Filipinas: Ex-policial diz que matou 200 enquanto estava no esquadrão da morte de Davao

Image © (O policial aposentado Arturo Lascanas faz um juramento, antes de depor no inquérito do Senado filipino sobre supostas execuções extrajudiciais, em Manila, na segunda-feira (6) / Erik De Castro / Reuters) Filipinas: Ex-policial diz que matou 200 enquanto estava no esquadrão da morte de Davao - Mar/2017

Filipinas: Ex-policial diz que matou 200 enquanto estava no esquadrão da morte de Davao. Um policial sênior aposentado, nas Filipinas, admitiu ter matado 200 pessoas por suas próprias mãos ou ao supervisionar operações do chamado “Davao Death Squad (DDS)” por ordem do presidente Rodrigo Duterte, que foi prefeito da cidade por 22 anos.

Testemunhando contra o presidente no Senado, Arturo Lascanas disse que o radialista Jun Pala e Fred Sotto – ex-comentarista – estavam entre os mortos, entre 1989 e 2015.

De acordo com a ABS-CBN News, Lascanas, que afirma ter sido o líder do esquadrão da morte, disse que nem sempre atirava nas pessoas, mas também supervisionava as operações.

Ele disse ter matado 300 pessoas, 200 das quais enquanto servia como membro do esquadrão da morte, com seu último assassinato em 2015.

Ele também detalhou dois casos em que havia assassinado críticos de Duterte, sob a instrução do guarda-costas do então prefeito.

“Desde que o DDS começou, em 1989, vamos apenas dizer, (nós matamos) quase 200 pessoas”, disse ele, citado pela GMA News Online.

Lascanas, que chorou diante das câmeras quando revelou sua história, há duas semanas, é a segunda pessoa a depor diante dos legisladores pelas supostas ligações de Duterte com um esquadrão da morte.

Os aliados de Duterte descartam as acusações como sendo um complô de seus opositores para desacreditar um líder popular e sua guerra contra as drogas, uma campanha que os críticos dizem ter semelhanças perturbadoras com um padrão de assassinatos misteriosos em Davao.

“Eu temia pela vida dos meus entes queridos”, disse Lascanas quando perguntado por que ele havia negado que o esquadrão da morte existisse.

Ele disse que mudou de testemunho porque estava atormentado pelo que tinha feito e queria que a verdade “me libertasse”.

Foi “por causa do meu desejo de dizer toda a verdade, não só por causa da minha renovação espiritual, mas o temor de Deus, eu queria limpar minha consciência”, disse ele.

Duterte tem, repetidamente, negado seu envolvimento em execuções sumárias, seja como presidente ou durante seus 22 anos como prefeito de Davao.

Seu chefe de polícia, Ronald dela Rosa, um ex-chefe de polícia de Davao na administração de Duterte, descartou as alegações do esquadrão da morte como um mito criado pela mídia.

Grupos de direitos humanos documentaram cerca de 1.400 assassinatos suspeitos em Davao, enquanto Duterte era prefeito, e os críticos dizem que a guerra contra as drogas que ele desencadeou como presidente tem os mesmos sinais.

Numerosas investigações não encontraram nenhuma prova ligando Duterte a essas mortes.

Mais de 8 mil pessoas morreram em todo o país, desde que Duterte tomou posse há oito meses, principalmente usuários de drogas, mortos por pistoleiros misteriosos em incidentes que autoridades atribuem a vigilantes, membros de gangues que silenciam informantes ou assassinatos não relacionados.

A polícia rejeita as acusações dos ativistas de que estão por trás da maioria dessas mortes. A polícia disse que eles foram responsáveis por 2.555 desses casos, quando os suspeitos de drogas tinham resistido à prisão.

Na segunda-feira (6), dela Rosa anunciou o relançamento das operações antidrogas da polícia, depois da suspensão de um mês.