Yangon, Mianmar, 28 de dezembro de 2025, Anadolu Agency – Eleitores em Mianmar começaram a votar em uma eleição geral conduzida pela junta militar, que afirma tratar-se de um passo rumo ao governo civil. A comunidade internacional, porém, classifica o processo como uma “eleição de fachada”, marcada por repressão e exclusão de grupos pró-democracia.
Em Yangon, a maior cidade do país, eleitores foram vistos em seções eleitorais neste domingo (28), enquanto militares foram posicionados para evitar qualquer tipo de interrupção. Um homem de 68 anos disse acreditar que “as pessoas precisam votar” e que “a vida de todos irá melhorar”.
A junta tomou o poder em um golpe em 2021 e desde então enfrenta combates intensos contra forças pró-democracia e grupos armados étnicos. Devido ao conflito, a votação foi cancelada em 65 dos 330 distritos, cerca de 20% do total.
A eleição ocorre em três fases regionais até 25 de janeiro, com resultados previstos para o fim do mês. Partidos alinhados aos militares devem conquistar a maioria das cadeiras, já que grupos opositores foram impedidos de participar.
Forças pró-democracia pedem que governos estrangeiros não reconheçam o resultado, alegando falta de legitimidade e transparência no processo.
Enquanto isso, em Tóquio, cerca de 120 residentes de Mianmar protestaram em frente à embaixada do país após o início da votação. Os manifestantes, em sua maioria imigrantes, entoaram palavras de ordem contra a eleição organizada pela junta e pediram que o governo japonês não reconheça o resultado.
Eles também exigiram a libertação da líder pró-democracia Aung San Suu Kyi, detida desde o golpe de 2021. Uma participante de 31 anos afirmou que cidadãos em Mianmar estão sendo ameaçados pelos militares para comparecer às urnas.
Uma pesquisa conduzida por um grupo voluntário com cerca de 15 mil residentes de Mianmar no Japão apontou que 99% consideram a eleição ilegítima e afirmam que não aceitarão o resultado.
Com o país dividido e sob forte repressão, a eleição é vista como mais um capítulo da crise política que se arrasta desde o golpe, sem sinais de resolução no curto prazo.
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