
Kodokushi: as mortes solitárias de Idosos no Japão. É apenas uma palavra, mas uma que representa a mudança no Japão, a solidão e a ruptura dos laços familiares que têm sido a pedra angular da sociedade japonesa durante milhares de anos. É apenas uma palavra – kodokushi – que significa “morte solitária”, mas é muito mais.
A própria palavra refere-se a pessoas idosas, morrendo sozinhas e despercebidas, com seus corpos, às vezes, sendo descobertos semanas ou meses depois. O número de casos é surpreendentemente alto, cerca de 30.000 por ano.
Sem amigos ou parentes por perto, ou, mais infelizmente, ninguém interessado o suficiente na pessoa para ligar ou visitar, os idosos simplesmente morrem sozinhos. Eles deitam no chão de pequenos apartamentos até que o odor da decomposição atrai a atenção de, bem, alguém que se preocupa mais com o cheiro do que com a pessoa. Às vezes, especialmente em áreas rurais, a morte só é descoberta quando o aluguel ou serviços de energia ou gás vencem e um coletor vai para a casa à procura de dinheiro.
Em um caso extremo que beira o macabro, em 2010, Sogen Kato, que pensava-se ser o homem mais velho de Tóquio com 111 anos de idade, acabou por ter sido mumificado em seu próprio apartamento, por mais de 30 anos.
Kodokushi: um produto da sociedade em mudança no Japão

O Kodokushi está intimamente ligado às mudanças sociais em curso no Japão. O Japão está envelhecendo. A idade média da população do Japão está perto da idade de aposentadoria, e muitas farmácias agora vendem tanto fraldas para adultos como infantis.
À medida que os mais jovens abandonam o estilo de vida rural para áreas urbanas, há pouco espaço para parentes velhos em apartamentos minúsculo, e menos tempo, à medida que mais pessoas trabalham mais horas; o padrão tradicional, da esposa, do filho mais velho que cuida dos pais quando envelhecem já não são mais aplicáveis. Em 1980, 60 por cento dos filhos japoneses, eventualmente, viviam separados de seus pais. Em 2005, a taxa subiu para 82 por cento.
Enquanto isso, há uma escassez de ambos, enfermeiros domiciliares para idosos e pessoas para cuidar física, emocional e psicologicamente de seus parentes.
O Japão tem, atualmente, a maior proporção mundial de pessoas mais velhas, com poucas instalações para ajudá-los. Pelo menos 420.000 pessoas idosas estão à espera de camas em lares para idosos.
A nação tem mais animais de estimação do que crianças. Menos mulheres, hoje em dia, estão interessadas em criar uma família, pois a maioria são forçadas a abandonar seus empregos durante a gravidez. Os apartamentos são pequenos e creches também estão em falta. Os japoneses começaram a considerar as crianças como um “recurso precioso”.

As mortes kodokushi, quando finalmente são descobertas, são terríveis. Quando uma pessoa morre, seus intestinos e bexiga, normalmente, descarregam. A decadência começa quase que imediatamente, atraindo insetos e vermes que se alimentam dos restos mortais. A liquefação do corpo passa para o piso e muitas vezes até os substratos de madeira são arruinados
Quanto mais o tempo passa, mais horrenda é a situação. As mortes Kodokushi, sendo agora constantes e a higienização tão onerosa que empresas de limpeza especializadas tem um negócio estável. Uma empresa de limpeza industrial diz que metade do seu trabalho, agora, é relacionado ao kodokushi.
Campanha de sensibilização Kodokushi
Em resposta, muitos governos locais estão se voltando para os voluntários. De um lado, os voluntários são recrutados para visitar idosos que são conhecidos por viverem sozinhos, oferecendo ajuda ou apenas verificando o seu estado.
De outro lado, os idosos também estão sendo recrutados para atividades de contato com a comunidade, e incentiva-os a não se isolar. O Distrito de Shinjuku, em Tóquio, tem uma campanha de sensibilização kodokushi. Ele organiza eventos sociais para tirar as pessoas de seus apartamentos, distribui um boletim informativo para os idosos e monitora seu bem-estar, por exemplo, os coletores de lixo verificam se eles estão colocando o lixo para fora.
A lei de 2001 exige que serviços de utilidade pública informem os escritórios locais de assistência social sempre que os clientes mais velhos, de repente, pararem de pagar suas contas.
No final, no entanto, o problema kodokushi está intimamente relacionado com as mudanças na sociedade japonesa. Qualquer solução a longo prazo para as mortes solitárias deve passar pelas mudanças a longo prazo no Japão. Até então, muitos dos cidadãos mais antigos do Japão vão sentar-se em suas casas e apartamentos, sozinhos, esperando.
Fonte: Xpat Nation http://xpatnation.com/kodokushi-the-lonely-deaths-of-japanese-elderly/#.o93u76d2N
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Parabéns pela matéria. Triste demais ver o descaso com os idosos quando ninguém sente sua falta.
É triste ver como filhos ou netos tratam seus parentes mais velhos, os abandonando e os esquecendo como se não fossem nada! A frieza do povo japonês está destruindo o próprio país, falta de amor ao próximo e a si mesmo! O Japão jamais mudará se a sociedade não mudar sua maneira de pensar ou agir…! Cobrar menos e agir mais, deixar as pessoas se aproximarem e ter mais calor humano, deixarem de ser tão egoistas e aceitarem mais ajuda dos estrangeiros que tem muito a oferecer!!!
Estes idosos japoneses passaram privações durante a guerra e trabalharam muito para reconstruir seu país, que ao encontrar com eles no trem ou no ônibus e oferecer o seu acento, eles logo recusam. São pessoas realmente muito boas, que não querem atrapalhar ninguém mesmo nos seus últimos dias de vida.
Existem voluntários em Gunma? Pois estou vivendo uma situação muito triste, moro em um prédio pequeno onde sou o vizinho mais próximo de um solitário senhor japonês, e que antes de ontem ele me informou que havia contraído cancer nos pulmões e no dia seguinte iria ficar internado aqui no Hospital Kokuritsu Biyoin de Takasaki. Mas como esses casos de cancer nos pulmões são irreversíveis, acredito que ele foi dispensado da internação, ficando agora somente no seu apartamento onde escuto suas tosses.
Se houver algum voluntário em Gunma, Takasaki, entre em contato comigo: 080 3716 2921