Viva a música instrumental!

Hoje falaremos de Labirinto (independente), primeiro álbum autoral do saxofonista, flautista, regente e compositor Fernando Trocado. Para gravá-lo, ele formou o Fernando Trocado Quarteto, integrado, além dele, por Natan Gomes (piano), Tony Botelho (baixo) e Mac Willian Caetano (batera).

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Hoje falaremos de Labirinto (independente), primeiro álbum autoral do saxofonista, flautista, regente e compositor Fernando Trocado. Para gravá-lo, ele formou o Fernando Trocado Quarteto, integrado, além dele, por Natan Gomes (piano), Tony Botelho (baixo) e Mac Willian Caetano (batera).

Sucedendo o belo momento erudito da intro, ouve-se “Simplicidade”*, que vem com o sax. Imagética, a melodia tem musicalidade explícita. A batera e o baixo se mostram parceiros e juntos dão vigor à faixa que abre a tampa. O improviso do sax investe no suave: soprando macio, vem leve. O piano assume o improviso. Discretos, mas eficientes, baixo e batera seguram a parada. E o suingue prossegue. É chegada a hora de o baixo assumir o proscênio e improvisar. Tudo é feito com o maior cuidado – a música assim pede e assim é. Volta o sax. O tema é delicado como a sonoridade do instrumento de Fernando Trocado. Excelente abertura de um trabalho que promete. A ver.

“Levitando” é um tema que embute o respeito e o agradecimento de Fernando a seu pai. O sax vem cálido e emotivo. Harmonicamente bem construída, a composição se encaixa à perfeição no bocal do instrumento. Dedilhando as notas, logo o piano se encarrega do improviso. O baixo pontua. A batera leva o ritmo na ponta fina das baquetas. O sax retoma o improviso e junto com o piano levam ao final.

Em “Labirinto”, a dissonância dá as caras desde a intro. Pela palheta do sax, o funk jazz rola energizado. O piano adere à festa de criar belezas. Os sopros de Trocado vêm em naipe, resultando em sonoridade compatível com a têmpera do tema. Pianíssimo, tendo a batera a acompanhá-lo, o piano improvisa e, como se diz, é “jazz puro”. O baixo saca o clima e também improvisa. A batera vem com ele. Eita, som porreta!

O sax inicia “Os Atomistas”**, um tema jazzístico, cuja mudança de compasso, de quaternário para ternário, permite que a batera ganhe alguns compassos para improvisar e revelar sabedoria. O sax ressurge arrasador. A batera segue firme. O piano vem e adere ao som. Logo o sax leva o arranjo ao final.

“Resposta ao Tempo” é a única composição do CD que não é de Fernando Trocado, e a canção de Cristovão Bastos soa definitiva pelo sax. Para quem conseguir senti-la, a letra de Aldir Blanc paira viva no ar. O piano traz à tona a harmonia. Bela! O sax improvisa sobre a melodia. Perfeita!

Fechando a tampa, o sax toca a intro de “Esperança”, uma habanera balançada que só ela. Plenos de malemolência, os compassos se sucedem ao som do quarteto que desagua no improviso do piano. O suingue é poderoso. Volta o sax. É, eu vi!
Assim, o Fernando Trocado Quarteto brinda à música instrumental, gênero que, embora ainda não tão prestigiado quanto deveria, graças ao talento de seus instrumentistas, continua engrandecendo a nossa música…

Aquiles Rique Reis
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Aquiles Rique Reis
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