
Abater ou não? lançamento de míssil norte-coreano traz questões sobre intercepção.
O último lançamento de míssil da Coréia do Norte, que passou sobre o Japão, disparou alertas para que as pessoas buscassem abrigo – ainda assim nem Tóquio nem Washington tentaram interceptar o foguete.
Em agosto um outro foguete foi disparado sobre Hokkaido, e também neste caso, as inúmeras capacidades de interceptação de mísseis japonesas e norte-americanas não foram usadas.
Agora, algumas pessoas nos EUA estão se perguntando por que todo esse armamento sofisticado não está sendo usado, e, especialmente, porque o líder norte-coreano Kim Jong-Un acelera seu objetivo de construir um míssil nuclear capaz de atingir os EUA.
“A próxima vez que os norte-coreanos lançarem um míssil, especialmente um que atravesse o espaço aéreo do nosso aliado, o Japão, espero que o abatam, como uma mensagem para os norte-coreanos e para as pessoas no Japão, que estão contando conosco”, disse a deputada republicana Dana Rohrabacher, aos legisladores, esta semana.
“A menos que demonstremos que estamos dispostos a usar a força, não há razão para eles acreditarem que nós”.
O Comando do Pacífico dos EUA confirmou que o foguete de sexta-feira era um míssil balístico de alcance intermediário (intermediate-range ballistic missile – IRBM, na sigla em inglês), e o Ministério da Defesa de Seul disse que, provavelmente, viajou por cerca de 3.700 quilômetros (2.300 milhas), atingindo uma altitude máxima de 770 quilômetros.
O míssil, que caiu no Oceano Pacífico, representou o que voou mais distante da Coréia do Norte.
Evans Revere e Jonathan Pollack, da Brookings Institution, escreveram, em um documento, que Washington deveria declarar que qualquer futuro míssil norte-coreano, em direção ou sobre território norte-americano ou aliado, seria considerado uma ameaça direta que seria “abordada com toda a gama de capacidade defensiva dos EUA e dos aliados”.
Estados Unidos e o Japão afirmam que podem interceptar mísseis, porém, autoridades dizem que o lançamento de sexta-feira não atingiu esse limite.
Se os EUA e seus aliados “tivessem determinado que era uma ameaça direta, nós o teríamos derrubado”, disse o porta-voz do Pentágono, Coronel Rob Manning, observando o “arsenal de capacidades profundas” dos militares.
Para o Japão, estas incluem baterias Patriot avançadas, que podem interceptar mísseis de baixa altitude, e mísseis SM-3 que estão sendo desenvolvidos com os EUA, que podem atingir mísseis balísticos de curto e médio alcance.
A tecnologia ainda é imperfeita, mas o Pentágono demonstrou que pode atingir Mísseis Balísticos Intercontinentais – ICBM na sigla em inglês, e mísseis de alcance intermediário.
Bruce Klingner, pesquisador sênior da Heritage Foundation, observou que quando a Coréia do Norte lança um míssil que sobrevoa o Japão, o mesmo é mais do que as capacidades de qualquer sistema balístico de defesa de mísseis estacionado nas proximidades, incluindo o SM-3.
Além disso, o Japão é um país pacifista constitucionalmente, limitado a tomar medidas militares apenas em defesa própria.
Hideshi Takesada, um especialista em defesa da Coreia do Norte e professor da Universidade Takushoku em Tóquio, disse à AFP que o Japão planeja interceptar um míssil apenas quando entrar em seu espaço aéreo ou houver perigo de atingir o território japonês.
Os mísseis recentes voaram muito acima do espaço aéreo japonês e nada caiu no solo.
“Portanto, o governo não emitiu uma ordem de destruição”, disse Takesada.
O Japão possui uma boa tecnologia antimíssil, porém, é difícil cobrir todo o arquipélago japonês, observaram especialistas.
“Além disso, é tecnicamente difícil julgar se um míssil que voe em um estágio inicial, poderá ser, realmente, uma ameaça direta ao território japonês”, disse à AFP Akira Kato, professor de política internacional da Universidade J.F. Oberlin, em Tóquio.
O Japão e os EUA não querem arriscar-se a tentar uma intercepção, a menos que haja uma certa ameaça. Uma tentativa fracassada pode causar um grande alarme amplo e dicas para Kim sobre quaisquer limitações.
“Um possível fracasso na interceptação de um míssil só poderá resultar em uma impressão, desnecessária, de que a capacidade do Japão de defesa antimíssil é insuficiente”, disse Kato.
O Japão também tem uma rede de destroyers com mísseis de defesa Aegis, e o presidente Donald Trump quer que Tóquio e Coreia do Sul aumentem as compras de tais equipamentos dos EUA. No caso do Japão, isso poderia incluir a compra de uma versão terrestre do Aegis.
De acordo com o New York Times, os EUA viram o míssil de sexta-feira (15), ser carregado um dia antes.
As atuais tecnologias de defesa de mísseis dos EUA se concentram em interceptar um míssil norte-coreano quando este ainda estiver voando ou durante o estágio “terminal” de seu arco balístico, enquanto cai em direção ao seu alvo.
Porém, o Pentágono também quer desenvolver tecnologias capazes de neutralizar mísseis no momento em que saem da plataforma de lançamento, quando estão em sua chamada “fase de impulso”.
Os mísseis nesse ponto estão carregados de combustível explosivo e viajam mais devagar, por isso são mais vulneráveis e podem ser atingidos por outro míssil, lançado de perto.
Militares norte-americanos também estão explorando o lançamento de ataques cibernéticos e até a possibilidade de montar laser em drones, tornando-os capazes de derrubar mísseis balísticos logo após o lançamento.
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