Caracas, Distrito Capital, Venezuela. 3 de janeiro de 2026. Agencia EFE – O cenário em Caracas é de profunda inquietação. O movimento costumeiro deu lugar a um silêncio atípico, onde as conversas são raras e frequentemente sussurradas. Enquanto as calçadas permanecem vazias em vários pontos, os grupos de aplicativos de mensagens operam em ritmo frenético, inundados por vídeos e informações desencontradas que tentam explicar o momento de instabilidade. No leste da capital, o clima de vigilância é constante e as poucas interações humanas revelam o receio coletivo diante do desconhecido.
Essa foi a pergunta feita em voz baixa por uma moradora nos arredores de uma praça pública. Ela havia saído de casa na esperança de comprar medicamentos para conter a ansiedade, mas deparou-se com as portas de uma farmácia 24 horas lacradas. O receio de ser registrada ou identificada é uma constante entre os cidadãos, que preferem manter o anonimato ao transitar por áreas abertas.
A atmosfera carregada não é apenas psicológica. Um odor pungente, que remete aos episódios de conflito e ao uso de gás lacrimogêneo em manifestações ocorridas no passado, é sentido mesmo dentro das residências em andares elevados. Esse cheiro familiar traz à memória as tensões de anos anteriores, intensificando a percepção de que a normalidade está suspensa.
A confusão informativa atingiu o ápice quando mensagens começaram a circular mencionando supostas mudanças drásticas na cúpula do poder. Nas varandas de alguns edifícios, houve um breve momento de euforia e gritos que ecoaram pela vizinhança por alguns instantes. Entretanto, o entusiasmo foi efêmero, durando apenas poucos segundos antes que o silêncio voltasse a imperar sobre a cidade.
Nas primeiras horas do dia, estabelecimentos comerciais que costumam funcionar de forma ininterrupta mantiveram suas grades baixas por boa parte da manhã. Longas filas de pessoas começaram a se formar, aguardando pacientemente por qualquer sinal de abertura para adquirir suprimentos básicos, enquanto a população tenta entender os próximos passos da crise que paralisa a capital.
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