Aeronáutica brasileira lança nanossatélite em base nos EUA

Um satélite com tecnologia brasileira, desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA, foi lançado na última semana na Base de Vandenberg, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Levado pelo foguete Falcon 9, o nanossatélite ITASAT já chegou à Estação Espacial Internacional a bordo da cápsula Dragon.

Image © (Estação Espacial Internacion / Reprodução / via Agência Sputnik) Dec/2018

Aeronáutica brasileira lança nanossatélite em base nos EUA.

Um satélite com tecnologia brasileira, desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA, foi lançado na última semana na Base de Vandenberg, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Levado pelo foguete Falcon 9, o nanossatélite ITASAT já chegou à Estação Espacial Internacional a bordo da cápsula Dragon.

ITASAT acoplado ao foguete Falcon9
ITASAT acoplado ao foguete Falcon 9

O satélite é o primeiro equipamento a levar a bordo um software de controle de altitude em três eixos projetado no Brasil. Em entrevista à Sputnik Brasil, o gerente do projeto Dr. Luís Loures, instrutor e pesquisador do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), conta que em um primeiro momento a equipe do ITA se atentará aos dados relativos “à saúde” do satélite.

“Você tem dois tipos de informação [que chegam do satélite]. Primeiro são os dados de saúde do próprio satélite, que dão informações como níveis de temperatura, tensão e corrente. Também recebemos os dados das cargas úteis, que são aquelas que são previstas no programa. Nesse momento, estamos analisando os dados da saúde do satélite”, explica o pesquisador que recebe as informações na estação de solo no próprio ITA, além de duas backups em Santa Maria (RS) e Natal (RN).

O ITASAT transporta como carga útil um transponder de coleta de dados desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais de Natal, um receptor GPS desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em parceira com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e uma câmera comercial com resolução de 80 megapixel no espectro visível, além de um experimento de comunicação com a comunidade de radioamadores, que permite o armazenamento e posterior envio de mensagens de membros do grupo.

O gerente do ITASAT ressalta que o projeto, que reúne professores e estudantes do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, tem como objetivo formar mão de obra qualificada para o setor aeroespacial nacional.

“Existe uma missão que nos foi entregue pela Agência Espacial Brasileira, financiadora do projeto, que é formar recursos humanos para o setor aeroespacial. A gente forma esses profissionais, alunos de mestrado, doutorado e graduação, e faz com que eles trabalhem em contexto. Ou seja, tudo o que eles aprendem em sala de aula eles vão aplicar no trabalho prático como esse de desenvolvimento de um satélite, como esse que nós fizemos”, destaca Loures.

O lançamento do projeto, fomentado pela Agência Espacial Brasileira, estava previsto para 2016, mas, devido a falhas ocorridas nos lançadores, acabou sendo remarcado para este ano. Configurado em 2012 para o padrão CubeSat, um tipo de satélite em miniatura usado para pesquisas espaciais, o nanossatélite foi totalmente integrado para voo em 2016.

Na avaliação do professor Luís Loures, como o ITASAT surgiu com a finalidade primária de formação de recursos humanos para fomentar o setor aeroespacial brasileiro, o projeto foi bem-sucedido e cumpriu o seu papel.

“O nanossatélite foi bem-sucedido, sob o ponto de vista de que colocamos o artefato no espaço e ele está funcionando e transmitindo informação para a gente. Entretanto, existe um mês de análise que nós vamos fazer. Hoje estamos trabalhando no modo segurança, e a partir do momento que tivermos certeza de que tudo está OK, nós passaremos para o modo observação, que está previsto no projeto do satélite”, ressalta.

Além do nanossatélite brasileiro, o Foguete Falcon 9 levou ao espaço 15 microssatélites e outros 55 cubosats de entidades comerciais e governamentais, dos quais mais de 30 são de organizações internacionais de 18 países. De acordo com a Força Aérea Brasileira, entre as cargas a bordo, 23 são de universidades, 19 são satélites de imagens, 23 são demonstrações de tecnologia, 2 são exposições de arte e 1 é de ensino médio.