Estagiários vietnamitas processam empresa de Fukushima por causa do trabalho em descontaminação

Três homens vietnamitas, do programa de estagiários estrangeiros no Japão, processaram uma empresa de construção por fazê-los realizar trabalhos de descontaminação radioativa relacionados ao desastre nuclear de março de 2011 na Prefeitura de Fukushima, sem explicação prévia, disseram os peticionários nesta quarta-feira (4).

Image © (Imagem referencial / via Kyodo News) Sep/2019

Estagiários vietnamitas processam empresa de Fukushima por causa do trabalho em descontaminação

Três homens vietnamitas, do programa de estagiários estrangeiros no Japão, processaram uma empresa de construção por fazê-los realizar trabalhos de descontaminação radioativa relacionados ao desastre nuclear de março de 2011 na Prefeitura de Fukushima, sem explicação prévia, disseram os peticionários nesta quarta-feira (4).

O processo, datado desta terça-feira (3), e apresentado no Tribunal Distrital de Fukushima, exigiu que a empresa Hiwada Co, com sede em Koriyama, na prefeitura do nordeste do Japão, pague um total de cerca de 12,3 milhões de ienes em danos, de acordo com os advogados.

O caso é o último de uma série de condutas impróprias do Programa de Treinamento de Estagiários Técnicos do governo japonês, que tem sido frequentemente criticado como uma cobertura para mão-de-obra barata.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Zentouitsu, um sindicato de trabalhadores baseado em Tóquio, que apoia estagiários estrangeiros, a Hiwada fez os demandantes realizarem trabalhos de descontaminação nas cidades de Koriyma e Motomiya, na Prefeitura de Fukushima, entre 2016 e 2018.

Os vietnamitas, que chegaram ao Japão em julho de 2015, também fizeram trabalhos de tubulação na cidade de Namie enquanto as ordens de evacuação ainda estavam em vigor.

Os contratos dos demandantes apenas informaram que estariam envolvidos na colocação de reforço de aço e instalação de painéis de revestimento.

A Hiwada não lhes forneceu explicações detalhadas sobre o trabalho de descontaminação antes, e também não ofereceu treinamento suficiente.

“Não nos disseram que era um trabalho perigoso. Estou muito preocupado com a minha saúde futura”, disse um dos queixosos, de 36 anos, em declaração por escrito.

Em casos separados, estagiários estrangeiros afirmaram que estavam envolvidos, indevidamente, em trabalhos de descontaminação em Fukushima, incluindo um homem vietnamita que disse, em março do ano passado, que foi contratado por uma empresa de construção em Morioka, província de Iwate.

O Ministério da Justiça e o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar disse que o trabalho de descontaminação não se encaixa no propósito do programa de trainee.