super recomendado para pacientes que sofrem de um luto intenso, fala-se sobre a vida, a morte e a transição, vale a pena conferir.

O processo de luto é muito individual, às vezes pessoas da mesma família enlutada passam de maneiras totalmente diferentes umas das outras, no sentido emocional, psicológico, sentimental. Todavia, a Dra. Elizabeth dividiu em seus estudos o luto em 5 fases distintas e comuns em seus pacientes:

1. Negação e isolamento
Em primeira mão, assim que recebe-se a notícia da perda de algo ou alguém importante para sua vida, é bem provável que o primeiro estágio, a pessoa não acredite nesta notícia, negando para não sofrer o momento, ou até mesmo para preparar o cérebro, a mente e a alma para o próximo estágio. Nesta fase pode trazer junto da negação, também, um afastamento de outras pessoas, isolando-se de outras pessoas, entendendo que isto servirá de alívio a esta dor.

2. Raiva
Nesta fase, após a negação, e comum que apareçam sentimentos de raiva, como podem ser acompanhados de choro frequente, aborrecendo-se com facilidade também, mesmo com amigos e familiares. Por exemplo, raiva de Deus, de médicos, hospitais etc.

3. Barganha
Nesta fase, ainda não existe a aceitação pela perda, seria como uma fase intermediária, onde a pessoa tenta chegar em um acordo para sair da situação que está vivendo, por exemplo, falando para Deus, para mudar esta sensação e voltar como antes, fazendo até algumas promessas. Às vezes, de forma inconsciente, principalmente, se não estiver sendo acompanhado por um psicólogo ou psiquiatra.

4. Depressão
Nesta penúltima fase, a pessoa começa no processo de realidade, tornando-se mais fragilizada, insegura, entendendo que o acontecido e irreparável. Neste momento, em especial é recomendado um acompanhamento por um psicólogo ou psiquiatra.

5. Aceitação
Esta é a última fase do processo do luto, onde a pessoa começa a retornar aos hábitos antigos, porém sem a presença da pessoa que não está mais entre eles, também é nesta fase que passa a estar mais próximo das relações sociais com amigos e familiares. Nesta fase, também é fundamental a presença de um psicólogo.

Como superar o luto
Algumas dicas que ajudam a superar este momento tão difícil:
• Espere o tempo necessário: não se cobre em sair deste momento com uma rapidez comparada com outras pessoas, pois cada um tem o seu ritmo.
• Coloque para fora o que está sentindo: é bom ter alguém para expressar as emoções e sentimentos, não acumulando e deixando de falar o que está pensando. Não tenha medo nem vergonha de chorar, gritar, falar e sentir e viver o luto com a família, amigos, psicólogo ou psiquiatra, isso ajuda o processo a percorrer mais rápido.

Como lidar com o luto nas crianças
Dicas para transmitir uma notícia de luto para crianças:
• Falar sempre a verdade: isso ameniza a dor, a ansiedade e deixa a criança mais esclarecida.
• Não esconder os sentimentos: os pais, os adultos em volta, e importante expressar os sentimentos, demonstrando para a criança que é normal também para eles.
• Os próprios familiares devem contar: por serem as figuras importantes, devem vivenciar estes momentos juntos, para proporcionar segurança.
• Não contar em qualquer lugar: um ambiente mais tranquilo ajuda a criança expressar suas emoções sem serem atrapalhadas.
• Contar com uma linguagem simples: de forma clara e honesta, sem detalhes traumáticos.

Cada idade se manifesta de forma diferente, por isso, deve-se utilizar a linguagem apropriada para cada idade. Consultar um psicólogo infantil pode ser uma excelente ideia para auxiliar tanto os pais, quanto a própria criança a conduzir o processo de luto. Não é ideal ficar esperando um momento ideal, prorrogando para contar, isso pode causar uma certa ansiedade e prolongar o luto.

Marcos Ribeiro de Souza – Psicólogo (CRP 06-87716)
Formação Acadêmica: Bacharelado em Psicologia (2005) e Formação de Psicólogo pela UNISA – Universidade de Santo Amaro – SP, 2006. Experiência prática no Brasil, desde 2008, com atendimentos de casais, familiar, individual e empresas. Atuação no Japão desde 2012, sendo como principais causas de atendimento: ansiedade, depressão, transtornos, conflitos etc. Atuação com a Abordagem Centrada na Pessoa. Página no facebook: @psicologoclinicojapaotoyohashi; Instagram e canal no YouTube: psicologandonojapao. Inscreva-se no canal.
Colunista da Revista Boa Dica

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