Brasil: Parque olímpico do Rio de Janeiro, medalha de ouro em abandono

Image © (Reuters/Pilar Olivares) - Brasil: Parque olímpico do Rio de Janeiro, medalha de ouro em abandono - feb/2017

Brasil: Parque olímpico do Rio de Janeiro, medalha de ouro em abandono. Seis meses após o fim dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, o legado que ficou para a cidade é bem diferente daquele prometido pelos governos municipais e estaduais.

O estado de total abandono das instalações do Parque Olímpico na Zona Oeste, que consumiu R$ 7 bilhões em obras, é flagrante.

Prédios abandonados, piscinas vazias, sujeira, equipamentos quebrados e um cenário que impressiona turistas e visitantes.

Das nove instalações que compõem o Parque Olímpico, a promessa era de manter sete após o fim dos jogos, incluindo a Arena Rio, o Parque Aquático Maia Lenk, Arenas 1 e 2 e o Centro de Tênis.

O Velódromo seria desmontado, mas seu destino continua incerto.

Outra promessa ainda não cumprida é a de adaptar parte das instalações para funcionarem como escolas públicas.

Para piorar, na Vila dos Atletas, os grandes condomínios de 30 andares continuam vazios.

Com a recessão que afeta o Brasil há dois anos, não há compradores que possam bancar o preço das unidades, as mais baratas cotadas acima de R$ 1 milhão.

Para Renato Cinco, vereador do PSOL, o processo foi equivocado desde o início.

“Desde a vinda das Olimpíadas para o Rio de Janeiro até todo o processo de execução das obras, a gente fez várias críticas. Uma importante: a reurbanização da Zona Portuária faz parte do legado olímpico. Eu fui um daqueles que defendeu que as Olimpíadas fossem na Zona Portuária. A vinculação da Zona Portuária com as Olimpíadas virou uma forçação de barra, porque houve muito pouca instalação olímpica na Zona Portuária”, diz o parlamentar. 

Cinco diz que o potencial das Olimpíadas poderia ser usado para resolver a falta de habitação na região central da cidade. Segundo ele, se o Parque Olímpico e a Vila dos Atletas tivessem sido construídas lá, hoje seria possível uma oferta de imóveis de baixa renda e para a classe média, ajudando a enfrentar um grave problema da cidade que é a mobilidade.

“A opção foi pela especulação imobiliária  e uma aposta econômica equivocada. Apostar que o Rio de Janeiro iria ter dois eixos de desenvolvimento urbano — o da Zona Portuária e ao mesmo tempo o da Zona Oeste — foi um erro. Naquela época, o Sindicato dos Arquitetos já criticava essa aposta.”

O vereador diz que outro erro foi fazer da Vila dos Atletas imóveis de luxo.

“Além de escolherem o lugar errado para fazerem as Olimpíadas, também escolheram o modelo errado de aproveitamento da Vila dos Atletas, com aposta em imóveis de luxo e não para baixa renda e classe média. Faz parte da história do Rio de Janeiro, há um século pelo menos, que o poder público investe na expansão imobiliária na zona litorânea da cidade. Ele entra nas regiões onde a especulação imobiliária está interessada, expulsa os pobres em Ipanema, Copacabana, Lagoa, Barra, Recreio e agora no Parque Olímpico e na Vila dos Atletas”, garante o parlamentar.

Na visão de Cinco, o que se fez com as Olimpíadas do Rio de Janeiro foi a velha lógica do poder público de financiar a expansão imobiliária da cidade para regiões cada vez mais longe do Centro causando não só problema com a mobilidade, mas também dano ao meio ambiente.

“O Rio não tem justificativa para fazer isso. Perto do Centro, especialmente na Zona Portuária e nas regiões próximas do Centro, na Zona Norte, a capacidade de adensamento da ocupação é mais do que suficiente para garantir a expansão da moradia para essa população que vai se expandir nos próximos anos. Nos dois mandatos do prefeito Eduardo Paes, a Prefeitura pediu R$ 10 bilhões em empréstimos para poder financiar essas apostas equivocadas”, denuncia.

No final da gestão passada, a Câmara Municipal começou a discutir o Plano de Estruturação Urbana das Várzeas. Segundo Cinco, a nova fronteira de expansão que interessa à especulação imobiliária é do Parque Olímpico em direção às Guaratibas, passando pelas várzeas, onde se vai ver o direito das populações pobres e o meio ambiente serem atacados de novo.