Brasil sai da Unasul e ‘vira página’ esquerdista na região

O Brasil denunciou na última segunda-feira (15) o Tratado Constitutivo da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e formalizou sua saída da organização. O especialista em Relações Internacionais, David Magalhães, fala sobre o significado desta saída para a política na região.

Image © (Reunião de ministros do Petroleo dos países da Unasul / Reprodução / via Agência Sputnik) Apr/2019

Brasil sai da Unasul e ‘vira página’ esquerdista na região

O Brasil denunciou na última segunda-feira (15) o Tratado Constitutivo da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e formalizou sua saída da organização. O especialista em Relações Internacionais, David Magalhães, fala sobre o significado desta saída para a política na região.

Em abril, a decisão de sair do bloco foi tomada pela Argentina, Equador e Colômbia, enquanto o Paraguai, Chile e Peru suspenderam a participação na aliança.

Com o recente anúncio do Itamaraty de abandonar o bloco, o professor de Relações Internacionais da PUC-SP e da FAAP, David Magalhães, em entrevista à Sputnik Brasil, disse considerar que a saída do Brasil da Unasul pode ser entendida como uma “virada de página” de um período de cunho esquerdista na região por parte dos governos progressistas que assumiram o poder em diversos países do continente.

“Eu acho que diante de tudo que se está demonstrando que está acontecendo na América Latina, no sul, principalmente, de uma virada ideológica, de certa forma conservadora, a Unasul foi perdendo a sua razão de ser e aos poucos foi sendo abandonada”, afirma.

O especialista explica que a Unasul foi concebida num momento em que havia uma coalizão de governos de esquerda no América do Sul, alinhando esses governos nesse período.

“No entanto, ao contrário do que o Bolsonaro disse nas redes sociais, a Unasul não é um projeto venezuelano. A Venezuela tinha o seu projeto que era a Alba, um projeto bolivariano e socialista mesmo. Tinha um outro projeto que era fundamentalmente liberal e americano, que era a Alca. E a partir de 2008, o Brasil apresentou um projeto de integração que tentaria se encontrar como um ponto médio entre os dois, mas tendendo mais a uma visão de política internacional desses governos de esquerda, que foi a Unasul”, explica.

De acordo com ele, na medida em que os governos de esquerda foram caindo um a um na região, e houve uma ascenção de cunho liberal em vários países do continente, a Unasul foi observada por esses governos liberais como um projeto de um passado esquerdista da região.

“Então seria uma forma virar essa página e, como diz a expressão do momento, começar uma ‘nova era’ na América do Sul”, completa David Magalhães.

O professor de Relações Internacionais destacou também que a Unasul não tem força para se manter com os membros constitutivos que se mantiveram na organização.