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Mutilação genital feminina, um ritual frequente na Ásia e Oriente Médio

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Image © - AP/Estudantes indonésias lendo o Alcorão - Mutilação genital feminina, um ritual frequente na Ásia e Oriente Médio - jan/2017

Mutilação genital feminina, um ritual frequente na Ásia e Oriente Médio. Uma campanha global para erradicar a mutilação genital feminina – female genital mutilation (FGM), um costume comumente associado à África, falhará, a menos que esforços sejam estendidos para enfrentar o ritual, oculto, em partes da Ásia e do Oriente Médio, advertiram ativistas.

Os ativistas que participaram de uma importante conferência sobre a FGM, em Roma, nesta segunda-feira, pediram às agências da ONU e governos que começassem a concentrar sua atenção para além da África.

“Parece ser um problema muito, muito maior do que as pessoas pensavam que era há cinco anos,” disse Isis Elgibali do WADI, uma instituição de caridade alemã que trabalha para acabar FGM no Oriente Médio.

“Tenho a sensação de que isso acontece em todo o mundo, mas nem sempre é fácil realizar pesquisas”.

A FGM, normalmente, envolve a remoção total ou parcial dos órgãos genitais externos da mulher.

Às vezes, a abertura vaginal também é costurada.

Outras formas comuns em partes da Ásia envolvem picar ou entalhar o clitóris.

A agência para a infância das Nações Unidas (UNICEF) estima que em todo o mundo cerca de 200 milhões de meninas foram submetidas à FGM, o que muitas vezes causa graves problemas físicos e psicológicos.

Mas os ativistas dizem que isso é uma subestimação, porque é baseado apenas em dados de 27 países africanos, juntamente com o Iêmen, o Curdistão iraquiano e a Indonésia.

“Eu sei que não estou incluída nessa estatística de 200 milhões”, disse Mariya Taher, co-fundadora do grupo asiático anti-FGM Sahiyo, que foi mutilada quando tinha sete anos, na Índia.

“Ser incluída é ser capaz de ter sua história contada, e pode haver milhões de mulheres lá fora, cujas histórias não são ditas.”

Sobreviventes da FGM na Índia e Cingapura quebraram, recentemente, o silêncio em torno da prática em suas comunidades, enquanto estudos acadêmicos revelaram que o ritual também existe em partes do Irã e Daguestão, na Rússia.

Elgibali disse que seu trabalho com refugiados que chegam na Alemanha indicou que alguns sírios também praticavam a FGM.

RELIGIÃO E CULTURA

A FGM está enraizada no desejo de controlar a sexualidade feminina, mas as práticas e crenças variam enormemente.

Pode ser feito em nome da religião ou da cultura.

Veja também: Quase metade das meninas abaixo de 15 anos, na Indonésia, sofreram mutilação genital

Muitos acreditam que confere status social e é um pré-requisito para o casamento.

Outros podem citar razões de higiene.

Alguns vêem isso como um rito de passagem, outros não.

O grupo anti-FGM Orchid Project lista 10 países asiáticos e nove do Oriente Médio onde existem evidências da prática da FGM, incluindo Paquistão, Jordânia, Kuwait, Omã, Malásia e Tailândia.

Mais de 30 organizações lançaram uma petição pedindo que as Nações Unidas examinem o impacto da FGM na Ásia.

Líderes mundiais prometeram eliminar a FGM até 2030, com os objetivos de desenvolvimento global da ONU, acordados em 2015.

“Precisamos contabilizar tudo (FGM) em todos os países”, disse Taher do grupo Sahiyo.

“Se não olharmos para o que está acontecendo em todos os países, não podemos alcançar esse objetivo”.

Os delegados que participaram da conferência, de três dias, do BanFGM em Roma, incluem ativistas de todo o mundo, ministros, agências da ONU e especialistas legais.

Os ativistas asiáticos e do Oriente Médio instaram as Nações Unidas, os governos e os países doadores, a financiarem a coleta de dados e a pesquisa em suas regiões.

“Agora, na Índia, nosso maior problema é que não temos dados”, disse a ativista indiana Masooma Ranalvi, que foi mutilada aos 7 anos e agora pressiona a Índia a aprovar uma lei que proíba a FGM.

“A coleta de dados e a pesquisa são essenciais, porque todo o discurso sobre a FGM até agora tem se centrado na África.

“A África, é claro, precisa de atenção, mas talvez haja outros lugares onde a FGM precise ser combatida.” – Reuters

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