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Tieko Irii lança “As Ruas Sem Nome” em São Paulo

Autora nipo-brasileira aborda racismo, memória e identidade em agenda literária marcada por debates e coletivos culturais

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São Paulo, Brasil, 30 de agosto de 2025, com.tato – A escritora e artista visual nipo-brasileira Tieko Irii apresenta em São Paulo seu novo livro “As Ruas Sem Nome”, obra que revisita memórias familiares e dá voz às dores e resistências da comunidade nipo-brasileira.

Em sua narrativa autobiográfica, a autora cruza três gerações de imigrantes japoneses, explorando silêncios, racismo e pertencimento em um país marcado por hierarquias raciais. A descoberta da autobiografia secreta de seu pai, Hisashi Irii, foi o ponto de partida para refletir sobre a própria identidade e sobre como histórias individuais se conectam a processos coletivos de migração e exclusão social.

“Não foi cura, foi confronto. Precisei revisitar memórias que eu queria esquecer, como o racismo velado, a vergonha e a sensação de não pertencer”, confessa a autora.

A agenda de lançamentos inclui presença no Bunka Matsuri, tradicional Festa da Cultura Japonesa, nos dias 30 e 31 de agosto, na Liberdade, além de debates no Nippon Fusion Fest (06 de setembro) e no Orgulho Nerd SP 2025, em setembro, ambos no Parque Ibirapuera. Tieko também participa de mesas sobre identidade e ancestralidade em espaços culturais como a Casa Abe e o Aurora Fest.

“O projeto de branqueamento brasileiro e o mito da democracia racial nos colocaram em um lugar paradoxal: nem totalmente aceitos, nem totalmente estrangeiros”, analisa.

A obra chega em um momento de maior visibilidade da literatura asiático-brasileira, discutindo representatividade, estereótipos e a vivência de corpos amarelos entre Brasil e Japão. Para a autora, publicar “As Ruas Sem Nome” é também um ato político contra o silenciamento histórico imposto às mulheres nikkei.

Tieko Irii, formada em cinema pela FAAP, trabalhou por décadas em audiovisual e publicidade, além de ter publicado livros infantis. Sua vivência no Japão entre 1989 e 1991 influenciou diretamente sua escrita, que agora se consolida como uma voz potente da literatura contemporânea brasileira.

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