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Reino Unido e Japão voltam a atrair profissionais brasileiros

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O movimento de brasileiros no exterior tem refletido o aumento na intenção de profissionais de morar fora.

A comunidade de cidadãos do país que vivem no exterior, estimada pelo Ministério das Relações Exteriores, chegou a encolher 18% em 2012, cresceu 10% um ano depois (último dado disponível).

Tendência parecida ocorreu com os pedidos de vistos para alguns países ricos.

Marc Le Quenven/Folhapress
A empresária francesa Perrine Demongeot, que desistiu de plano de negócios no Brasil
A empresária francesa Perrine Demongeot, que desistiu de plano de negócios no Brasil

A crise financeira global de 2008 deflagrou uma queda nos pedidos de vistos para o Reino Unido, por exemplo, que não se restringiu aos brasileiros. Mas o recuo e o recente aumento no caso do país foram mais intensos.

As autorizações de entrada para brasileiros atingiram o auge em 2008. A partir daí, na crise, caíram 45% até 2011. Desde então, subiram 70,4% –reflexo da melhora da economia britânica, que aumenta tanto a demanda pela autorização como a concessão dela pelo governo local.

Os vistos concedidos pelo Japão para brasileiros seguiram tendência parecida.

Além do impacto da crise global, os números espelham o último ciclo de boom seguido de forte desaceleração da economia brasileira.

“Voltamos dos EUA há dois anos animados com o futuro promissor. Não imaginava que a situação fosse ficar tão horrível”, diz a produtora de eventos culturais Célia Fadul.

Desde que chegou com a família, Célia tem dificuldade em obter trabalho. “Nunca tive esse problema em outros países”, diz ela, que viveu no México e na França.

Segundo Luis Fernando Martins, da consultoria Hays, os obstáculos do cenário brasileiro tolhem o desenvolvimento profissional. Isso tem feito com que a crise atual abale o ânimo não só de profissionais brasileiros, mas também de estrangeiros, cujo interesse pelo Brasil recua.

“Executivos vão atrás de oportunidades de crescimento na carreira. No Brasil, elas começaram a desaparecer”, diz o executivo Rolf Geir.

Geir voltou para a Alemanha depois de sua segunda temporada no Brasil entre 2008 e 2013.

Segundo Henrique Bessa, diretor da empresa de recrutamento Michael Page, setores que atraíam profissionais de fora, como infraestrutura e petróleo, recuam.

Rafael Lucchesi, diretor do Senai e da CNI, acrescenta que o Brasil não superou os obstáculos para sustentar ciclos mais duradouros.

“Temos elevadas taxas de juros, desequilíbrio fiscal, problemas de ajuste e um sistema tributário que penaliza investimentos e pesquisas.”

Nos momentos de desaceleração, esses gargalos aumentam o peso da crise e afastam investidores.

Transferida para o Brasil em 2011, a francesa Perrine Demongeot resolveu empreender no país, mas acabou desistindo. “Importar insumos e produtos é muito caro, além da burocracia para abrir um o negócio e contratar”, diz Demongeot. Ela abriu sua loja em Paris em 2014.

Folha.uol.com.br

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