Ministra indiana admite ter golpeado estuprador “até que a sua pele saísse”

Image © (via @umasribharti.) Ministra indiana admite ter golpeado estuprador "até que a sua pele saísse" - feb/2017

Ministra indiana admite ter golpeado estuprador “até que a sua pele saísse”. Uma ministra do gabinete indiano admitiu, supreendentemente, esta semana, que torturou estupradores até que implorassem por suas vidas, durante seu tempo como Ministra-Chefe no estado de Madhya Pradesh, há uma década atrás.

Uma Bharti, que é ministra dos recursos hídricos e líder do partido Bharatiya Janata (BJP), também disse que ela permitiu que uma sobrevivente de estupro assistisse a tortura, para que ela pudesse obter alguma “paz”.

De acordo com o Times Of India, Bharti fez a declaração em uma campanha para um político em Agra, no estado de Uttar Pradesh.

Ela disse, em referência ao recente estupro de uma mulher e sua filha por ladrões que: “Os estupradores devem ser pendurados de cabeça para baixo e espancados até que sua pele se desprenda, sal e pimenta devem ser esfregados em suas feridas, de modo que implorem por suas vidas. Era isso que eu fazia quando era Ministra-Chefe. ”

Bharti foi Ministra-Chefe de 2003 a 2004.

O Times Of India também a citou, como dizendo que não levou em conta os objeções da polícia quanto ao seu tratamento dos estupradores.

“Eu disse a eles (polícia) que as pessoas que se comportam como ‘danav’ (demônios) não têm direitos humanos. Suas cabeças devem ser cortadas como a de Ravana.

Ravana é um rei demônio, de acordo com a mitologia hindu.

Um relatório da Indian Express, no entanto, disse que altos funcionários do governo de Bharti não se lembravam de nenhum desses incidentes.

S. K. Das, que serviu durante oito meses como diretor-geral da polícia de Madha Pradesh durante o mandato de Bharti como Ministra-Chefe, disse que teria demitido qualquer policial que ousasse realizar tal tortura.

“Não se pode sequer pensar em fazer algo assim. Se um policial o tivesse feito, eu o teria preso e suspendido de seus deveres. Nosso dever é proteger a lei e a ordem, não praticar atos ilegais como esses “, disse ele.

“Quando até mesmo um thappad (tapa) pode servir de base de acusação sob a seção 323 (punição por ferimento causado voluntariamente), quanto mais a tortura.

“Ela é uma política e é livre para falar o que quiser”, disse ele, referindo-se a Bharti.

Bharti é conhecida por fazer comentários controversos e sua posição linha dura sobre crimes de estupro. Ela também é descrita pela mídia local como sendo uma pessoa que busca pela espiritualidade.

No ano passado, durante os confrontos entre a Índia e o Paquistão, por um ataque a uma base do exército indiano e pelo assassinato de soldados, Bharti, em defesa dos ataques de retaliação contra seu vizinho, disse: “Aqueles que procuram provas de ataques cirúrgicos devem ir ao Paquistão” .

As revelações de tortura de Bharti irão, provavelmente, ressoar na Índia, um país onde o estupro e outros crimes contra as mulheres são freqüentemente descritos como banais.

Nova Deli, conhecida como capital de estupro da Índia, registrou 140 casos de estupro e 238 casos de abuso sexual em janeiro deste ano, de acordo com um recente relatório do Hindustan Times.

Destes, 43 e 133 casos, respectivamente, permanecem sem solução.

O relatório também disse que em 2016, um total de 2.155 casos de estupro foram registrados pela polícia de Deli, 291 dos quais não resolvidos, enquanto 4.165 casos de abuso foram registrados, com 1.132 não resolvidos.

Também em janeiro, o órgão de controle dos direitos humanos da Índia afirmou, depois de concluir uma investigação sobre os relatos de que a polícia atacou várias aldeias no estado de Chhattisgarh, que 16 mulheres tribais foram estupradas pelos responsáveis pela aplicação da lei.