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Ministério das Finanças do Japão admite sumiço de documentos

Papéis sobre escândalo Moritomo podem ter sido destruídos para evitar investigações

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Tóquio, Província de Tóquio, Japão, 8 de maio de 2025 — NHK – O Ministério das Finanças do Japão reconheceu que diversos documentos relacionados à polêmica venda de terrenos públicos para a operadora de escolas Moritomo Gakuen foram descartados antes de serem divulgados.

O caso remonta a 2016, quando a Moritomo adquiriu um terreno do governo com grande desconto. Na época, Akagi Toshio, funcionário de um escritório regional do ministério, foi forçado a falsificar documentos. Ele cometeu suicídio em 2018, fato que gerou forte comoção e impulsionou os pedidos por transparência.

A esposa de Akagi, Masako, exigiu a divulgação completa dos registros enviados voluntariamente aos promotores. Em 4 de abril, o ministério divulgou mais de 2.200 páginas de materiais, com informações sobre as negociações com a Moritomo. No entanto, muitos documentos estavam com numeração incompleta, o que levantou novas dúvidas sobre a integridade dos arquivos.

“Entre 2013 e 2016, foram identificados 382 documentos relacionados ao processo de venda. Destes, 74 desapareceram, e 52 nunca foram tornados públicos”, afirmou o ministério em resposta formal aos advogados da família Akagi.

O governo acredita que a maioria dos arquivos desaparecidos foi descartada durante procedimentos internos de eliminação de registros, especialmente em 2017, quando houve uma destruição intencional de documentos com o objetivo de evitar questionamentos no parlamento.

Entre os arquivos desaparecidos está um registro de 28 de abril de 2014, em que Kagoike Yasunori, ex-diretor da Moritomo, teria mostrado a oficiais uma foto com a esposa do então premiê Abe Shinzo. Segundo relatos, ela teria dito: “Você deve seguir em frente, pois este é um bom terreno”.

A maior preocupação agora é que muitos desses documentos, além de desaparecerem sem justificativa, poderiam conter referências diretas a figuras políticas, o que reacende o debate sobre a responsabilidade institucional e a transparência do governo japonês.

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