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Estudo indica que megaterremotos podem ocorrer em intervalos menores

Pesquisadores japoneses apontam que fenômeno de “overshoot” pode antecipar novos abalos de grande magnitude.

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Tsukuba, Ibaraki, Japão, 22 de dezembro de 2025, Kyodo News – Um grupo de pesquisadores japoneses divulgou novos resultados sobre o terremoto de magnitude 8,8 que atingiu a região próxima à Península de Kamchatka, na Rússia, em julho. A análise sugere que megaterremotos de magnitude 9 podem ocorrer em intervalos inferiores a 100 anos, contrariando estimativas anteriores.

A equipe, liderada pelo professor Yagi Yuji, da Universidade de Tsukuba, utilizou ondas sísmicas e outros dados para examinar o evento de 2025. Os resultados indicam que a ruptura ocorreu praticamente na mesma área afetada pelo megassismo de 1952, que atingiu magnitude 9.

Segundo os pesquisadores, o deslizamento máximo registrado no limite entre as placas oceânica e continental chegou a 12 metros. No entanto, o acúmulo de convergência das placas ao longo de 73 anos — cerca de 6 metros — não seria suficiente para explicar sozinho a magnitude do deslocamento.

A equipe acredita que o fenômeno conhecido como “overshoot” ocorreu durante o terremoto. Esse processo acontece quando o deslizamento na fronteira das placas excede o nível de tensão de equilíbrio, liberando não apenas a energia acumulada desde o último grande evento, mas também parte da tensão remanescente de sismos anteriores.

“O overshoot pode reduzir significativamente o intervalo de recorrência de megaterremotos. Não podemos assumir que estamos seguros apenas porque o último grande evento foi recente”, afirmou o professor Yagi.

O fenômeno também é associado ao megaterremoto de 2011 que atingiu a região de Tohoku, no Japão, reforçando a preocupação com outras zonas sísmicas críticas do país.

Yagi alertou que áreas como o Fosso de Nankai, o Fosso de Chishima e o Fosso de Sagami — onde ocorreu o Grande Terremoto de Kanto em 1923 — podem estar sujeitas ao mesmo tipo de comportamento tectônico.

“É fundamental manter a vigilância e adotar medidas preventivas. Um megaterremoto pode ocorrer a qualquer momento”, reforçou o pesquisador.

O estudo reacende o debate sobre preparação sísmica no Japão, país que convive com algumas das zonas de subducção mais ativas do mundo e onde especialistas defendem constante atualização de protocolos de prevenção e resposta a desastres.

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