Filipinas: em resposta a ameaças, Duterte oferece 500 dólares de recompensa para cada comunista rebelde morto

Tranquilo pela reação contra sua controvertida ordem de disparar nas vaginas das guerrilheiras comunistas, o presidente Rodrigo Duterte ofereceu aos povos indígenas PHP 25.000 (vinte e cinco mil pesos filipinos)  - cerca de US $ 500 - para cada comunista do novo exército popular (NPA) morto.

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Image © (Duterte inspeciona armas de fogo junto com o Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas das Filipinas, Eduardo Ano, durante sua visita ao campo militar na cidade de Marawi, em 20 de julho de 2017. Fonte: Palácio Presidencial de Malacanang via Reuters) Filipinas: Duterte oferece 500 dólares de recompensa para cada comunista rebelde morto - Feb/2018

Filipinas: em resposta a ameaças, Duterte oferece 500 dólares de recompensa para cada comunista rebelde morto.

Tranquilo pela reação contra sua controvertida ordem de disparar nas vaginas das guerrilheiras comunistas, o presidente Rodrigo Duterte ofereceu aos povos indígenas PHP 25.000 (vinte e cinco mil pesos filipinos)  – cerca de US $ 500 – para cada comunista do novo exército popular (NPA) morto.

“Agora, estou oferecendo um prêmio. Ok, (vou pagar) PHP 25,000. Se você trabalha duro rastejando pela floresta, certamente poderá pegar até mesmo um (NPA). Se você consegue acertar um pássaro, quanto mais um NPA cuja cabeça é bem maior”, disse Duterte em uma reunião privada na cidade de Cebu na terça-feira (13), cuja transcrição foi disponibilizada para a mídia.

O NPA é a ala armada do Partido Comunista das Filipinas (CPP), que foi fundado por José Maria Sison, um acadêmico que foi para o exílio na Holanda.

A nova recompensa é maior do que os PHP 20,000 oferecidos por Duterte para os povos indígenas, no início deste mês, em resposta a uma ameaça de Sison de que a guerrilha poderia matar um soldado por dia para pressionar o governo a retomar as negociações de paz.

Na semana passada, falando a mais de 200 NPA, Duterte emitiu uma ordem polêmica aos soldados para disparar na vagina das rebeldes comunistas, provocando um tumulto público, especialmente dos grupos de mulheres.

“Atire em suas vaginas porque sem isso, elas são inúteis”, disse Duterte.

Após a libertação da cidade de Marawi, no sul das Filipinas, das garras dos militantes islâmicos filiados ao Daesh (Estado Islâmico), em outubro passado, Duterte dirigiu as Forças Armadas das Filipinas para esmagar os rebeldes comunistas, formalmente organizados há 49 anos.

Duterte encerrou as negociações de paz com os rebeldes comunistas em novembro, devido a intensificação dos ataques, que tomaram a vida de tropas governamentais e civis.

Em dezembro, Duterte declarou o grupo comunista como uma organização terrorista e usou, entre outros, a solicitação de uma nova extensão da lei marcial em Mindanao, até o final de 2018.

A rebelião do CPP-NPA, que os Estados Unidos também classificam como uma organização terrorista estrangeira, é considerada a mais longa insurgência comunista na Ásia. Os rebeldes são conhecidos por operar nas montanhas que atravessam as terras ancestrais dos povos indígenas das Filipinas.

Na transcrição da reunião privada em Cebu City no início desta semana, Duterte disse que: “Na verdade, estamos lutando uma guerra desesperada contra as NPAs”. O presidente disse que em vez de ir à guerra, oferecendo um PHP 25,000 de recompensa por cada terrorista da NPA morto “economizará bilhões de pesos ao governo”.

A Organização Internacional dos Direitos Humanos criticou Duterte, com o pesquisador filipino Carlos Conde, dizendo que a oferta de recompensa do presidente “encoraja crimes de guerra”.

“Duterte precisa parar de incentivar suas tropas a cometer crimes de guerra e, em vez disso, promover medidas para garantir que os responsáveis por abusos – incluindo membros de grupos rebeldes e milícias – sejam responsabilizados de acordo com o direito internacional”, disse ele em um comunicado.

Conde disse que respeitar os direitos humanos em vez de oferecer recompensas é a melhor maneira de ajudar os povos indígenas, também conhecido como “Lumad”, no sul das Filipinas.

Sandugo, um grupo de muçulmanos e povos indígenas em Mindanao, também criticaram a oferta de recompensas de Duterte, classificando-a como “suborno”.

“Os Lumad sobreviveram aos séculos sem muita necessidade de dinheiro, mas desenvolvendo a terra e os recursos em seus territórios ancestrais. Seu profundo senso de comunidade e identidade os impulsiona a se proteger de pessoas de fora, que querem saquear suas terras”, afirmou.

O co-presidente do Sandugo, Jerome Succor Aba, acrescentou que: “ao tentar dividi-los e confrontá-los uns contra os outros através de treinamento militar e oferta de dinheiro para matar é simplesmente a bastardização de sua cultura”.

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