Sá & Guarabyra: Os Grandes Ícones da MPB. Sá & Guarabyra antes de formarem dupla já atuavam como músicos e compositores individualmente. No início, o carioca Sá (Luiz Carlos Pereira Sá) foi gravado, entre outros, por Pery Ribeiro (“Escadas do Bonfim”, “Giramundo”), Nara Leão (“Menina de Hiroshima” com Chico de Assis) e MPB4 (“Samenina”) e o baiano Guarabyra (Gutemberg Nery Guarabyra Filho), ex-integrante do grupo Manifesto, ganhou o 1º. Festival da Internacional da Canção com sua “Margarida”. No princípio dos anos 70 formaram, junto com o carioca Zé Rodrix, o trio Sá, Rodrix e Guarabyra, que gravou dois LPs. Com a saída de Rodrix em 1973, a dupla decidiu continuar unida e lançou, no mesmo ano, o disco “Nunca”. Com um estilo musical conhecido como rock rural, a dupla foi influenciada pelos grandes nomes do rock dos anos 70 (Bob Dylan, Beatles, Crosby, Stills & Nash) e pela música caipira, do interior do Brasil. Entre seus maiores sucessos estão “Espanhola”, “Sobradinho” e canções que fizeram parte da trilha sonora da novela “Roque Santeiro”, da TV Globo: “Verdades e Mentiras”, “Roque Santeiro” e “Dona”.

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O histórico do grupo inicia no ano de 1971, quando Luiz Carlos Sá, Zé Rodrix e Guttemberg Guarabyra, movidos pela amizade que havia entre eles e pela identidade musical que compartilhavam, formaram o trio Sá,Rodrix & Guarabyra, que explodiu nas rádios em 1972 com”Hoje Ainda é Dia de Rock “e caíram na estrada Brasil afora realizando centenas de shows. Nessa época lançaram pela gravadora Odeon os LPs “Passado, Presente, Futuro”284244_167708729969712_8124897_n(1972) , ” Terra” e “Nunca”(1973). Em 1974 Zé Rodrix se desligou do trio e Sá & Guarabyra passaram a se apresentar em dupla. Participaram de alguns festivais como os de Juiz De Fora em 1972, 73 e 74. Luiz Carlos Sá, tinha sempre canções classificadas, enquanto Guarabyra foi agraciado com o prêmio máximo com a música “Margarida”, e foi nesse mesmo festival, que Zé Rodrix em parceria com Tavito venceu com a canção “Casa no Campo”, gravada mais tarde com grande sucesso pela cantora Elis Regina.

A dupla assinou com a gravadora Som Livre em 1977, onde lançaram o LP “Pirão de Peixe Com Pimenta”, que apresenta uma leitura do ritmo nordestino por instrumentos elétricos, destacando-se o xote moderno “Sobradinho”(Sá &Guarabyra) e a canção “Espanhola” (Flávio Venturini e Guarabyra), entre outras. Em 1979 gravaram o LP “Quatro”, que incluiu os sucessos “7 Marias” e “Pássaro”(Sá &Guarabyra), está última com novo título, o anterior era “Um Cantador”, para escapar da censura oficial em vigor durante o regime militar. Em 1983 a dupla comemorou10 anos de carreira e lança o disco “10 Anos Juntos”, que marca o fim da fase do rock rural e fica 30 anos no catálogo da RCA – Ariola, vendendo mais de um milhão de cópias nessa trajetória.

316410_10200592982060725_1113553211_nNo ano de 1984, eles apresentam um trabalho musical, com um som mais urbano, gravando o LP “Paraíso Agora”. Seguiu-se o “Harmonia”(1985) incluindo as canções “Roque Santeiro” e “Dona” que foram trilhas sonoras da novela “Roque Santeiro”/TV Globo.

Em 1987 , eles lançaram o LP “Cartas, canções e palavras”, (1991) “Vamos por ai” e em (1994) “Sá & Guarabyra”.

“Sá & Guarabyra” apresentaram-se ao lado de Beto Guedes em 1996 em vários shows, sendo o principal realizado no Canecão (RJ). No ano seguinte, lançam o CD “Rio-Bahia” e no ano de 1999 a dupla se apresenta em São paulo, ao lado da Orquestra Sinfônica de Americana, sob a regência do maestro Carlos Lima. O espetáculo foi gravado ao vivo e lançado em CD.

Em 2001 voltaram a se apresentar em trio com Zé Rodrix, participando do II Rock in Rio e sendo novamente contratados pela Som Livre, lançando em CD e DVD o “Outra Vez na Estrada”. Guarabyra diz que vai revelar os segredos das canções “Espanhola” (Flávio Venturini e Guarabyra) e “Dona” (“Sá & Guarabyra”) entre outras no Volume IV do livro “Então, foi assim” do “Biografo das canções” e pesquisador Ruy Godinho.482430_2979317737639_229851434_n

VITÓRIAS E DERROTAS/ Por Luiz Carlos Sá.

Eu particularmente curti muitas vitórias e sofri outras tantas derrotas na vida. Pra nossa geração musical, criada em festivais, era deles que surgia a surpresa de sermos transformados em vencedores ou vencidos, ídolos ou anônimos da noite pro dia. Passei por vários e embora não tenha ganhado nenhum, capitalizei muita experiência em participações e conhecimento de causa. Cancha, enfim, que me foi utilíssima na carreira, se é que isso pode servir de consolo numa era e num país onde só o primeiro lugar é válido.

Os Festivais eram uma espécie de vestibular para a turma jovem que iria se iniciar na profissão. Juntávamo-nos todos, entusiasmados, e ficávamos discutindo as músicas que poderiam levantar a galera. E põe galera nisso: das várias centenas nos das TVs Excelsior e Record a dezenas de milhares no maior deles, o Internacional, no Maracanãzinho. Gente de todos os tipos e gostos que torcia futebolisticamente – olha a metáforazinha aí de novo, que fazer… – por sua música favorita e vaiava sem dó as favoritas dos outros, fazendo com que muito pouco som fosse de fato ouvido nas fases decisórias. O melhor dos Festivais de Música dos anos 60 e 70 era sua absoluta democracia: misturavam-se no palco e na feroz concorrência nomes consagrados e desconhecidos, o que dava a nós, principiantes, a alegria adicional de ficar ombro a ombro com nossos ídolos nos camarins.

598465_346695358737714_1668446562_nNosso “vestibular de composição” era dividido em três fases: o chamado “balaio”, onde um secretíssimo júri selecionava uns dez por cento das milhares de músicas enviadas do Brasil inteiro; a seleção das classificadas, que seriam apresentadas e televisadas em duas ou três séries; e depois das eliminatórias, as finalíssimas, com as classificações definitivas e os prêmios adicionais de costume, tipo melhor cantor, cantora, arranjo, etc.. Pra nós, um Oscar.

Em 1966 meu amigo e guru, o poeta e letrista Nelson Lins de Barros, convenceu-me a inscrever músicas no 1° Festival Internacional da Canção, o FIC. Eu mesmo não levava muita fé em mim e agradabilissimamente surpreso em me ver classificado para as apresentações no Maracanãzinho.

Talvez seja difícil pra vocês imaginar o deslumbramento que nós, jovens compositores, sentíamos ao ver nosso trabalho reconhecido ao lado dos Badens, Vinícius, Edus Lobos e até Caymmis e Tons. Imaginem! Euzinho mal entrado na pós adolescência, naquele camarim olhando meus maestros preferidos discutirem arranjos, meus cantores favoritos me ensinando exercícios de voz, meus compositores mais queridos mostrando uns aos outros suas ainda mal terminadas autorias… Era de cair de costas. Talvez tenha sido até por isso que em vez de dá-la à interpretação experiente e profissionalíssima do amigo Pery Ribeiro, que adorava a música, fiz questão de cantar eu mesmo minha “Inaiá”, um samba de viés folclórico muito à minha moda de então, que recebeu um arranjo primoroso do querido maestro Lindolfo Gaya. Derrota: fui pras finais, mas tremi na última apresentação e peguei um melancólico nono lugar. Vitória: ouvir vinte mil pessoas me aplaudindo no meio da música, na apresentação eliminatória. No ano seguinte, inscrevi-me de novo, mas aí a derrota foi total: não passei do balaio. Em compensação, meus amigos mais chegados estavam todos já na crista dos festivais. O MomentoQuatro, quarteto vocal-instrumental de Zé Rodrix, Mauricio Maestro, Ricardo Villas e David Tygel dividia o palco com Edu Lobo e Marília Medalha e vencia o III Festival da Record com a magistral “Ponteio” (Edu Lobo – Capinam). E meu recém, mas já muito amigo e futuro parceiro de música e vida Guarabyra disputava com sua “Margarida” as finais da parte nacional do II FIC, coadjuvado pelo Grupo Manifesto de Gracinha Leporace, Guto Graça Mello, Mariozinho Rocha, Augusto Pinheiro e outros. Recebi um convite pra assistir à final nacional, mas embora morasse na Tijuca, perto do Maracanãzinho, não me animei a ir: minha desclassificação ainda me doía muito. Preferi a TV. E de repente, no meio de um cochilo, ouço o apresentador anunciar:

– E a vencedora é… “Margarida”, de Guttemberg Guarabyra, apresentada pelo autor e o Grupo Manifesto!

Dei um pulo de três metros e caí do sofá, perplexo. Meu amigo ganhara!943074_641560865861388_1111464061_n

Fiquei vendo a emocionada reapresentação da turma, no meio da balbúrdia de milhares de pessoas que acenavam enormes margaridas de papiê machê, com um arrependimento sem fim de não ter pulado fora daquele bode idiota e ido ver o que acabara por ser a vitória do amigo, saído meteoricamente do anonimato de Bom Jesus da Lapa para a fama estratosférica que um festival daqueles dava, em termos inclusive de cobertura internacional, já que a vencedora do Brasil partia para concorrer com a mais badalada ainda parte internacional do Festival.

Mas enfim, a vitória dele consolou minha derrota e eu parti com mais convicção e menos medo para outras competições, em outros FICs ou nos importantes Festivais Estudantis da TV Tupi que revelaram João Bosco, Ivan Lins e Gonzaguinha e no menos badalado – mas não menos importante – Festival de Juiz de Fora, onde conheci Milton, Lô, Tavito, Beto Guedes e toda a turma mineira que desembocou no Clube da Esquina. Jamais ganhei nenhum festival. Mas não carreguei comigo o ranço da derrota, porque neles acabei por aprender o papel da música e da amizade na minha vida. Aprendi a abraçar sem inveja, a tocar junto, a compor em parceria, a comemorar a justa vitória alheia e a lamentar com sinceridade a derrota injussem fingir o inexistente fairplay de uma hora frustrante.

Éramos quase todos muito jovens. As vitórias e derrotas dessa época ajudaram-nos a criar os calos necessários e fazer com que conhecêssemos melhor o mundo real e muitas vezes cruel e inflexível de nossa profissão, entendendo que por trás daquele glamour havia uma exigência de dedicaçãoe seriedade. E que em vez de ficar ricos talvez tivéssemos que ser apenas felizes.

1187116_10201113561973695_1822622476_nÉ pra isso que servem as vitórias. E as derrotas também!

Sá & Guarabyra, em dupla ou com outros parceiros, tiveram suas músicas gravadas por dezenas de artistas de variadas tendencias e gerações, como Milton Nascimento, Ivan Lins, Ellis Regina, Roupa Nova, Chitãozinho & Chororó, Biquini Cavadão, Zizi Possi, Gilberto Gil, Marina Lima, Quarteto em Cy, MPB4, Simone, Erasmo Carlos, João Donato e muitos outros.

Em 2015 a dupla lançou o “SongBook” – Sá & Guarabyra – CD Kuarup com 14 canções e SongBook com 35 canções pela coleção Almir Chediak (Irmãos Vitale editora)

(2015) “SongBook” – Sá & Guarabyra – CD Kuarup e SongBook pela coleção Almir Chediak (Irmãos Vitale editora)
(2010) – “Amanhã” – Sá, Rodrix & Guarabyra – CD Roupa Nova Music
(2001) – “Outra Vez na Estrada” (Sá, Rodrix & Guarabyra) – CD e DVD Som Livre )
(1999) Sá & Guarabyra com a Orquestra Sinfônica de Americana-ao vivo Indie Records Music • CD
(1999) O essencial de Sá & Guarabyra • BMG • CD
(1997) Rio-Bahia • RGE • CD
(1996) Sá & Guarabyra-Série Aplauso • RCA/BMG • CD
(1994) O melhor de Sá & Guarabyra • RCA • CD
(1993) Sá & Guarabyra • Eldorado • CD
(1991) Sucessos de Sá & Guarabyra • Som Livre • LP
(1990) Vamos por aí • Eldorado
(1990) Trilha da novela “Pantanal” (faixas “Estrela natureza” e “Quem saberia perder”, com Ivan Lins) • Bloch Discos
(1989) SOS Brasil (faixa “Itaorna”) • Som Livre • LP
(1988) Quinze anos juntos • Discoban • LP
(1987) Cartas, canções e palavras • RCA Victor • LP
(1985) Harmonia • RCA Victor • LP
(1985) Roque Santeiro/A longa noite • RCA Victor • Compacto simples
(1984) O paraíso agora • RCA Victor • LP
(1983) 10 anos juntos • RCA Victor
(1982) MPB Shell(faixa “Dona”) • Som Livre • LP
(1979) Quatro • Som Livre
(1977) Pirão de peixe com pimenta • Som Livre
(1975) Cadernos de viagem • Continental
(1974) Nunca • Odeon
(1973) Terra – Sá, Rodrix & Guarabyra – Odeon
(1972) Passado, Presente, Futuro (Sá, Rodrix & Guarabyra) – Odeon

Radio Shiga by Cleo Oshiro

Sá & Guarabyra: Os Grandes Ícones da MPB
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Cleo Oshiro
Sou a Cleo Oshiro, uma mineira que no ano de 2002 optou por viver no Japão com a família. Em 2010 a Revista GVK Internacional no Brasil, especializada em karaokê, me descobriu no Orkut e através da minha paixão pela música e karaokê, decidiram fazer uma matéria sobre minha vida aqui no Japão, afinal foi aqui na cidade de Kobe que ele surgiu e se espalhou pelo mundo. Com a repercussão da matéria, eles me convidaram para ser a Correspondente Internacional da revista no Japão e aceitei o desafio e não parei mais. Fui Colunista Social por 2 anos no Portal Mie/Japão, da Revista Baladas Internacional/ Suiça, na BDCiTV/EUA e na Revista Biografia/ Brasil, realizando entrevistas com várias personalidades do meio artístico. Minhas matérias são para divulgar o trabalho dos artistas, sem apelos sensacionalistas, mesmo porque meu foco é mostrar a imensidão de talentos espalhados pelo mundo sejam famosos ou não. Atualmente faço parte da equipe da Rádio Shiga, onde faço matérias artísticas e sou a idealizadora do programa musical The Best Of Brazilian Music em parceria com o Omote-san. O programa foi suspenso devido problemas interno, mas o tempo em que esteve no ar levava a música brasileira à outros países da Asia. O programa The Best Of Brazilian Music era apresentado em inglês pela DJ Shine Dory, uma filipina apaixonada pela MPB e Bossa Nova. A escolha pelo idioma foi para alcançar japoneses e estrangeiros que vivem no Japão, já que inglês é um idioma universal e os brasileiros já contavam com o acesso as informações dos artistas através das matérias publicadas por mim no site