Hong Kong, China, 13 janeiro de 2026, Rádio Shiga – Hong Kong, antes celebrada como um dos centros mais vibrantes de liberdade de expressão na Ásia, tornou-se um território onde a censura não apenas domina — ela sufoca. A prisão prolongada de Jimmy Lai, fundador do Apple Daily, e o fechamento forçado do jornal são apenas os exemplos mais visíveis de um processo calculado de destruição das liberdades civis conduzido por Pequim.
A imposição da Lei de Segurança Nacional em 2020 foi o ponto de virada. Desde então, opositores políticos foram encarcerados, redações foram silenciadas e organizações civis foram dissolvidas sob acusações vagas e amplas. A mensagem é inequívoca: qualquer forma de dissidência será tratada como ameaça ao Estado.
Jimmy Lai, aos 78 anos, tornou-se o símbolo vivo — e agora debilitado — dessa repressão. Mantido preso há quase cinco anos, enfrenta um julgamento que não busca justiça, mas sim exemplificação. Sua saúde fragilizada contrasta com a frieza das autoridades, que insistem que “não há nada de incomum” em seu estado. A intenção é clara: intimidar, punir e apagar.
A repressão, porém, não se limita à imprensa. O sistema eleitoral foi remodelado para garantir apenas candidatos alinhados a Pequim. Protestos foram criminalizados. Jovens ativistas foram condenados a longas penas. A promessa de “um país, dois sistemas” foi rasgada muito antes de 2047.
O mais alarmante é a normalização desse cenário. A comunidade internacional reage com declarações, mas Pequim avança sem freios. Hong Kong tornou-se um laboratório de controle social, onde a liberdade é tratada como risco e o silêncio como virtude.
A seguir, um panorama que evidencia a velocidade com que Hong Kong despencou nos rankings internacionais de liberdade de imprensa:
Queda de Hong Kong nos índices de liberdade de imprensa
• Antes de 2020: Hong Kong figurava entre as 20 regiões mais livres do mundo para o jornalismo.
• Após a Lei de Segurança Nacional: queda abrupta para posições abaixo da 100ª colocação.
• Em 2025: Hong Kong despencou para além da 140ª posição, refletindo censura, prisões e fechamento de veículos.
• Principais fatores: criminalização da dissidência, vigilância estatal, autocensura forçada e controle direto de redações.
• Consequência: jornalistas fogem, veículos fecham e a população perde acesso à informação independente.
Hong Kong, que já foi farol de autonomia e debate, hoje vive sob a sombra de um poder que teme a palavra escrita. Enquanto essa sombra se expandir, a esperança de um futuro livre continuará a se apagar — e o mundo não pode fingir que não vê.
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