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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Lançamento do livro “Nihonjin” no dia 5 de julho no Consulado Geral do Brasil em Hamamatsu

"Nihonjin”, o primeiro romance do escritor paranaense Oscar Nakasato, rendeu ao autor o prêmio Jabuti de 2012, na categoria romance, e 1º Prêmio Benvirá de Literatura.

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Lançamento do livro “Nihonjin” no dia 5 de julho no Consulado Geral do Brasil em Hamamatsu

“Nihonjin”, o primeiro romance do escritor paranaense Oscar Nakasato, rendeu ao autor o prêmio Jabuti de 2012, na categoria romance, e 1º Prêmio Benvirá de Literatura.

A obra, escrita com clareza e prudência, conta a história de Hideo Inabata, japonês que emigrou de Kobe, no Japão, para trabalhar nas fazendas de café do interior de São Paulo.

Tendo como pano de fundo a saga do personagem central do livro, o romance relata, com elegância e sem excessos, a história da imigração japonesa para o Brasil, iniciada no alvorecer do século 20.

Narrado com firmeza, sem recorrer a ousadias literárias de cunho estético, Nakasato busca, acima de tudo, segundo suas próprias palavras, contar uma história, resgatar um tempo que, embora recente, parece perdido.

Neto de imigrantes japoneses, sua figura se mistura com a do narrador sem nome, neto do protagonista Hideo, que, com frieza e objetividade, recupera a aventura do avô e de seus descendentes.

O romance, redigido de maneira simples e objetivo, mostra-se fiel a um passado anterior à revolução modernista, no qual se ambienta, e guarda a aparência de um álbum de recordações íntimas. Álbum composto não de fotografias, mas de relatos que têm como único objetivo registrar impressões e capturar nacos da memória.

O romance expõe, de modo igualmente sereno, a luta entre duas visões de mundo: entre aqueles que, mesmo vivendo do outro lado do mundo, se mantêm fiéis ao culto do Japão Imperial, e os que, cientes de que o tempo não volta atrás, preferem se agarrar às coisas do presente.

Movido, mais uma vez, pela ponderação, e fiel a sua estética realista, Nakasato não toma partido nem usa a literatura para desfraldar bandeiras. Como um retratista calejado, limita-se a registrar imagens e a reproduzir relatos, sem desejo algum de neles interferir.

A opção de Nakasato pelo estilo seco e pelo equilíbrio evoca, de certa forma, a mística a respeito do temperamento japonês, que seria sempre criterioso (“zen”), sem se deixar abalar pelos extremos, e caracterizado por um comportamento comedido e protocolar. O protocolo realista domina, de ponta a ponta, Nihonjin, como se, para o autor, as palavras fossem apenas um instrumento para a captura do real. Como se, indiferente às turbulências do modernismo, ele escrevesse ainda agarrado às calças do avô.

Não se pode negar que há uma beleza nessa atitude. Em nossos tempos velozes, quando vivemos hipnotizados pelo futuro, ousar um vigoroso passo atrás não deixa de ser uma prova, senão de coragem, pelo menos de independência intelectual. A certeza de si rege o romance de Oscar Nakasato, um escritor discreto, que faz da timidez e da cautela o seu estilo.

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