Em uma reviravolta chocante, Yevgeny Prigozhin, o enigmático líder da notória empresa militar privada Wagner, estava, supostamente, a bordo de um jato particular que caiu em uma região rural ao norte de Moscou na quarta-feira (23), ceifando a vida de todos a bordo. O avião, em rota de Moscou para São Petersburgo, caiu aproximadamente 100 quilômetros ao norte da capital russa, deixando para trás um rastro de perguntas sem resposta e especulações intensas.
A agência de aviação civil da Rússia, Rosaviatsia, divulgou uma lista dos ocupantes do avião, que incluía sete passageiros e três membros da tripulação. A agência afirmou que a lista foi compilada “de acordo com a companhia aérea”. Dados de rastreamento de voo indicaram que o jato particular, anteriormente associado a Prigozhin, decolou de Moscou na noite de quarta-feira antes de perder seu sinal de transponder apenas minutos depois.
O sinal desapareceu em uma área remota, sem quaisquer aeródromos próximos, levantando suspeitas imediatas sobre as circunstâncias que cercam o acidente. Este incidente segue uma série de incertezas em relação ao destino de Prigozhin desde o seu envolvimento em um motim e subsequente exílio para a Bielorrússia, anunciado pelo Kremlin.
Vladimir Rogov, um oficial nomeado pela Rússia na região parcialmente ocupada de Zaporizhzhia, na Ucrânia, afirmou ter conversado com comandantes do grupo Wagner que confirmaram a presença de Prigozhin no voo fatídico. Dmitry Utkin, o principal associado de Prigozhin e homônimo da empresa militar privada Wagner, também estaria a bordo, segundo Rogov.
Embora os relatos da morte de Prigozhin tenham chamado a atenção globalmente, Keir Giles, especialista em Rússia do think-tank de assuntos internacionais Chatham House, pediu cautela. Ele apontou que Prigozhin empregou várias pessoas usando seu nome como parte de uma estratégia para obscurecer seus movimentos, afirmando: “Não fiquemos surpresos se ele aparecer em breve em um novo vídeo da África”, disse Giles.
Dados de rastreamento de voo revisados pela Associated Press mostraram que o jato particular usado anteriormente por Prigozhin decolou de Moscou na noite de quarta-feira e teve seu sinal de transponder interrompido minutos depois. O sinal parou abruptamente enquanto o avião estava em altitude e velocidade de cruzeiro. Em uma imagem postada por uma conta de mídia social pró-Wagner, mostrando destroços em chamas, foi possível ver uma parte do número de cauda correspondente a um jato anteriormente usado por Prigozhin.
‼️Russian aviation agency: Prigozhin was on board of the plane that crashed in Tver region of Russia.
By preliminary information, 10 people died – Russian emergency ministry.
There is information that air defense was working in Tver region before the plane crash. pic.twitter.com/sIvSotWPHC
— Anton Gerashchenko (@Gerashchenko_en) August 23, 2023
O Comitê de Investigação da Rússia abriu um inquérito sobre o acidente, focando em possíveis violações das regras de segurança aérea, um procedimento comum em tais incidentes. No entanto, mesmo que a morte de Prigozhin seja confirmada, é improvável que tenha um impacto significativo na guerra em curso na Ucrânia, onde as forças do grupo Wagner desempenharam um papel proeminente em algumas das batalhas mais ferozes dos últimos 18 meses.
Após a captura da cidade de Bakhmut, no leste de Donetsk, as tropas de Prigozhin se retiraram das linhas de frente. A captura de Bakhmut marcou uma das batalhas mais brutais e prolongadas de todo o conflito, com as forças russas lutando por meses para garantir a cidade. Após o motim, as autoridades russas anunciaram que suas unidades só poderiam retornar à Ucrânia como parte do exército regular.
Em desenvolvimentos recentes, Prigozhin divulgou seu primeiro vídeo de recrutamento desde o motim, enfatizando o envolvimento do grupo Wagner em operações de reconhecimento e busca e sua missão de “tornar a Rússia ainda maior em todos os continentes, e a África ainda mais livre”.
Nesta mesma semana, a mídia russa, citando fontes anônimas, relatou a demissão do general Sergei Surovikin de seu cargo como comandante da Força Aérea russa. Surovikin, que em um ponto liderou as operações russas na Ucrânia, não foi visto em público desde o motim, quando gravou um vídeo pedindo que as forças de Prigozhin recuassem.
Enquanto as notícias do acidente se desenrolavam, o presidente russo, Vladimir Putin, discursou em um evento em comemoração à Batalha de Kursk, homenageando os heróis da participação russa na Ucrânia. O acidente também ocorre após relatos da mídia russa sobre a remoção de um alto general ligado a Prigozhin de seu cargo como comandante da Força Aérea.
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