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sexta-feira, 2024/03/01  6:59
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Brasileiras presas na Alemanha por crime que não cometeram

O momento em que dois funcionários do Aeroporto de Guarulhos (SP) trocaram as etiquetas das malas das brasileiras Kátyna Baía e Jeanne Paollin por etiquetas de bagagens contendo cocaína foi registrado pelas câmeras de segurança.

Brasileiras presas na Alemanha por crime que não cometeram

O momento em que dois funcionários do Aeroporto de Guarulhos (SP) trocaram as etiquetas das malas das brasileiras Kátyna Baía e Jeanne Paollin por etiquetas de bagagens contendo cocaína foi registrado pelas câmeras de segurança.

Uma personal trainer e uma médica veterinária, respectivamente, estão presas na Alemanha há mais de um mês desde que as autoridades descobriram as malas adulteradas durante uma escala em Frankfurt.

De acordo com a Polícia Federal, além das brasileiras presas na Alemanha por terem suas malas trocadas por bagagens com drogas, outras duas pessoas também relataram terem sido vítimas de quadrilhas criminosas que atuam em aeroportos.

Um desses casos ocorreu em 3 de março, quando uma passageira saiu do aeroporto de Goiás com destino a Guarulhos e depois para a França, tendo sua mala apreendida no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris.

Dois homens, que não tinham relação com a passageira, foram presos tentando pegar a bagagem com drogas antes dela.

Em 26 de março, um homem nascido em Goiás foi detido em Lisboa com malas contendo drogas e alegou ter tido suas malas trocadas.

As duas goianas presas na Alemanha são suspeitas de tráfico internacional de drogas e permanecem detidas há mais de um mês, mas a Polícia Federal já provou sua inocência. O caso dessas mulheres iniciou as investigações sobre as trocas de malas.

Vídeos exclusivos exibidos pelo Fantástico mostram o momento em que duas mulheres membros de um grupo criminoso chegam ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e despacham malas contendo drogas que levaram duas brasileiras à prisão na Alemanha, tudo em apenas 3 minutos.

O programa também exibiu imagens das mulheres desde que saíram de seu apartamento em Goiânia até chegarem ao Aeroporto Santa Genoveva, em Goiás, com câmeras registrando Jeanne com uma mala rosa e Kátyna com uma mala preta, às 6h04 do dia 4 de março. As mulheres embarcariam em um período de férias de 20 dias pela Alemanha, Bélgica e República Tcheca.

Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso agia trocando as malas dentro da área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em um ponto cego das câmeras de monitoramento.

Eles recebiam a mala das vítimas, retiravam a etiqueta de identificação recebida no momento do check-in e colocavam na mala com drogas. Em seguida, as malas eram embarcadas para a Europa, onde os criminosos as retiravam sem que as vítimas soubessem que a carga com drogas estava sendo transportada em seus nomes.

Kátyna Baía é personal trainer. Jeanne Paollini, médica veterinária. As duas são casadas há 12 anos, moram em Goiânia e colecionam viagens, mas há um mês elas foram parar em presídio feminino em Frankfurt.

É de onde Jeanne fala com a família: “Nós nunca convivemos nesse ambiente. Dói muito ficar aqui todo dia. Eu acordo e penso: ‘Meu Deus, esse pesadelo ainda não acabou’’.

Segundo a polícia, o pesadelo começou com uma troca de etiquetas no maior aeroporto do país; entenda:

  • A área de segurança é monitorada por dezenas de câmeras.
  • Mesmo sendo tão vigiada é um dos locais do Aeroporto Internacional de Guarulhos em que as quadrilhas do tráfico internacional de drogas mais atuam.
  • De acordo com a polícia, as etiquetas foram colocadas nas malas com drogas atrás de uma pilastra. Um ponto cego da câmera.

A defesa de Kátyna e Jeanne foi à Polícia Federal. O delegado Bruno Gama, da PF de Goiás, disse que a corporação já conseguiu provar a inocência das brasileiras.

A advogada das vítimas na Alemanha Chayane Kuss de Souza contou que a Justiça Alemã quer que as provas cheguem pelo governo brasileiro.

A concessionária que administra o aeroporto disse que o manuseio das bagagens é de responsabilidade das empresas aéreas. E que, quando ocorre um incidente, se reúne com autoridades para discutir melhorias nos protocolos de segurança.

A Latam, empresa pela qual Kátyna e Jeanne viajaram, disse apenas que colabora com a investigação e que está em contato com familiares das brasileiras presas.

A defesa de Eduardo dos Santos, um dos presos esta semana, informou que ele não faz parte de qualquer esquema criminoso.

O Fantástico entrou em contato com a família de Pedro Venâncio, que não retornou ligação nem indicou o advogado dele.

A Orbital, empresa que emprega os dois, informa que verifica os antecedentes criminais dos funcionários antes das contratações e que o tráfico de drogas é um problema de segurança pública.

Ao Fantástico, a polícia alemã disse que não estava autorizada a dar informações sobre casos individuais.

O consulado brasileiro em Frankfurt está prestando assistência às famílias.