Japão cancela exibição da estátua “mulheres de conforto” depois de ameaças

Uma exposição japonesa, com uma controversa obra de arte sul-coreana retratando uma escrava sexual em tempo de guerra, foi cancelada após ameaças de violência, acompanhando o enfraquecimento dos laços bilaterais entre os países.

Image © (A estátua simboliza "mulheres de conforto", que foram forçadas a escravidão sexual em bordéis militares japoneses em tempo de guerra. Foto: Kyodo / Reprodução / via South China Morning Post) Aug/2019

Japão cancela exibição da estátua “mulheres de conforto” depois de ameaças

Uma exposição japonesa, com uma controversa obra de arte sul-coreana retratando uma escrava sexual em tempo de guerra, foi cancelada após ameaças de violência, acompanhando o enfraquecimento dos laços bilaterais entre os países.

O cancelamento ocorre quando as relações entre Tóquio e Seul estão abaladas por amargas disputas sobre território e história decorrentes do domínio colonial japonês sobre a península coreana, na primeira metade do século XX.

A exposição, que fazia parte de um grande festival de arte em Aichi, no Japão central, foi encerrada no sábado (3), após apenas três dias.

Com o título “Depois da Liberdade de Expressão?”, o evento foi dedicado a mostrar obras que foram censuradas em outros lugares e foi originalmente programado para durar 75 dias.

A estátua – uma menina com roupas tradicionais sul-coreanas sentada numa cadeira – simboliza as “mulheres de conforto”, que foram forçadas a escravidão sexual em bordéis militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

O governador de Aichi, Hideaki Omura, que dirige os organizadores do festival, disse que eles receberam uma série de e-mails, telefonemas e faxes ameaçadores contra a exposição.

Omura disse que um dos faxes dizia “vou visitar o museu carregando um galão de gasolina”, que evocou o ataque incendiário do mês passado a um estúdio de animação em Kyoto, que matou 35 pessoas.

“Tomamos a decisão porque tememos não poder organizar a exposição com segurança”, disse o governador.

Muitos historiadores dizem que até 200.000 mulheres, a maioria da Coreia, mas também de outras partes da Ásia foram forçadas a a escravidão sexual em bordéis militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

Nos últimos anos, ativistas criaram dezenas dessas estátuas em locais públicos em todo o mundo, muitas delas na Coreia do Sul, em honra das vítimas.

As estátuas provocaram a ira de Tóquio, que insistiu na remoção de uma delas no exterior da sua embaixada em Seul.

Na sexta-feira (2), o Japão e a Coreia do Sul anularam o estatuto de parceiros de exportação preferenciais, um do outro, e Seul disse que iria rever um acordo de troca de informação militar, uma vez que uma longa disputa entre os aliados dos Estados Unidos atingiu um novo mínimo.

Os dois países – democracias e economias de mercado – também estão atolados em disputas de longa data, sobre o uso de trabalho forçado durante a Segunda Guerra Mundial.