Sobreviventes da bomba atômica atacam intenções militaristas de Shinzo Abe

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Imagem: AP/Shizuo Kanbayashi

Manifestantes japoneses lembraram o 70º aniversário do lançamento da bomba atômica sobre Nagasaki para condenar as atuais tentativas do governo de expandir o papel das forças armadas do país, advertindo que uma mudança na Constituição pacifista do Japão irá colocá-lo no caminho para a guerra.

Enquanto o Japão lembrava a tragédia que matou 74 mil pessoas em Nagasaki em 1945, ativistas e sobreviventes do ataque perpetrado pelos EUA uniram vozes contra a proposta de lei que o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe submeteu ao Parlamento para permitir que as tropas japonesas voltem a poder lutar em conflitos no exterior, o que não acontece desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Durante um protesto organizado em Tóquio na semana passada, um sobrevivente do ataque nuclear, Sumiteru Taniguchi, 86 anos de idade, disse que a nova legislação proposta por Abe está em contradição direta com os desejos das vítimas das bombas de Nagasaki e Hiroshima.

“Não podemos aceitar isso. Os projetos de lei de segurança que o governo está tentando avançar colocaria em risco nossa mobilização de longa data pela abolição nuclear, bem como as esperanças dos hibakusha [sobreviventes da bomba atômica]. (…) Depois da guerra, uma Constituição foi promulgada na qual o Japão prometeu ao mundo que nunca mais iria declarar guerra ou pegar em armas novamente. No entanto, o governo está prestes a trazer o Japão de volta para os tempos de guerra”, disse Taniguchi.

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O prefeito de Nagasaki, Tomihisa Taue, também marcou presença nas manifestações contra o projeto de lei, aproveitando a oportunidade para criticar as ações do governo enquanto Abe assistia a uma cerimônia memorial.

“Preocupações e ansiedades estão se espalhando entre nós de que esta promessa feita há 70 anos e o princípio de paz na Constituição japonesa podem agora ser minados”, disse ele.

A controversa legislação foi aprovada na câmara baixa do Parlamento japonês em maio deste ano, em meio a críticas generalizadas e atos de repúdio por parte dos parlamentares dos partidos de oposição. No entanto, o projeto ainda deve passar pela câmara alta do país para se tornar lei.

Os críticos dizem que a legislação viola o artigo 9 da Constituição do Japão, que renuncia à guerra como meio de resolver disputas internacionais. Sobreviventes e ativistas temem que o país possa ser arrastado para novos conflitos liderados por Washington se a nova legislação for aprovada.

Abe tentou apaziguar as reações adversas prometendo que Tóquio não tomaria parte em nenhuma das guerras por procuração de Washington, mas insistiu que o Japão deveria desempenhar um papel mais ativo no estabelecimento de uma aliança de segurança com os EUA na Ásia, a fim de combater uma alegada ameaça representada pela China.

Segundo as autoridades norte-americanas, Pequim tem adotado táticas agressivas no leste da Ásia, no contexto de uma série de disputas territoriais sobre recursos naturais na região.

A Constituição pacifista do Japão foi promulgada durante a ocupação norte-americana do país em 1947, depois de mais de 200 mil pessoas terem morrido nos ataques combinados sobre Hiroshima e Nagasaki.
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